Enfermeiras do Instituto Angolano de Controle do Câncer serão capacitadas para implantação de programa similar ao Prevenir no país africano
O presidente do Instituto Angolano de Controle do Câncer (IACC), o médico e especialista na área de oncologia, Fernando Miguel, e a diretora-administrativa da unidade, Edna Viegas, estão em Volta Redonda para firmar parceria com a prefeitura na área da saúde. O foco principal é implantar no país africano um programa de rastreio organizado do câncer do colo do útero, inspirado no Prevenir, coordenado pela Linha de Atenção Oncológica (LAO), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Volta Redonda.
O acordo de cooperação foi firmado no gabinete do prefeito Antonio Francisco Neto, com a presença dos dois profissionais do IACC; da secretária municipal de Saúde, Márcia Cury; da coordenadora do Núcleo de Prevenção e Atenção Oncológica, a médica-oncologista Luciana Francisco Netto; da coordenadora da Média Complexidade da SMS, Elisangela Bonifácio Lyra; do coordenador da Atenção Primária à Saúde, Hálison Vitorino; da enfermeira Nathália Beatriz de Almeida, que também faz parte da coordenação do Prevenir; do coordenador-médico da Divisão de Atenção Básica, Vinícius Siqueira; de outros profissionais da Secretaria Municipal de Saúde; além da médica-sanitarista Liz de Almeida, que participou de forma remota e é considerada a “madrinha” do Prevenir pelo apoio que dá ao programa.
O treinamento de quatro enfermeiras do Instituto Angolano de Controle do Câncer deve começar ainda em setembro e terá duração de três meses. Pelo programa apresentado pela coordenadora da LAO, Luciana Netto, as profissionais serão inseridas no programa de residência de médicos de família, na Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF) do bairro Volta Grande.
“Queremos que elas aprendam a fazer a coleta do preventivo e a interpretar os exames. As enfermeiras vão conhecer o trabalho de navegação do paciente feito pela Linha de Atenção Oncológica, que atua para agilizar o diagnóstico precoce do câncer e o encaminhamento de pacientes com suspeita da doença na rede pública municipal, para diminuir o tempo de espera entre a suspeita clínica na Atenção Básica e o início do tratamento adequado”, falou a médica.
Luciana Netto reforçou que o objetivo é que levem a experiência para Angola e implantem o rastreio organizado do câncer de colo do útero, respeitando as diferenças entre as duas realidades. E acrescentou que as profissionais do país africano também vão conhecer o H.FOA (Hospital da Fundação Oswaldo Aranha – responsável pela Unacon (Unidade de Alta Complexidade em Oncologia) da cidade.
O prefeito Neto endossou que Volta Redonda está de braços abertos para receber os profissionais de saúde de Angola. “Esperamos poder contribuir para que o nosso programa de rastreio do câncer possa salvar vidas em Angola, assim como está acontecendo aqui na nossa cidade com a LAO, que já atendeu cerca de 3 mil pessoas, identificando 378 lesões malignas com quase 100% de cura e outras 305 pré-malignas, que graças ao diagnóstico precoce não vão virar câncer. Isso prova que estamos no caminho certo e vamos apoiar quem quiser aprender conosco para salvar mais vidas.”
A secretária de Saúde de Volta Redonda, Márcia Cury, reforçou que o sucesso do programa confirma a importância da valorização da Atenção Primária à Saúde. “A prevenção é o melhor caminho no combate às doenças”, falou.
Troca de experiências iniciada no fim do ano passado
O intercâmbio entre a equipe da LAO de Volta Redonda e o Instituto Angolano de Controle do Câncer (IACC) iniciou em outubro de 2025, quando Luciana Netto esteve em Luanda, capital do país africano, junto com a médica Liz Almeida, que havia sido convidada pelo presidente do instituto. Ela mostrou os números positivos alcançados pelo “Prevenir” em Volta Redonda, que o tornaram referência para implantação de trabalho similar em Angola. Em janeiro deste ano, uma comitiva do Instituto Angolano de Controle do Câncer esteve no município para conhecer o trabalho de perto.
“O retorno que recebemos dos profissionais que estiveram aqui em janeiro passado e o que vimos nestes dois dias em Volta Redonda nos fez querer ampliar a parceria com o município. O programa Prevenir de rastreio do câncer do colo do útero é a nossa ‘menina dos olhos’, mas também queremos absorver a experiência de vocês em outras áreas da saúde”, afirmou o presidente do instituto, Fernado Miguel.
Fotos de Cris Oliveira – Secom/PMVR.





