{"id":69776,"date":"2026-05-19T18:47:00","date_gmt":"2026-05-19T21:47:00","guid":{"rendered":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/?p=69776"},"modified":"2026-05-19T18:47:00","modified_gmt":"2026-05-19T21:47:00","slug":"luta-antimanicomial-ufjf-e-ufmg-se-desculpam-por-cadaveres-em-aulas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/?p=69776","title":{"rendered":"Luta antimanicomial: UFJF e UFMG se desculpam por cad\u00e1veres em aulas"},"content":{"rendered":"<p> <\/p>\n<div>\n<p>Pelo menos duas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de ensino superior\u00a0se retrataram por terem menosprezado pessoas confinadas em hospitais psiqui\u00e1tricos, ao utilizar seus cad\u00e1veres\u00a0em cursos de sa\u00fade. A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) divulgou\u00a0nota relacionada ao assunto nesta segunda-feira (18), seguindo o exemplo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que se manifestou no m\u00eas passado.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1779229635_69_ebc.png\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1779229635_966_ebc.gif\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p>A UFJF inicia a <a rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www2.ufjf.br\/noticias\/2026\/05\/18\/carta-de-retratacao-publica-da-ufjf-pelo-uso-de-cadaveres-do-hospital-colonia\/\">carta aberta \u00e0 sociedade<\/a>\u00a0assumindo sua coniv\u00eancia &#8220;em dos momentos mais sens\u00edveis da hist\u00f3ria da sa\u00fade p\u00fablica do pa\u00eds&#8221;. O texto destaca\u00a0que a segrega\u00e7\u00e3o social feita em nome de uma suposta seguran\u00e7a coletiva resultou n\u00e3o apenas no isolamento dessas pessoas, mas em v\u00e1rios tipos de viol\u00eancias. Todo aquele que n\u00e3o se enquadrasse no padr\u00e3o era submetido &#8220;a condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de sobreviv\u00eancia e a pr\u00e1ticas punitivas&#8221;.<\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;A partir desse contexto, a chamada &#8216;loucura&#8217; passou a ser associada \u00e0 ideia de incapacidade e periculosidade, vinculada a uma identidade social deteriorada e desumanizada. Esse processo contribuiu para a consolida\u00e7\u00e3o de estigmas e pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias&#8221;, diz a nota, enumerando como alguns dos quesitos para hierarquizar as pessoas, no per\u00edodo, g\u00eanero, classe social, orienta\u00e7\u00e3o sexual e ra\u00e7a.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Conforme lembra a institui\u00e7\u00e3o, o desprezo por essas pessoas tomou conta do pa\u00eds todo e faz parte da hist\u00f3ria brasileira, &#8220;de modo incontorn\u00e1vel&#8221;. A universidade menciona, ainda, o Hospital Col\u00f4nia de Barbacena (foto), por sua marcante contribui\u00e7\u00e3o nesse cen\u00e1rio de marginaliza\u00e7\u00e3o e invisibiliza\u00e7\u00e3o dos pacientes.<\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;Estima-se que mais de 60 mil pessoas tenham morrido no local ao longo do s\u00e9culo XX, muitas delas classificadas como indigentes, conforme relatado no livro <em>Holocausto Brasileiro<\/em>, da jornalista Daniela Arbex. A obra tamb\u00e9m registra que 1.853 corpos de internos foram comercializados para institui\u00e7\u00f5es de ensino da \u00e1rea da sa\u00fade, para uso em aulas de anatomia&#8221;, pontua.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Desse total de corpos, o Instituto de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas (ICB) da UFJF, indicam os registros, recebeu, entre os anos de 1962 e\u00a01971, 169 deles, para serem estudados em aulas de anatomia humana. Como forma de repara\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, a institui\u00e7\u00e3o comprometeu-se a lan\u00e7ar e manter iniciativas como a\u00e7\u00f5es educativas sobre direitos humanos e sa\u00fade mental e buscar apoio para a cria\u00e7\u00e3o de um memorial. Tamb\u00e9m planeja organizar pesquisas documentais sobre conex\u00f5es entre a institui\u00e7\u00e3o e o Hospital de Barbacena.<\/p>\n<p>&#8220;Desde 2010, o Departamento de Anatomia do ICB iniciou a implementa\u00e7\u00e3o do Programa de Doa\u00e7\u00e3o Volunt\u00e1ria de Corpos \u2013 Sempre Vivo. Desde ent\u00e3o, todos os corpos recebidos pela institui\u00e7\u00e3o s\u00e3o provenientes exclusivamente de doa\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias, al\u00e9m de a\u00e7\u00f5es de conscientiza\u00e7\u00e3o e sensibiliza\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade e a todos alunos ingressantes dos cursos da sa\u00fade sobre a import\u00e2ncia da doa\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria de corpos em conformidade com as normas vigentes e com o respeito \u00e0 dignidade humana previsto em lei&#8221;, ressalta o comunicado.<\/p>\n<p>Com teor parecido, a UFMG, tamb\u00e9m pelos v\u00ednculos sombrios com o Hospital Col\u00f4nia de Barbacena, <a rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2026\/04\/Declaracao-UFMG.pdf\">formalizou pedido de desculpas<\/a>\u00a0por meio de declara\u00e7\u00e3o p\u00fablica. A universidade disse que o reconhecimento p\u00fablico de sua responsabilidade pelas atrocidades cometidas \u00e9 acompanhado de a\u00e7\u00f5es de mem\u00f3ria em conjunto com grupos da luta antimanicomial, restaura\u00e7\u00e3o do livro hist\u00f3rico de registro de cad\u00e1veres e inclus\u00e3o do tema em disciplinas de anatomia da Faculdade de Medicina.<\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;Ao falecerem, muitas dessas pessoas foram enterradas como indigentes ou tiveram seus corpos destinados a uma das 17 institui\u00e7\u00f5es de ensino m\u00e9dico para viabilizar aulas de anatomia&#8221;, assinala no informe.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&#8220;Desde 1999, a UFMG conta com um programa de doa\u00e7\u00e3o de corpos para estudo de anatomia, que funciona de forma volunt\u00e1ria e consentida e \u00e9 uma pr\u00e1tica legal e \u00e9tica, alinhada a padr\u00f5es internacionais.&#8221;<\/p>\n<h2>Loucura e cultura<\/h2>\n<p>H\u00e1 hoje uma imensidade de obras sobre o tema. Uma das mais famosas \u00e9 o conto <a rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/machadodeassis.net\/texto\/o-alienista\/27353\/chapter_id\/27354\"><em>O Alienista<\/em><\/a>, do escritor Machado de Assis, um dos principais autores negros do Brasil. No <em><a rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/museuimagensdoinconsciente.org.br\/\">site<\/a><\/em>\u00a0do Museu Imagens do Inconsciente, localizado no Rio de Janeiro, \u00e9 poss\u00edvel conhecer mais sobre o trabalho da psiquiatra Nise da Silveira, que revolucionou os tratamentos para transtornos mentais ao aliar cuidados humanizados e arte.<\/p>\n<p>      <!-- Relacionada --><\/p>\n<p>            <!-- Relacionada -->\n    <\/div>\n<p>, Letycia Treitero Kawada &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2026-05\/luta-antimanicomial-ufjf-e-ufmg-se-desculpam-por-cadaveres-em-aulas\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Fonte: Agencia Brasil <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo menos duas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de ensino superior\u00a0se retrataram por terem menosprezado pessoas confinadas em hospitais psiqui\u00e1tricos, ao utilizar seus cad\u00e1veres\u00a0em cursos de sa\u00fade. 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