Setembro Amarelo: histórias de superação mostram a importância de buscar ajuda e cuidar da saúde mental em Volta Redonda

Setembro Amarelo: histórias de superação mostram a importância de buscar ajuda e cuidar da saúde mental em Volta Redonda


Usuárias da Rede de Atenção Psicossocial mostram como o acompanhamento oferecido pela Secretaria Municipal de Saúde contribuiu para superar momentos de sofrimento e melhorar a qualidade de vida

Acolhimento, escuta e acompanhamento profissional podem fazer a diferença na vida de quem enfrenta um período de sofrimento emocional. Neste Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre a valorização da vida e os cuidados com a saúde mental, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Volta Redonda destaca a importância de procurar ajuda e apresenta histórias de moradoras que encontraram, na Rede de Atenção Psicossocial, caminhos para enfrentar situações difíceis.

Uma delas é Alcimar Feijó Fidelis Nicolau, de 51 anos, moradora do bairro Santo Agostinho. Há cerca de cinco anos, ela procurou atendimento após passar por uma perda e perceber que não estava conseguindo lidar com o luto. Depois de passar por uma triagem em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps), foi encaminhada para o Espaço de Cuidado em Saúde, onde iniciou o acompanhamento.

Segundo Alcimar, naquele momento os medicamentos que utilizava já não estavam fazendo o mesmo efeito e ela chegou a ficar dias sem conseguir dormir. Com o acompanhamento profissional, houve mudança na medicação e ela passou a participar de diferentes atividades.

“Hoje faço parte de vários grupos, faço terapia individual e em grupo, com a psiquiatra, e isso tem me ajudado bastante. Melhorou muito a minha qualidade de vida. Eu ainda tenho coisas a melhorar, mas sei que estou no caminho certo”, afirmou.

Para a moradora, o tratamento também mudou a maneira como passou a enxergar a própria vida. Ela conta que aprendeu a olhar mais para si e reconhecer quando precisava de ajuda. “Depois que comecei o tratamento, teve uma mudança brusca na minha vida. Eu aprendi a olhar para mim e ver que eu precisava de ajuda. Busquei ajuda, porque vi a necessidade, pelo momento que estava passando, e encontrei acolhimento e apoio”, relatou.

Alcimar destaca ainda a importância de não ter receio de procurar os serviços de saúde mental. “Quem precisar, sentir que deve recorrer a uma ajuda, faça. Aqui você tem acolhimento, um abraço, um apoio muito grande, que com certeza ajuda a gente de verdade”, orientou.

Cuidar de quem sempre cuidou dos outros

A história de Andreia Santos Miranda, de 58 anos, moradora do bairro Sessenta, também é marcada por um período de dificuldades que a levou a buscar atendimento para cuidar da própria saúde mental. Durante anos, Andreia acompanhou de perto o tratamento do irmão, que enfrentava dependência química. Como irmã mais velha, decidiu ajudá-lo em um momento de grande vulnerabilidade, chegando a buscá-lo em situação de rua em Vitória, no Espírito Santo.

“Eu tive que tratar um irmão que tinha dependência química. Ele era policial, não tinha ninguém, eu era a irmã mais velha, e tive que buscá-lo em uma situação de rua. Ou eu deixava para lá ou socorria, e o coração falou mais alto”, relembrou.

A rotina foi ficando cada vez mais difícil. Andreia conta que, em momentos de crise do irmão, precisava dormir dentro do carro, porque ele quebrava objetos em casa. A situação fez com que ela passasse a viver constantemente com o medo.

“Com o passar do tempo eu não conseguia andar de ônibus, dirigir, não conseguia fazer um monte de coisa, porque vivia apavorada”, disse.

Ela começou a frequentar o Caps Conforto e participar de atividades voltadas também aos familiares. O acompanhamento ajudou Andreia a compreender melhor a situação vivida pelo irmão e a perceber que também precisava cuidar de si.

“Deve ter uns sete anos que faço tratamento. Meu irmão acabou falecendo e eu fui cuidar de mim”, contou.

Hoje, Andreia afirma que aprendeu a reconhecer seus limites e identificar situações que não fazem bem. “Hoje tudo que eu vejo que me incomoda eu saio fora. Tenho foco em observar o que não me faz bem, seja um assunto que me dá gatilho ou um lugar em que não vá me sentir bem.”

Andreia deixa uma mensagem para quem percebe que algo não está bem: procurar ajuda o quanto antes. “Quem está precisando de ajuda procura o quanto antes. Às vezes os sentimentos começam com não conseguir conversar com a família, não conseguir fazer algo simples, e isso é o início de que a pessoa não está bem. A gente deve procurar profissionais e não ter medo de um psiquiatra, de um terapeuta, porque a psiquiatria ajuda muito a todos”, destacou.

Rede municipal oferece diferentes serviços de saúde mental

A Rede de Atenção Psicossocial de Volta Redonda conta com diferentes serviços para pessoas que apresentam sofrimento psíquico, transtornos mentais ou necessidades relacionadas ao uso prejudicial de álcool e outras drogas. A orientação da Secretaria Municipal de Saúde é que o cidadão procure a unidade de saúde mais próxima para receber orientação e, quando necessário, ser encaminhado ao serviço adequado.

Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) oferecem acolhimento, escuta qualificada, atendimento médico e de enfermagem, atendimento psicológico, acompanhamento individual e familiar, grupos e oficinas terapêuticas, além de ações de reabilitação psicossocial e orientação aos familiares. O cuidado é definido de acordo com as necessidades de cada usuário.

O Caps Usina dos Sonhos, na Vila Mury, o Caps Vila Esperança, na Vila Santa Cecília, e o Caps Sérgio Sibilio Fritsch, no bairro Jardim Belvedere, são destinados ao tratamento de adultos. Já o Capsi (Centro de Atenção Psicossocial Infantil) Viva a Vida, na Vila Mury, é voltado para crianças e adolescentes; enquanto o Caps AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas), no bairro Conforto, é especializado para adultos e familiares que enfrentam problemas relacionados ao uso prejudicial, abusivo ou dependente de álcool e outras drogas.

A rede municipal também conta com o Espaço de Cuidado em Saúde Drª Suely das Graças Alves Pinto, no Aterrado. O serviço amplia a oferta de atendimento especializado em saúde mental para usuários encaminhados pela rede, com equipe multiprofissional, atendimento individual, acompanhamento psiquiátrico e grupos terapêuticos. Mais do que um local de consulta, os serviços da Rede de Atenção Psicossocial trabalham para promover autonomia, fortalecer vínculos familiares e sociais, estimular a participação na comunidade e garantir a continuidade do tratamento.

“Cuidar da saúde mental é cuidar da vida. Muitas vezes, a pessoa passa por uma situação difícil e acredita que precisa enfrentar tudo sozinha, mas existem profissionais e serviços preparados para acolher, ouvir e acompanhar cada caso. Neste Setembro Amarelo, queremos reforçar justamente essa mensagem: pedir ajuda é um ato de cuidado e de coragem. A nossa rede está preparada para oferecer esse acolhimento e construir, junto com cada usuário, o melhor caminho para o seu tratamento”, ressaltou a secretária municipal de Saúde, Márcia Cury.

Fotos de Adriana Cópio – Secom/PMVR.

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