O tratamento para torcicolo congênito, plagiocefalia ou refluxo é realizado na Clínica da Dor, que hoje assiste a 30 recém-nascidos
A Prefeitura de Volta Redonda ampliou o atendimento gratuito em osteopatia pediátrica para bebês com condições como torcicolo congênito, plagiocefalia (deformidade craniana leve) e refluxo. O serviço é ofertado na Clínica da Dor, unidade da rede municipal de saúde, que fica no Acesso Azul do Estádio da Cidadania, no bairro Jardim Paraíba, pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
Atualmente, 30 recém-nascidos estão em tratamento para restaurar a mobilidade, aliviar desconfortos e contribuir para o desenvolvimento motor adequado da criança. Os bebês são encaminhados pela própria rede municipal de saúde, iniciando um protocolo de atendimento semanal. Nos casos de plagiocefalia, após reavaliação da equipe especializada, a frequência é iniciada com protocolo semanal e pode ser ajustada para quinzenal ou até mensal, por tempo indeterminado, respeitando a evolução clínica do paciente.
De acordo com a coordenadora da maternidade e da pediatria do Hospital São João Batista (HSJB), Thais Junqueira Ferraz Villela, a unidade, também da rede municipal, encaminhou, somente neste mês de setembro, três bebês que nasceram com torcicolo para tratamento de osteopatia na Clínica da Dor.
“Sou uma entusiasta desse tratamento e ver essa especialidade da fisioterapia ofertada de graça, inserida na rede pública de saúde, é motivo para comemorar. A osteopatia, quando iniciada precocemente, é ainda mais eficaz. E o fluxo entre unidades da rede municipal facilita o acesso para quem precisa”, disse Thaís.
A médica contou que a filha dela teve um torcicolo congênito importante e teve que usar capacete para correção de assimetria craniana. “O processo foi muito sofrido para mim, estudei muito sobre esse assunto, e poder ajudar de forma ágil essas crianças é muito bom. Eu acho o máximo esse serviço, mas tem um custo alto na rede privada, dificultando o acesso da maioria da população. Que bom que Volta Redonda oferece o tratamento pelo SUS”, falou a pediatra.
Tratamento especializado
O coordenador da Clínica da Dor, o fisioterapeuta e osteopata João Paulo Gioseffi Vassallo Filho, afirmou que o aumento da demanda pelo tratamento apontou a necessidade de ampliar o atendimento aos bebês, antes concentrado às sextas-feiras, pela manhã.
“Desde a introdução da osteopatia na Clínica da Dor, em abril de 2024, cerca de 50 bebês foram beneficiados. E, agora, 30 estão em tratamento”, contou o osteopata, reforçando a necessidade de ampliar as vagas.
Ele explicou que a osteopatia pediátrica é uma abordagem terapêutica manual, baseada na anatomia e biomecânica do corpo. O tratamento é conduzido por profissional qualificado, que realiza uma avaliação clínica detalhada e aplica manobras seguras e específicas para corrigir disfunções musculoesqueléticas, melhorar a postura e aliviar dores — tudo sem o uso de medicamentos ou intervenções invasivas.
“A osteopatia ajuda a equilibrar o tônus muscular e corrigir disfunções que impactam diretamente a qualidade de vida do bebê e da família. É um tratamento de alto custo na rede privada, mas que a prefeitura oferece de forma gratuita, reafirmando seu compromisso com a saúde pública de excelência”, destacou João Paulo.
Melissa Araújo dos Santos, moradora do bairro Água Limpa, comemora a recuperação do filho Miguel, que completa cinco meses nesta terça-feira, dia 17. Ela conta que o pai do bebê notou que ele não virava o pescoço para o lado esquerdo e a orientou a perguntar para a médica da Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF).
“A médica desconfiou de torcicolo congênito e me encaminhou para o Programa Follow-Up. Lá, me indicaram o tratamento com o osteopata. Já nas duas primeiras sessões notei melhora. Agora, o tratamento segue por conta da plagiocefalia, consequência do torcicolo”, contou Melissa, elogiando o acolhimento que teve na rede municipal de saúde e, principalmente, na Clínica da Dor. “Sou muito grata pelo tratamento do meu filho.”
O osteopata afirmou que o quadro de torcicolo congênito, quando abordado com precocidade, costuma ser resolvido em até duas sessões, já a plagiocefalia precisa de um número maior de sessões.
“O bebê apresenta uma pequena deformidade nos ossos do crânio e a mobilização das peças articulares permite uma autocorreção de acordo com o desenvolvimento da criança. O osteopata não molda a cabeça da criança”, explicou João Paulo, reforçando que o diagnóstico precoce e o breve início do tratamento fazem toda a diferença na recuperação do paciente.
Ingrid Cristina Feijó, moradora do Santo Agostinho, também tem motivos para comemorar. O filho dela, Caleb, de quatro meses, foi diagnosticado com torcicolo congênito logo após o nascimento, mas precisou ficar na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) Neonatal da unidade por um mês.
“Assim que o Caleb teve alta, procurei o atendimento. Também passei pelo Follow-up e fui encaminhada para a osteopatia. Fui muito bem acolhida no Hospital São João Batista e aqui também. Mas o mais importante é ver a evolução dele”, ressaltou.
Referência
Além do atendimento a bebês, a Clínica da Dor é uma unidade de referência em fisioterapia para todas as faixas etárias, oferecendo tratamentos pelo SUS como Pilates Terapêutico, Reeducação Postural Global (RPG) e a própria Osteopatia. O espaço funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, com uma média de 100 a 150 atendimentos diários. A equipe é formada por fisioterapeutas especializados.
O acesso ao atendimento é restrito ao morador de Volta Redonda com encaminhamento de um médico da rede pública — especialmente pediatras, no caso dos recém-nascidos. A triagem é realizada no Centro Municipal de Reabilitação Física (Cemurf), localizado no Acesso Amarelo do Estádio da Cidadania.
Fotos de Cris Oliveira – Secom/PMVR.





