{"id":73384,"date":"2026-07-28T10:21:00","date_gmt":"2026-07-28T13:21:00","guid":{"rendered":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/?p=73384"},"modified":"2026-07-28T10:21:00","modified_gmt":"2026-07-28T13:21:00","slug":"dor-cronica-pode-influenciar-no-tratamento-da-depressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/?p=73384","title":{"rendered":"Dor cr\u00f4nica pode influenciar no tratamento da depress\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p> <\/p>\n<div>\n<p>Artigo publicado na revista\u00a0<a rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s44220-026-00691-9\">Nature Mental Health<\/a>\u00a0nesta ter\u00e7a-feira (28) argumenta que parte dos pacientes classificados com depress\u00e3o resistente ao tratamento pode n\u00e3o ter uma doen\u00e7a refrat\u00e1ria a rem\u00e9dio, mas sim uma dor cr\u00f4nica que nunca foi medida.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/1785248148_11_ebc.png\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/1785248148_269_ebc.gif\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p><strong>A dor cr\u00f4nica \u00e9 comum em quem tem depress\u00e3o e reduz a resposta aos antidepressivos. Ainda assim, ela n\u00e3o entra na defini\u00e7\u00e3o de depress\u00e3o resistente, n\u00e3o aparece nos question\u00e1rios mais usados na pr\u00e1tica cl\u00ednica e costuma ser exclu\u00edda dos ensaios que orientam diretrizes.<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o artigo, quando a depress\u00e3o n\u00e3o responde ao tratamento, m\u00e9dicos se perguntam se a medica\u00e7\u00e3o falhou e raramente questionam se a dor cr\u00f4nica foi em algum momento medida.<\/p>\n<p><strong>Os autores destacam que a dor explica toda e qualquer depress\u00e3o resistente ao tratamento.<\/strong> O argumento deles \u00e9 que ao falhar em medir a dor pode influenciar no tratamento. Eles ressaltam que os pacientes n\u00e3o devem mudar ou parar a medica\u00e7\u00e3o com base no artigo.<\/p>\n<p>Um dos autores do estudo, Nilson Mendes Neto, m\u00e9dico e pesquisador na Harvard Medical School, com trabalho voltado \u00e0 interface entre dor cr\u00f4nica e sa\u00fade, diz que existe uma diferen\u00e7a importante entre o m\u00e9dico saber que o paciente sente dor e a dor ser medida e incorporada de maneira estruturada \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o da depress\u00e3o resistente.<\/p>\n<p>\u201cHoje, a classifica\u00e7\u00e3o da depress\u00e3o resistente ao tratamento se baseia principalmente na falha de tratamentos antidepressivos realizados em dose e dura\u00e7\u00e3o adequadas. A presen\u00e7a, intensidade e impacto funcional da dor n\u00e3o fazem parte formal dessa defini\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, instrumentos amplamente utilizados para avaliar depress\u00e3o, como o PHQ-9 e a escala de Hamilton, n\u00e3o avaliam diretamente a carga de dor\u201d, afirma o pesquisador.<\/p>\n<p><strong>Portanto, diz Nilson, mesmo quando o m\u00e9dico sabe que a dor existe, muitas vezes n\u00e3o h\u00e1 uma medida padronizada que permita determinar quanto ela pode estar contribuindo para a persist\u00eancia dos sintomas ou para a aparente falha do tratamento<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u00a0\u201cEsse \u00e9 justamente o ponto que levantamos: n\u00e3o estamos dizendo que os m\u00e9dicos simplesmente ignoram a dor. Estamos mostrando que a arquitetura usada para medir e classificar a depress\u00e3o resistente n\u00e3o exige que ela seja sistematicamente considerada.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Os autores argumentam que parte dos pacientes classificados como tendo depress\u00e3o resistente pode, na realidade, ter um problema de dor n\u00e3o identificado. \u201cN\u00e3o estamos afirmando que a maioria dos casos de depress\u00e3o resistente seja explicada pela dor, nem que pacientes com dor n\u00e3o tenham uma depress\u00e3o verdadeiramente resistente\u201d, explica Nilson.<\/p>\n<p><strong>O que eles argumentam \u00e9 que, em alguns pacientes, uma condi\u00e7\u00e3o dolorosa n\u00e3o medida pode estar contribuindo para a aparente resist\u00eancia ao tratamento.<\/strong> A dor pode tanto modificar a resposta ao antidepressivo quanto interferir na maneira como interpretamos a persist\u00eancia dos sintomas.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o sabemos qual propor\u00e7\u00e3o dos pacientes pode estar nessa situa\u00e7\u00e3o. E ningu\u00e9m consegue responder adequadamente a essa pergunta hoje justamente porque a dor n\u00e3o \u00e9 medida de maneira sistem\u00e1tica\u201d, completa o pesquisador.<\/p>\n<p><strong>SUS<\/strong><\/p>\n<p>Sobre o contexto brasileiro e o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), o m\u00e9dico v\u00ea algumas implica\u00e7\u00f5es importantes. A primeira \u00e9 que o problema discutido n\u00e3o exige necessariamente uma tecnologia cara para come\u00e7ar a ser enfrentado.<\/p>\n<p><strong>Na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, nos ambulat\u00f3rios de sa\u00fade mental e nos centros de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (CAPS), uma avalia\u00e7\u00e3o estruturada sobre presen\u00e7a, dura\u00e7\u00e3o e impacto da dor poderia ajudar a identificar pacientes em que esse componente merece ser investigado antes de concluir que a depress\u00e3o \u00e9 realmente resistente ao tratamento.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 especialmente relevante para o SUS, porque muitos pacientes com depress\u00e3o tamb\u00e9m convivem com condi\u00e7\u00f5es dolorosas cr\u00f4nicas, como lombalgia, osteoartrite, fibromialgia e neuropatias. Muitas vezes esses problemas s\u00e3o acompanhados em servi\u00e7os diferentes, embora o paciente seja o mesmo. Nosso argumento refor\u00e7a a import\u00e2ncia de integrar melhor sa\u00fade mental e cuidado da dor\u201d, pondera Nilson.<\/p>\n<p><strong>Segundo ele, h\u00e1 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o de efici\u00eancia. Antes de escalar para tratamentos progressivamente mais especializados e mais caros, faz sentido garantir que fatores cl\u00ednicos potencialmente modific\u00e1veis tenham sido avaliados de maneira sistem\u00e1tica.<\/strong> Isso n\u00e3o significa atrasar ou negar tratamentos eficazes para depress\u00e3o resistente. Significa aumentar a precis\u00e3o da classifica\u00e7\u00e3o para que o tratamento certo seja oferecido ao paciente certo.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com o pesquisador, no Brasil\u00a0isso poderia come\u00e7ar de maneira relativamente simples: incluir rastreio de dor na avalia\u00e7\u00e3o de pacientes cuja depress\u00e3o n\u00e3o responde ao tratamento, registrar essa informa\u00e7\u00e3o de forma padronizada e fortalecer a integra\u00e7\u00e3o entre aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, psiquiatria e cuidado da dor.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cEm resumo, a implica\u00e7\u00e3o para o SUS \u00e9 bastante concreta: antes de tornar o tratamento mais complexo, precisamos ter certeza de que a avalia\u00e7\u00e3o n\u00e3o deixou de medir algo importante e potencialmente trat\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Tamb\u00e9m assinam o artigo Brendon Stubbs do King\u2019s College London e Jessika Mendes (NeuroPsy).<\/strong><\/p>\n<p>      <!-- Relacionada --><\/p>\n<p>            <!-- Relacionada -->\n    <\/div>\n<p>, Ana Cristina Campos \u2013 Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2026-07\/dor-cronica-pode-influenciar-no-tratamento-da-depressao\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Fonte: Agencia Brasil <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo publicado na revista\u00a0Nature Mental Health\u00a0nesta ter\u00e7a-feira (28) argumenta que parte dos pacientes classificados com depress\u00e3o resistente ao tratamento pode n\u00e3o ter uma doen\u00e7a refrat\u00e1ria a rem\u00e9dio, mas sim uma dor cr\u00f4nica que nunca foi medida. A dor cr\u00f4nica \u00e9 comum em quem tem depress\u00e3o e reduz a resposta aos antidepressivos. Ainda assim, ela n\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":73385,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mbp_gutenberg_autopost":false,"footnotes":""},"categories":[58],"tags":[],"class_list":["post-73384","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/73384","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=73384"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/73384\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/73385"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=73384"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=73384"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=73384"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}