{"id":73085,"date":"2026-07-20T17:59:00","date_gmt":"2026-07-20T20:59:00","guid":{"rendered":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/?p=73085"},"modified":"2026-07-20T17:59:00","modified_gmt":"2026-07-20T20:59:00","slug":"tarifaco-deve-ter-efeito-limitado-na-balanca-comercial-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/?p=73085","title":{"rendered":"Tarifa\u00e7o deve ter efeito limitado na balan\u00e7a comercial brasileira"},"content":{"rendered":"<p>[<\/p>\n<div>\n<p><strong>O tarifa\u00e7o imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve provocar efeitos limitados sobre a balan\u00e7a comercial do Brasil. No entanto, setores da ind\u00fastria sentir\u00e3o o impacto, embora as medidas do governo Donald Trump afetem apenas 18% das exporta\u00e7\u00f5es nacionais para o mercado estadunidense.<\/strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/1784583954_642_ebc.png\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/1784583954_293_ebc.gif\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p>Segundo especialistas ouvidos pela <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, as \u00e1reas que sofrer\u00e3o mais com perdas de competitividade s\u00e3o segmentos que exportam bastante aos Estados Unidos e t\u00eam dificuldades para remanejar mercados. <strong>Entre os setores afetados, est\u00e3o m\u00e1quinas, a\u00e7o, alum\u00ednio, cal\u00e7ados e autom\u00f3veis.<\/strong><\/p>\n<p><strong>No primeiro semestre de 2026, segundo o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os (Mdic), o Brasil importou US$ 1,5 bilh\u00e3o do mercado estadunidense a mais do que exportou. <\/strong>O d\u00e9ficit do Brasil e super\u00e1vit para os Estados Unidos mant\u00e9m-se, apesar do encolhimento do com\u00e9rcio bilateral desde o ano passado.<\/p>\n<h2>Com\u00e9rcio recua<\/h2>\n<p>As trocas comerciais entre Brasil e Estados Unidos somaram US$ 36,4 bilh\u00f5es no primeiro semestre, queda de 12,8% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n<p><strong>As exporta\u00e7\u00f5es brasileiras recuaram 13%, para US$ 17,4 bilh\u00f5es, enquanto as importa\u00e7\u00f5es de produtos americanos ca\u00edram 12,5%, totalizando US$ 19 bilh\u00f5es. Com isso, o Brasil encerrou o per\u00edodo com d\u00e9ficit comercial de US$ 1,5 bilh\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Em junho, as exporta\u00e7\u00f5es cresceram 3,7%, alcan\u00e7ando US$ 3,47 bilh\u00f5es, mas o resultado foi sustentado pela alta de 11% nos pre\u00e7os m\u00e9dios. O volume embarcado caiu 6,6%.<\/p>\n<h2>Efeito concentrado<\/h2>\n<p>Pesquisadora associada do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas e professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Lia Valls afirma que <strong>o tarifa\u00e7o dificilmente alterar\u00e1 o desempenho agregado da balan\u00e7a comercial brasileira, j\u00e1 que os Estados Unidos respondem hoje por uma parcela menor das exporta\u00e7\u00f5es nacionais.<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;Alterar o saldo da balan\u00e7a, em termos macroecon\u00f4micos, \u00e9 pouco prov\u00e1vel. O nosso grande mercado realmente \u00e9 a \u00c1sia, principalmente a China. A participa\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es para os Estados Unidos caiu para cerca de 9,4%&#8221;, diz.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Segundo ela, <strong>os efeitos devem ser sentidos principalmente por empresas e setores industriais mais dependentes do mercado americano.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea pode ter efeitos mais microecon\u00f4micos sobre empresas, principalmente dos setores de m\u00e1quinas, equipamentos, madeira e cal\u00e7ados&#8221;, enumera.<\/p>\n<p><strong>O presidente executivo da Associa\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Exterior do Brasil (AEB), Jos\u00e9 Augusto de Castro, tamb\u00e9m descarta um efeito relevante sobre o super\u00e1vit comercial.<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cO super\u00e1vit comercial brasileiro \u00e9 derivado exclusivamente das <em>commodities<\/em> [bens prim\u00e1rios com cota\u00e7\u00e3o internacional]. O tarifa\u00e7o poupou justamente<em> commodities<\/em> com as quais o Brasil compete com os Estados Unidos, como soja, suco de laranja e carnes\u201d, explica.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Ind\u00fastria perde<\/h2>\n<p>Para Jos\u00e9 Augusto de Castro, <strong>o maior preju\u00edzo ser\u00e1 para a ind\u00fastria nacional, respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de bens de maior valor agregado.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s temos um super\u00e1vit comercial grande, mas um d\u00e9ficit comercial de manufaturados gigantesco. Esse d\u00e9ficit \u00e9 que preocupa, porque \u00e9 o setor manufatureiro que gera emprego no Brasil.&#8221;<\/p>\n<p>Castro afirma que as novas barreiras tendem a favorecer concorrentes internacionais.<\/p>\n<p>&#8220;Como a sobretaxa atingiu diretamente os produtos manufaturados, abre mercados para outros pa\u00edses que antes n\u00e3o exportavam esses produtos e agora passam a ocupar esse espa\u00e7o.&#8221;<\/p>\n<h2>Motiva\u00e7\u00f5es pol\u00edticas<\/h2>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Lia Valls,<strong> a escalada das tarifas deixou de seguir crit\u00e9rios econ\u00f4micos e passou a incorporar argumentos pol\u00edticos<\/strong>. Principalmente porque, diferentemente da maioria dos pa\u00edses, o Brasil tem d\u00e9ficit comercial com os Estados Unidos.<\/p>\n<p>&#8220;Quando ele [Trump] aumentou para 40%, os argumentos realmente eram muito mais de car\u00e1ter pol\u00edtico. N\u00e3o tinha muito argumento econ\u00f4mico nessa hist\u00f3ria&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Segundo a economista, temas como decis\u00f5es do Supremo Tribunal Federal (STF), a regulamenta\u00e7\u00e3o das plataformas digitais, o Pix e pol\u00edticas ambientais passaram a ser utilizados como justificativas para ampliar as san\u00e7\u00f5es comerciais.<\/p>\n<h2>Retalia\u00e7\u00e3o divide<\/h2>\n<p>O governo federal estuda recorrer \u00e0 <a rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/economia\/noticia\/2026-07\/entenda-lei-de-reciprocidade-que-o-brasil-pode-adotar-contra-os-eua\">Lei da Reciprocidade Econ\u00f4mica<\/a> para responder ao tarifa\u00e7o americano. <strong>Os especialistas, por\u00e9m, veem poucos benef\u00edcios em uma retalia\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Lia Valls avalia que o Brasil n\u00e3o disp\u00f5e de capacidade para impor perdas relevantes aos Estados Unidos.<\/p>\n<p>&#8220;O problema \u00e9 que a gente n\u00e3o tem capacidade de retalia\u00e7\u00e3o contra os Estados Unidos. Se voc\u00ea n\u00e3o consegue causar um dano efetivo ao outro, acaba revertendo contra voc\u00ea. O ganho seria pequeno. O caminho \u00e9 denunciar a medida e levar o caso \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio&#8221;, sugere.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Augusto de Castro tamb\u00e9m considera que uma resposta tarif\u00e1ria tende a ser ineficaz.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o acredito em retalia\u00e7\u00e3o. O com\u00e9rcio internacional \u00e9 feito de negocia\u00e7\u00f5es, n\u00e3o de retalia\u00e7\u00f5es. O Brasil n\u00e3o tem cacife para retaliar os Estados Unidos. Temos tudo a perder e nada a ganhar. Na teoria, a reciprocidade parece adequada, mas, na pr\u00e1tica, \u00e9 muito dif\u00edcil implement\u00e1-la&#8221;, adverte.<\/p>\n<h2>Produtos afetados<\/h2>\n<p>As tarifas foram impostas com base na Se\u00e7\u00e3o 301 da Lei de Com\u00e9rcio de 1974, instrumento utilizado pelos Estados Unidos para aplicar medidas comerciais unilaterais.<\/p>\n<p>Embora a al\u00edquota-padr\u00e3o seja 25%, em 24% dos produtos atingidos, chega a 50%. Isso porque o tarifa\u00e7o, nesses casos, somou-se a tarifas impostas anteriormente pelos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Entre os setores mais afetados est\u00e3o a\u00e7o, alum\u00ednio, autom\u00f3veis, m\u00e1quinas, equipamentos, cal\u00e7ados e produtos de madeira. J\u00e1 aeronaves, componentes aeroespaciais, petr\u00f3leo, soja, caf\u00e9, carne bovina e suco de laranja <a rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/economia\/noticia\/2026-07\/aeronaves-oleo-cafe-e-carne-estao-fora-do-tarifaco-imposto-pelos-eua\">ficaram de fora das sobretaxas<\/a>.<\/p>\n<p>      <!-- Relacionada --><\/p>\n<p>            <!-- Relacionada -->\n    <\/div>\n<p>, author]<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/economia\/noticia\/2026-07\/tarifaco-deve-ter-efeito-limitado-na-balanca-comercial-brasileira\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Fonte: Agencia Brasil <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[ O tarifa\u00e7o imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve provocar efeitos limitados sobre a balan\u00e7a comercial do Brasil. 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