Campos dos Goytacazes Norte Fluminense
Projeto do PAAQ encerra ciclo de encontros levando alunos à Casa AfroRaiz
Na última semana, alunos do 8º ano da Escola Municipal Carlos Chagas, localizada em Estrada Brejo Grande, no distrito de Travessão, vivenciaram uma experiência imersiva que marcou o encerramento do projeto “Para Não Ficar em Branco”. Promovida pelo Programa de Assistência aos Assentados, Quilombolas e Comunidades Tradicionais (PAAQ), vinculado à Secretaria Municipal de Saúde (SMS), em parceria com a Agenda Antirracista, projeto de extensão do curso de Serviço Social da Universidade Federal Fluminense (UFF) Campos, a ação levou os estudantes para fora do ambiente escolar para conhecer a Casa AfroRaiz, um importante ponto de cultura das artes pretas do município.
O quarto e último encontro do ciclo teve como principal objetivo expandir os horizontes dos jovens, conectando-os diretamente com a produção cultural da cidade. A programação foi dividida em três momentos de reflexão e prática. A visita começou com um tour pela casa, onde os alunos foram instigados a debater sobre o que é arte, suas diversas formas e as múltiplas possibilidades de existir no mundo através da expressão cultural.
No segundo momento, a ação contou com a parceria do “Itan em Tela”, iniciativa da artista Lys Aquino da Ònà Odòda, e da Itan Produção, um coletivo formado por jovens pretos de Guarus que utilizam a arte como ferramenta para falar sobre ancestralidade e espiritualidade. Na ocasião, foi exibido o curta-metragem “OMI SÍSÀN” (água corrente). A obra apresenta um itan (relato mítico) sobre a orixá Oxum que, além de abordar a religiosidade de matriz africana, traz uma forte mensagem sobre o poder feminino, o autoconhecimento e a força do coletivo.
Para materializar o que foi debatido, o terceiro momento foi conduzido por Pamela Correa, uma das idealizadoras da Casa AfroRaiz, que ministrou uma oficina de colagem com os adolescentes.
“A partir da vivência artística, os estudantes puderam acessar a cultura e a história da população negra sob uma ótica de potência, compreendendo que a narrativa de seus antepassados vai muito além das marcas da escravização e da inferiorização. A inserção dessas temáticas na formação dos jovens é considerada fundamental para a construção de novos olhares sobre si mesmos e para o fortalecimento de suas raízes”, destaca a coordenadora do PAAQ, Esthefany Francisco.
É exatamente nessa reconstrução da identidade que a iniciativa se encontra com as diretrizes de cuidado do município. A coordenadora ressalta que o impacto de ações culturais na autoestima dos jovens é, fundamentalmente, uma questão de saúde pública e prevenção.
“Poder proporcionar esses momentos aos jovens é extremamente gratificante. Acredito que o pertencimento e o reconhecimento impactam diretamente a saúde, porque ninguém constrói sua identidade isolado da sociedade em que vive. Ser representado, conhecer sua história e ter sua existência valorizada fortalece a autoestima, contribui para a saúde mental e ajuda a enfrentar as marcas do racismo”, explica a coordenadora. “Promover saúde também é isso: criar espaços onde esses jovens possam se reconhecer, valorizar suas origens e compreender que suas histórias são potentes, legítimas e merecem ser contadas”.
Por Igor Azeredo / Foto: Secretaria de Saúde
Fonte: Prefeitura de Campos dos Goytacazes




