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Sexta-feira, 23 de outubro Últimas

Macaé Norte Fluminense

Palestra na Semana do Servidor de Macaé propõe reflexão sobre saúde mental e limites pessoais

Por Redação, com informações de Prefeitura de Macaé
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Palestra na Semana do Servidor de Macaé propõe reflexão sobre saúde mental e limites pessoais

A saúde mental no ambiente de trabalho e a importância de reconhecer os próprios limites foram temas da palestra “Até quando você vai dar conta?”, ministrada pela psicóloga Liriam Patricio nesta sexta-feira (23), às 14h, na Escola do Servidor Janete Fernandes Conceição, em Macaé. A atividade integra a programação da Semana do Servidor, organizada pela Prefeitura de Macaé, por meio da Secretaria Municipal de Gestão de Pessoas, com ações voltadas à saúde, ao bem-estar e à qualidade de vida dos servidores públicos.

Com o tema “Saúde mental não é sobre aguentar mais. É sobre aprender a não se perder de si”, a palestra pretendeu promover uma reflexão sobre as cobranças cotidianas, o excesso de responsabilidades e a necessidade de cuidar da saúde emocional sem esperar chegar ao limite.

De acordo com Liriam Patricio, a sociedade valoriza muito a produtividade, a capacidade de resolver problemas e a disponibilidade constante, o que pode levar muitas pessoas a acreditar que ser forte significa suportar tudo, não reclamar e continuar seguindo em frente, mesmo diante do esgotamento. “Mas existe uma diferença muito grande entre ser forte e se obrigar a suportar tudo”, destaca.

Segundo ela, é importante reconhecer que, por trás de cada servidor público, existe um ser humano com sentimentos, preocupações, responsabilidades, sonhos e dificuldades que nem sempre são visíveis. São pessoas que cuidam da população, enfrentam desafios diariamente e, muitas vezes, chegam ao trabalho carregando preocupações da vida pessoal. Por isso, a psicóloga ressalta que discutir saúde mental no ambiente profissional vai além da produtividade. “Não estamos falando apenas de produtividade, mas de dignidade, qualidade de vida e relações humanas”, afirma.
Reconhecer sinais de sobrecarga e estabelecer limites é essencial para preservar a saúde mental

A profissional também chama a atenção para os sinais que o corpo e as emoções apresentam diante da sobrecarga. Entre eles estão o cansaço persistente, mesmo após o descanso, a irritabilidade, a dificuldade para dormir, a falta de concentração, o desânimo, a ansiedade e a sensação de estar sempre atrasado ou de nunca fazer o suficiente.

Segundo Liriam, mudanças de comportamento também podem indicar que algo não vai bem. O isolamento, as reações mais irritadas e a perda de interesse por atividades que antes proporcionavam alegria são alguns exemplos. Outro sinal importante é sentir culpa ao descansar, como se fosse necessário estar sempre fazendo alguma coisa para justificar o próprio valor.

“É importante entender que nem todo cansaço significa adoecimento, mas quando esses sinais se tornam frequentes, persistentes ou começam a prejudicar nossa rotina e nossos relacionamentos, precisamos prestar atenção”, explica. Para ela, aprender a reconhecer as próprias necessidades é fundamental. “Não podemos esperar que o nosso corpo pare por nós porque não tivemos coragem de parar por conta própria”, aponta.

Ao abordar a proposta central da palestra, a psicóloga enfatiza que preservar a saúde mental exige mudanças de atitude e o reconhecimento de que não é possível resolver todos os problemas ao mesmo tempo ou estar disponível para todas as pessoas o tempo inteiro. Aprender a estabelecer limites, dizer “não” quando necessário e reconhecer que não é possível fazer tudo sozinho são atitudes que ajudam a preservar a saúde emocional.

Liriam pondera, no entanto, que esse processo não é simples, especialmente para quem precisa conciliar responsabilidades profissionais, filhos, família, compromissos financeiros e outras demandas. “Por isso, não quero transmitir a ideia de que basta organizar a agenda ou pensar positivo para resolver tudo. O cuidado emocional também depende das condições de vida, das relações que construímos e do apoio que recebemos”, esmiúça.
Psicóloga destaca atitudes práticas de autocuidado e a importância de buscar ajuda profissional

Como forma de iniciar essa reflexão, a psicóloga propõe que as pessoas se perguntem o que está ao seu alcance mudar, quais responsabilidades poderiam ser compartilhadas e o que estão deixando de fazer por si mesmas para atender às expectativas dos outros. Ela também recomenda resgatar pequenos momentos de conexão consigo, como descansar sem culpa, conversar com alguém de confiança, realizar atividades prazerosas, respeitar as próprias necessidades e reconhecer as emoções sem julgamentos.

Entre as atitudes práticas recomendadas aos servidores estão reconhecer os próprios limites, comunicar necessidades, negociar prazos, compartilhar responsabilidades sempre que possível e cultivar relações de apoio. A profissional também frisa a importância de observar mudanças emocionais e buscar ajuda profissional quando necessário. “Psicólogos, médicos e outros profissionais de saúde podem contribuir para compreender o que está acontecendo e construir estratégias de cuidado”, conta.

Além das atitudes individuais, Liriam salienta a importância de um ambiente de trabalho que favoreça o acolhimento e o bem-estar. A construção de relações saudáveis e a existência de apoio são aspectos importantes para que os servidores possam lidar com as demandas profissionais sem negligenciar a própria saúde emocional.

A mensagem que a psicóloga pretende deixar aos participantes é que o cuidado com a saúde mental deve fazer parte da rotina, e não ser adiado até que a situação se torne insustentável. “Cuidar da saúde mental não é sinal de fraqueza, falta de compromisso ou incapacidade. É uma atitude de responsabilidade consigo mesmo e com as pessoas ao nosso redor”, conclui.

Fonte: Prefeitura de Macaé

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