Maria de Fátima Anastasia, de 67 anos, encontrou nas aulas do Cras Coqueiros um novo motivo para sorrir e mostrou, no palco, que a superação também pode ser dançada
Quando Maria de Fátima Anastasia entrou no palco do XXXV Festival de Dança de Volta Redonda, os aplausos que recebeu foram muito além da apresentação. Aos 67 anos, carregava consigo uma história de luta, persistência e recomeço. Cada passo da coreografia simbolizava uma vitória conquistada desde o dia em que um Acidente Vascular Cerebral (AVC) mudou completamente sua vida.
Há alguns anos, Fátima perdeu os movimentos, a fala e até a memória. Ela lembra que, ao deixar sua casa para ser socorrida, já não conseguia caminhar nem reconhecer os próprios netos.
“Quando eu saí daqui de casa, eu não andava, não falava e nem conhecia meus netos. Minha sorte foi que o socorro chegou muito rápido. Agradeço primeiro a Deus e aos meus filhos, porque se eles não tivessem me levado a tempo, o médico disse que hoje eu não estaria aqui para contar essa história”, recorda.
A recuperação exigiu força, paciência e perseverança. Foi durante esse processo que ela conheceu as atividades oferecidas pelo Centro de Referência de Assistência Social (Cras), da Secretaria Municipal de Assistência Social (Smas). Há cerca de três anos, passou a frequentar as oficinas de dança organizadas pelo facilitador Ricardo Coutinho e encontrou muito mais do que uma atividade física: redescobriu a confiança em si mesma.
“Hoje, graças a Deus e à dança, faço minhas aulas e também participo das oficinas de pintura no Cras. A dança foi tudo de bom para mim. Depois que comecei a dançar, muitas coisas foram melhorando aos poucos. Continuo meu tratamento e tomando os remédios, mas hoje estou bem”, conta, emocionada.
Para a diretora do Departamento de Proteção Social Básica (DPB), Cristiane Alves, histórias como a de Maria de Fátima mostram o verdadeiro alcance das atividades desenvolvidas nos Cras.
“Quando pensamos nas atividades oferecidas pelos Cras, pensamos no desenvolvimento integral das pessoas. A dança vai muito além da expressão artística. Ela fortalece vínculos, promove saúde física e emocional, melhora a autoestima e cria novas possibilidades de convivência. A história da dona Fátima nos emociona, porque representa exatamente o propósito da assistência social: oferecer oportunidades para que as pessoas recuperem sua autonomia, confiança e qualidade de vida”, ressaltou a diretora.
A subsecretária municipal de Assistência Social, Larissa Garcez, destaca que ver os usuários dos Cras ocupando o palco de um dos principais eventos culturais da cidade reforça o papel da assistência social na promoção da cidadania.
“Cada apresentação representa meses de dedicação, aprendizado e convivência. Mais do que formar bailarinos, os Cras ajudam a reconstruir histórias, fortalecer vínculos familiares e comunitários e devolver autoestima e protagonismo às pessoas. A história da dona Fátima simboliza o quanto a assistência social pode transformar vidas”, disse a subsecretária.
Talento e inclusão no palco
A emocionante apresentação de Maria de Fátima integrou a participação da Secretaria Municipal de Assistência Social no XXXV Festival de Dança, promovido pela Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Smel). Durante os dias 9 e 10 de julho, usuários dos Cras Coqueiros, Água Limpa, Siderlândia, Jardim Cidade do Aço, Voldac e Santo Agostinho apresentaram coreografias preparadas ao longo dos últimos meses, demonstrando como a assistência social também transforma vidas por meio da cultura, da convivência e da inclusão.
No dia 9 de julho, foram apresentadas as coreografias Pinóquio, Variação Paysant, Aquarela Latina, Feeling e Aquarela do Brasil. Já no dia 10, o público assistiu às apresentações Lua de Cristal, Filhos da Terra, Tempo e Dança dos Cisnes.
Mais do que números artísticos, as apresentações refletiram o trabalho desenvolvido diariamente nos Cras: espaços onde a convivência, a cultura e o fortalecimento de vínculos caminham lado a lado com o acolhimento e a promoção da qualidade de vida. No caso de Fátima, a dança se tornou também um símbolo de esperança. Ao subir ao palco, ela mostrou que, mesmo depois de um dos momentos mais difíceis de sua vida, ainda havia espaço para novos passos, novos sonhos e novos recomeços.
Fotos Clara Preta – Smas.
Secom/PMVR





