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Terça-feira, 27 de outubro Últimas

Duque de Caxias Baixada Fluminense

Abraço mulher já acolheu mais de 18,3 mil mulheres e transforma história de violênica em caminhos de superaçao em Duque de Caxias

Por Redação, com informações de Prefeitura de Duque de Caxias
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Abraço mulher já acolheu mais de 18,3 mil mulheres e transforma história de violênica em caminhos de superaçao em Duque de Caxias

Por trás dos números da violência contra a mulher, existem histórias de medo, dor e silenciamento, mas também de coragem, recomeço e superação. Em Duque de Caxias, o projeto Abraço Mulher, da Secretaria Municipal de Gestão, Inclusão e Mulher, já atendeu mais de 18,3 mil mulheres em um ano e meio de atuação, oferecendo acolhimento gratuito, escuta qualificada e acompanhamento multidisciplinar para mulheres em situação de vulnerabilidade. Entre os relatos recebidos pela equipe estão casos de violência física, psicológica, moral, sexual e patrimonial, além de histórias de mulheres que encontraram no programa apoio para romper ciclos de violência e reconstruir suas vidas.

Com uma proposta de atendimento integral, o Abraço Mulher disponibiliza assistência social, psicológica, jurídica e de saúde, além de ações de conscientização sobre direitos, autonomia, segurança e enfrentamento à violência de gênero. Mais do que oferecer orientação e suporte diante de situações de vulnerabilidade, o programa busca garantir que cada mulher seja ouvida, respeitada e amparada durante o processo de reconstrução de sua trajetória.

Uma dessas histórias é a de Laise Pinto de Melo, de 47 anos, mãe de três filhos, que procurou o programa em 2025, depois de sofrer violência doméstica praticada pelo então companheiro, pai de sua filha caçula. Durante uma discussão, ela foi ameaçada de morte com uma faca. O episódio marcou um momento decisivo em sua vida e a levou a buscar ajuda para enfrentar a situação e proteger a si mesma e à família.

Em Duque de Caxias, o enfrentamento à violência contra a mulher passa pelo fortalecimento das políticas públicas de acolhimento, orientação e proteção. Como Embaixadora da Mulher no município, a primeira-dama Julia Reis destaca que garantir os direitos femininos exige mais do que conscientização.

“Enfrentar a violência contra a mulher é uma responsabilidade de toda a sociedade e, especialmente, do poder público. Nenhuma mulher deve ser obrigada a conviver com o medo, a violência ou a violação de seus direitos por falta de apoio ou por não saber a quem recorrer. É fundamental garantir acolhimento, orientação e proteção, respeitando as decisões de cada mulher e oferecendo condições para que ela possa reconstruir sua vida com segurança, dignidade e autonomia”, afirma Julia Reis.

ACOLHIMENTO PARA ROMPER O SILÊNCIO E RECONSTRUIR A PRÓPRIA HISTÓRIA

Laise chegou ao Abraço Mulher por indicação de uma amiga que já participava das atividades terapêuticas oferecidas pelo projeto. Ao entrar em contato, encontrou acolhimento e iniciou um processo que, segundo ela, foi muito além do enfrentamento da violência vivida naquele relacionamento.

“Eu fui bem recebida, acolhida. Fiz terapia em grupo, individual, e muita coisa mudou na minha vida. O Abraço me fez me descobrir. Tive que mergulhar em mim para olhar para dores, feridas e traumas que vinham da infância e da adolescência e que eu carregava para a vida adulta”, conta.

Durante o acompanhamento, Laise passou a reconhecer marcas emocionais antigas, rever crenças construídas ao longo da vida e compreender que as experiências dolorosas que enfrentou não definiam seu valor como pessoa. O processo terapêutico também a ajudou a abandonar sentimentos de culpa e a desenvolver uma relação mais respeitosa consigo mesma.

“Eu achava que não servia para nada, porque carregava palavras que ouvi ao longo da vida. Com as terapias, fui mudando meu pensamento e descobrindo que eu não era aquilo que falavam de mim. Percebi que não precisava continuar vivendo presa à culpa e à tristeza pelo que outras pessoas fizeram comigo”, relata.

Para ela, o acolhimento fez diferença também por mostrar que não estava sozinha. As atividades em grupo permitiram compartilhar experiências, ouvir outras mulheres e reconhecer sentimentos que, muitas vezes, permanecem escondidos pelo medo, pela vergonha ou pela dificuldade de falar sobre a violência.

“O acolhimento foi muito importante porque você vê que não está sozinha. Ouvindo outras pessoas, você percebe que existem dores que se parecem com as suas e que todos nós temos coisas para compreender e transformar. Aprendi a colocar limites e a respeitar a mim mesma”, afirma.

APRENDER A DIZER NÃO TAMBÉM É UMA FORMA DE LIBERDADE
Entre as mudanças mais significativas vividas por Laise está a capacidade de estabelecer limites nas relações pessoais. Ela conta que, durante muito tempo, teve dificuldade para negar pedidos, expressar suas vontades e se posicionar diante de situações que a machucavam.

“Tenho quase meio século de vida e entendi que posso dizer não sem precisar dar explicações. Posso dizer que não quero, que não vou, sem me justificar e sem me sentir culpada. Antes, as pessoas passavam por cima de mim. Hoje, aprendi a falar não sem pedir desculpas por isso, respeitando a mim e ao outro. Isso me trouxe alívio”, destaca.

A mudança também transformou sua maneira de compreender os relacionamentos. Para Laise, amor não pode ser confundido com controle, desrespeito ou sofrimento. O cuidado, a presença, o carinho e o respeito à individualidade passaram a ser condições indispensáveis para construir vínculos saudáveis. A decisão de buscar ajuda, entretanto, aconteceu em meio a uma situação de extremo medo. Ao recordar o episódio em que foi ameaçada com uma faca, Laise relata que tentou acalmar o então companheiro, preocupada com a possibilidade de o filho ouvir a discussão e intervir, colocando-se em perigo.

Ela conseguiu sair da situação e, assim que teve oportunidade, procurou o filho e contou o que havia acontecido. Depois, foi à delegacia, registrou a ocorrência e solicitou uma medida protetiva. O caso evidencia a importância de reconhecer os sinais de violência e procurar os serviços de proteção disponíveis.
De acordo com a embaixadora Julia Reis, ameaças, humilhações, controle, agressões e outras formas de violência precisam ser reconhecidas e enfrentadas, com uma rede de atendimento preparada para acolher as vítimas sem julgamentos e encaminhá-las aos serviços adequados.

“O silêncio, muitas vezes, é consequência do medo, da dependência financeira, da vergonha ou da preocupação com os filhos. Por isso, acolher uma mulher significa ouvi-la com respeito, sem culpabilizá-la e sem impor decisões. O acesso à informação e a uma rede de proteção pode ser determinante para que ela reconheça seus direitos e encontre caminhos seguros para romper o ciclo da violência”, ressalta.

DA EXPERIÊNCIA DE SUPERAÇÃO A UM NOVO PROPÓSITO
O impacto do acompanhamento foi tão profundo que Laise encontrou no processo terapêutico uma nova vocação. Inspirada pelas experiências vividas no Abraço Mulher, ela decidiu estudar psicanálise e se prepara para concluir a formação.

“Eu me apaixonei pela psicanálise, achei incrível. Foi através do Abraço, participando das terapias, que me encontrei e descobri o que queria para mim. Encontrei meu propósito”, conta.

A trajetória de Laise representa uma das muitas possibilidades de transformação que podem surgir quando uma mulher encontra um espaço de escuta, respeito e orientação. A superação não apaga as experiências dolorosas, mas pode abrir caminhos para que elas deixem de determinar o futuro. Hoje, ao refletir sobre o que aprendeu, ela destaca a importância de reconhecer o próprio valor, respeitar os limites pessoais e não aceitar relações que desconsiderem sua dignidade.

Questionada sobre a palavra que melhor define a mulher que se tornou, Laise não hesita: “Vencedora. Eu venci.”
A história de Laise reforça a importância de políticas públicas que ofereçam às mulheres não apenas atendimento imediato, mas também condições para recuperar a autoestima, fortalecer a autonomia e construir novos projetos de vida.

Para Julia Reis, iniciativas como o Abraço Mulher contribuem para transformar o acesso aos direitos em oportunidades concretas de proteção e recomeço.

“Quando uma mulher encontra acolhimento, informação e apoio, ela passa a ter mais condições de reconhecer que merece viver sem violência e que seus direitos precisam ser respeitados. O nosso compromisso deve ser o de construir uma cidade em que nenhuma mulher se sinta sozinha diante da violência e em que pedir ajuda seja sempre um caminho possível, seguro e respeitado”, destaca.

Se você sofre violência física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial ou conhece alguém nesta situação, peça ajuda. Existem canais gratuitos de acolhimento, orientação e proteção.
Ligue 180 — Central de Atendimento à Mulher, para denúncias, orientações e informações sobre serviços de apoio. Atendimento gratuito, 24 horas por dia.
Ligue 190 — Polícia Militar, em situações de emergência ou risco imediato.
Abraço Mulher — Em Duque de Caxias, o programa oferece acolhimento e suporte integral e gratuito às mulheres em situação de vulnerabilidade, com acompanhamento nas áreas social, psicológica, jurídica e de saúde.
Defensoria Pública — Orientação e assistência jurídica gratuita.
Unidades de saúde e assistência social — Atendimento, acolhimento e encaminhamento para a rede de proteção.

Não se cale! Você tem direito a viver sem medo, com dignidade e segurança. Pedir ajuda é um ato de coragem. Você não está sozinha!

Fonte: Prefeitura de Duque de Caxias

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