{"id":7551,"date":"2022-06-29T19:16:00","date_gmt":"2022-06-29T22:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/coluna-marina-dias-e-o-sonho-paralimpico-da-paraescalada\/"},"modified":"2022-06-29T19:16:00","modified_gmt":"2022-06-29T22:16:00","slug":"coluna-marina-dias-e-o-sonho-paralimpico-da-paraescalada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/?p=7551","title":{"rendered":"Coluna \u2013 Marina Dias e o sonho paral\u00edmpico da paraescalada"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>Os \u00faltimos 30 dias foram intensos para Marina Dias. A paulista de 39 anos, que nunca havia competido fora do pa\u00eds, participou de duas etapas da Copa do Mundo de paraescalada, sendo a primeira brasileira a disputar um torneio internacional da modalidade. A estreia, no fim\u00a0de maio,\u00a0veio com uma medalha de ouro em Salt Lake City (Estados Unidos). Na semana passada, em Innsbruck (\u00c1ustria), ela conquistou o bronze.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/1656543607_618_ebc.png\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/1656543608_539_ebc.gif\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=292702:cheio_8colunas --><\/p>\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\">\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/loading_v2.gif\" data-echo=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/marina_dias_paraescalada_in_door.jpg\" alt=\"Marina Dias - paraescalada - esclerose m\u00faltipla\" title=\"Slobodan Miskovic\/Direitos Reservados\" class=\"flex-fill img-cover\"\/><br \/>\n        <noscript><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/marina_dias_paraescalada_in_door.jpg\" alt=\"Marina Dias - paraescalada - esclerose m\u00faltipla\" title=\"Slobodan Miskovic\/Direitos Reservados\" class=\"flex-fill img-cover\"\/><\/noscript>\n    <\/div>\n<p><!-- END scald=292702 --><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<p>Ap\u00f3s descobrir a paraescalada em 2009, Marina Dias j\u00e1 coleciona duas medalhas em competi\u00e7\u00f5es fora do pa\u00eds, a \u00faltima delas <em>indoor<\/em> em Innsbruck (\u00c1ustria)\u00a0&#8211; <strong>Slobodan Miskovic\/Direitos Reservados<\/strong><!--END copyright=292702--><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Para competir em Salt Lake City e Innsbruck, Marina teve licen\u00e7as e inscri\u00e7\u00f5es pagas pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Escalada Esportiva (ABEE) e obteve parte da verba de viagem por meio de um programa de amparo ao esporte amador da prefeitura de Taubat\u00e9 (SP), onde vive. A outra parcela foi custeada com recursos pr\u00f3prios. Antes da ida \u00e0 \u00c1ustria, ela chegou a fazer uma &#8220;vaquinha\u00a0online&#8221; para aux\u00edlio nas despesas (passagem a\u00e9rea, transporte terrestre, alimenta\u00e7\u00e3o e estadia), avaliadas em quase R$ 16 mil, arrecadando cerca de R$ 3,5 mil.<\/p>\n<p>Diferentemente da escalada, que entrou no programa ol\u00edmpico nos Jogos de T\u00f3quio (Jap\u00e3o) e foi mantida para Paris (Fran\u00e7a), em 2024, a paraescalada (ainda) n\u00e3o faz parte do movimento paral\u00edmpico, o que atrapalha a busca por suporte financeiro. A modalidade \u00e9 cotada para ingressar na Paralimp\u00edada somente a partir de 2028, em Los Angeles (Estados Unidos).<\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;Acho que a partir do momento que [a paraescalada] virar paral\u00edmpica, a gente\u00a0ter\u00e1 mais visibilidade e suporte. Depender\u00e1 muito da quantidade de atletas que disputam o circuito mundial. Especialmente nos \u00faltimos [dois] anos, por causa da covid-19, n\u00e3o houve um n\u00famero muito grande de atletas. Espero que isso seja levado em conta. A minha ida para as competi\u00e7\u00f5es t\u00eam esse lado, tamb\u00e9m. Sei que, com mais atletas competindo, aumentam as chances da paraescalada se tornar uma modalidade paral\u00edmpica e contribui para a consolida\u00e7\u00e3o da escalada na Olimp\u00edada&#8221;, afirmou Marina, \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Desde 2009, Marina tem o lado esquerdo do corpo afetado pela esclerose m\u00faltipla, uma doen\u00e7a degenerativa. Ela costumava correr, mas as dores a fizeram buscar outra atividade f\u00edsica e a levaram \u00e0 escalada. A paix\u00e3o foi imediata.<\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;Eu sei como pode ser dif\u00edcil, \u00e0s vezes, voc\u00ea criar coragem para\u00a0ter\u00a0uma vida ativa quando seu corpo n\u00e3o est\u00e1 obedecendo. Existem v\u00e1rios estudos que mostram que a pr\u00e1tica de uma atividade f\u00edsica faz bem a pessoas com esclerose m\u00faltipla e tendem a diminuir a progress\u00e3o da doen\u00e7a. Ent\u00e3o, a escalada n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um esporte, \u00e9 um estilo de vida. A gente escala, treina no gin\u00e1sio, mas tamb\u00e9m escala na natureza. Com a escalada, consigo\u00a0ter\u00a0esse estilo de vida mais saud\u00e1vel, que me leva a lugares lindos e fazem bem \u00e0 sa\u00fade&#8221;, explicou.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Marina come\u00e7ou a competir em 2020, pouco antes da pandemia, passando a conciliar treinos mais intensos com o trabalho. Ela tamb\u00e9m \u00e9 professora do Instituto de Ci\u00eancia e Tecnologia (ICT) da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP), munic\u00edpio vizinho a Taubat\u00e9.<\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;Eu trabalho [na universidade] o dia inteiro e s\u00f3 treino \u00e0 noite, o que, se voc\u00ea comparar com um atleta profissional, n\u00e3o \u00e9 suficiente. Se a escalada virar paral\u00edmpica, acho que terei que negociar uma redu\u00e7\u00e3o de jornada, alguma coisa assim, para me dedicar mais aos treinos [risos]. Tenho bastante persist\u00eancia, acho que \u00e9 um ponto positivo para mim&#8221;, disse a paulista, que \u00e9 doutora em Engenharia Qu\u00edmica.<\/p>\n<\/blockquote>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=292701:cheio_8colunas --><\/p>\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\">\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/loading_v2.gif\" data-echo=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/marina_dias_escalada_medalha.jpg\" alt=\"Marina Dias - paraescalada - medalha \u00c1ustria - esclerose m\u00faltipla\" title=\"Andrew Oliveira\/Direitos Reservados\" class=\"flex-fill img-cover\"\/><br \/>\n        <noscript><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/marina_dias_escalada_medalha.jpg\" alt=\"Marina Dias - paraescalada - medalha \u00c1ustria - esclerose m\u00faltipla\" title=\"Andrew Oliveira\/Direitos Reservados\" class=\"flex-fill img-cover\"\/><\/noscript>\n    <\/div>\n<p><!-- END scald=292701 --><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<p>&#8220;Com a escalada, consigo\u00a0ter\u00a0esse estilo de vida mais saud\u00e1vel, que me leva a lugares lindos e fazem bem \u00e0 sa\u00fade&#8221;, revelou Marina Dias, com o bronze <em>indoor<\/em> em\u00a0Innsbruck (\u00c1ustria) &#8211; <strong>Andrew Oliveira\/Direitos Reservados<\/strong><!--END copyright=292701--><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o em torneios nacionais credenciou Marina a representar o Brasil em competi\u00e7\u00f5es fora do pa\u00eds. Al\u00e9m da oportunidade in\u00e9dita de enfrentar rivais do exterior, ela teria o desafio de encarar paredes maiores do que\u00a0as que estava acostumava a escalar. A do gin\u00e1sio onde\u00a0treina, por exemplo, tem nove metros, metade da altura que teve que subir em Salt Lake City.<\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;A gente quase n\u00e3o tem gin\u00e1sios assim no Brasil, ent\u00e3o treinei para ganhar resist\u00eancia e conseguir chegar ao fim. Acredito que as atletas que enfrento estejam acostumadas a esse tipo de parede. Quando cheguei l\u00e1, procurei treinar em algum gin\u00e1sio para, ao menos, por a m\u00e3o nas agarras [pe\u00e7as fixas que escalador utiliza para subir], pois elas s\u00e3o diferentes das que estamos acostumados. A gente precisa saber onde ela \u00e9 boa e\u00a0ter\u00e1 seguran\u00e7a. No fim, acho que os preparativos deram certo e ganhei a medalha&#8221;, recordou.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A competi\u00e7\u00e3o em Innsbruck foi a \u00faltima de Marina em 2022. Ela ainda pretendia disputar a etapa de Villars (Su\u00ed\u00e7a) da Copa do Mundo, em julho, aproveitando que estava na Europa, mas a quest\u00e3o financeira pesou. O calend\u00e1rio do ano que vem ainda n\u00e3o foi divulgado, mas o principal evento da paraescalada ser\u00e1 o Campeonato Mundial, em Berna (Sui\u00e7a), entre 1\u00ba e\u00a012 de agosto. A paulista espera estar l\u00e1 para, quem sabe, repetir o feito de Raphael Nishimura, atual presidente da ABEE e primeiro brasileiro a subir ao p\u00f3dio na competi\u00e7\u00e3o com a medalha de prata na edi\u00e7\u00e3o de 2012, em Paris.<\/p>\n<h2>Modalidade<\/h2>\n<p>A paraescalada tem quatro classes, todas com subcategorias em que os atletas s\u00e3o distribu\u00eddos pelo grau da comorbidade &#8211; quanto menor o n\u00famero, maior o comprometimento. A classe RP re\u00fane escaladores com defici\u00eancias que impactam alcance e for\u00e7a e \u00e9 dividida em RP1, RP2 e RP3 (na qual Marina compete). Na classe B (do ingl\u00eas\u00a0blind), est\u00e3o os atletas com defici\u00eancia visual, que podem contar com o apoio de um guia (que os orienta por meio de um fone), separados em B1, B2 e B3. J\u00e1 as classes AL e AU, respectivamente voltadas a esportistas com limita\u00e7\u00f5es nos membros inferiores e superiores, possuem duas subcategorias cada.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p>, Lincoln Chaves &#8211; Rep\u00f3rter da EBC<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/esportes\/noticia\/2022-06\/coluna-marina-dias-e-o-sonho-paralimpico-da-paraescalada\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Fonte: Agencia Brasil <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os \u00faltimos 30 dias foram intensos para Marina Dias. A paulista de 39 anos, que nunca havia competido fora do pa\u00eds, participou de duas etapas da Copa do Mundo de paraescalada, sendo a primeira brasileira a disputar um torneio internacional da modalidade. 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