{"id":6417,"date":"2022-06-10T16:40:00","date_gmt":"2022-06-10T19:40:00","guid":{"rendered":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/vacinacao-contra-febre-amarela-caiu-durante-a-pandemia\/"},"modified":"2022-06-10T16:40:00","modified_gmt":"2022-06-10T19:40:00","slug":"vacinacao-contra-febre-amarela-caiu-durante-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/?p=6417","title":{"rendered":"Vacina\u00e7\u00e3o contra febre amarela caiu durante a pandemia"},"content":{"rendered":"<p> <\/p>\n<div>\n<p>A cobertura vacinal contra a febre amarela, doen\u00e7a hemorr\u00e1gica com alta letalidade, caiu no pa\u00eds, revelou <a rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.rsp.fsp.usp.br\/artigo\/yellow-fever-vaccination-before-and-during-the-covid-19-pandemic-in-brazil\/?lang=en\">estudo<\/a> realizado por pesquisadores da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O levantamento mostrou que, desde o in\u00edcio da pandemia de covid-19, o n\u00famero de doses da vacina contra a febre amarela administradas diminuiu em quatro regi\u00f5es do Brasil. Os dados mostram que, na Regi\u00e3o Norte, foi registrada queda de 34,71%, na Centro-Oeste, 21,72%, na Sul, 63,50%, e na Sudeste, 34,42%.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/1654893006_128_ebc.png\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/1654893006_498_ebc.gif\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p>Professora do Departamento de Enfermagem Maternoinfantil e Sa\u00fade P\u00fablica e uma das autoras do artigo T\u00e9rcia Moreira Ribeiro da Silva disse que o levantamento \u00e9 um estudo ecol\u00f3gico [dados referem-se a grupos de pessoas e n\u00e3o a indiv\u00edduos], de s\u00e9rie temporal, baseado em dados do Programa Nacional de Imuniza\u00e7\u00f5es (PNI). \u201cO objetivo do trabalho foi analisar o n\u00famero de doses da vacina contra febre amarela aplicadas antes e durante a pandemia. Conclu\u00edmos que a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de doses da vacina pode favorecer o ressurgimento de casos de febre amarela urbana no pa\u00eds&#8221;.<\/p>\n<h2>Fatores e riscos<\/h2>\n<p>T\u00e9rcia Moreira explica que muitos fatores t\u00eam favorecido a redu\u00e7\u00e3o da cobertura vacinal, como a implanta\u00e7\u00e3o do novo sistema de informa\u00e7\u00e3o sobre imuniza\u00e7\u00e3o (SI-PNI), fatores sociais e culturais que afetam a aceita\u00e7\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o e a disponibilidade inconstante de imunobiol\u00f3gicos nos servi\u00e7os de aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, a cobertura vacinal no Brasil n\u00e3o \u00e9 homog\u00eanea. Investigar e monitorar zonas de baixa cobertura vacinal \u00e9 um eixo estrat\u00e9gico de boas pr\u00e1ticas de gest\u00e3o destinadas aos programas de imuniza\u00e7\u00e3o e preconizadas pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS)\u201d, observa.<\/p>\n<p>O risco da queda da vacina\u00e7\u00e3o contra a febre amarela, alerta a professora, \u00e9 o surgimento de nova onda da doen\u00e7a no Brasil. \u201cA incid\u00eancia em cidades de grande porte pode favorecer o ressurgimento da febre amarela urbana. Os resultados desse estudo podem orientar estrat\u00e9gias e pol\u00edticas de sa\u00fade focadas em zonas geogr\u00e1ficas priorit\u00e1rias que mostraram diminui\u00e7\u00e3o da taxa de doses de vacina contra febre amarela aplicadas ao longo do tempo\u201d, concluiu.<\/p>\n<h2>A doen\u00e7a<\/h2>\n<p>A febre amarela \u00e9 uma doen\u00e7a hemorr\u00e1gica causada por um v\u00edrus do g\u00eanero flaviv\u00edrus, que se destaca entre as doen\u00e7as infecciosas que podem ser evitadas por meio de vacinas, dispon\u00edvel gratuitamente pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) para pessoas acima de seis meses.\u00a0 A doen\u00e7a \u00e9 comum em 47 pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia renda nos continentes africano e sul-americano. Com n\u00edveis variados de gravidade e letalidade, a febre amarela \u00e9 respons\u00e1vel por ao menos 60 mil mortes por ano. Segundo estimativas, no per\u00edodo de 2000 a 2021, a doen\u00e7a apresentou taxa de letalidade de 47,8%, considerada elevada.<\/p>\n<h2>Queda nas outras imuniza\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=291225:cheio_8colunas --><\/p>\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\">\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/loading_v2.gif\" data-echo=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/tabela_imunizacao.jpg\" alt=\"tabela vacina\u00e7\u00e3o\" title=\"Fonte: Datasus\/Reprodu\u00e7\u00e3o\" class=\"flex-fill img-cover\"\/><br \/>\n        <noscript><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/tabela_imunizacao.jpg\" alt=\"tabela vacina\u00e7\u00e3o\" title=\"Fonte: Datasus\/Reprodu\u00e7\u00e3o\" class=\"flex-fill img-cover\"\/><\/noscript>\n    <\/div>\n<p><!-- END scald=291225 --><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<p><!--copyright=291225-->Tabela vacina\u00e7\u00e3o &#8211; <strong>Fonte: Datasus\/Reprodu\u00e7\u00e3o<\/strong><!--END copyright=291225--><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a cobertura vacinal contra a febre amarela que sofreu queda. Segundo levantamento disponibilizado pelo DATASUS, essa realidade se estende \u00e0s demais vacinas. Para a maioria dos imunizantes disponibilizadas, a cobertura deveria ser maior que 95%.<\/p>\n<p>A diretora da Sociedade Brasileira de Imuniza\u00e7\u00f5es (SBIm), M\u00f4nica Levi, acredita que a causa da queda de cobertura vacinal de febre amarela \u00e9 a mesma que leva a cobertura baixa como um todo.<\/p>\n<p>\u201cA primeira e muito importante causa \u00e9 a falta de percep\u00e7\u00e3o do risco. Ficou essa noticia sobre a febre amarela bombando l\u00e1 atr\u00e1s, em 2017 fez filas enormes para a vacina\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma doen\u00e7a que caiu no esquecimento porque n\u00e3o bate n\u00famero significativo dos casos e n\u00e3o \u00e9 mat\u00e9ria da m\u00eddia. Mas, a hora de vacinar \u00e9 quando as coisas est\u00e3o calmas. O povo tem que ser chamado, o Programa Nacional de Imuniza\u00e7\u00e3o tem que ter uma comunica\u00e7\u00e3o efetiva porque a febre amarela vai aumentar, \u00e9 uma doen\u00e7a c\u00edclica, como outras\u201d.<\/p>\n<p>Ela cita as doen\u00e7as como a dengue e a meningite. \u201cS\u00e3o doen\u00e7as que tem fases que abaixam a incid\u00eancia, depois tem picos novamente, assim como a dengue, a meningite, anos que s\u00e3o piores, anos que s\u00e3o melhores. Mas, \u00e9 uma doen\u00e7a que existe direto. E todo mundo tem que ter uma dose de vacina e menores de cinco anos duas doses [da febre amarela]. \u00c9 no momento que n\u00e3o est\u00e1 tendo um surto de febre amarela no pa\u00eds que \u00e9 hora de vacinar todos os brasileiros. Para n\u00e3o ter que fazer o que aconteceu, em 2017, tivemos que fazer uma dose valer por cinco, porque de uma hora para outra n\u00e3o tinha quantitativo para vacinar todos os brasileiros\u201d.<\/p>\n<h2>Vacina\u00e7\u00e3o em dia<\/h2>\n<p>A diretora da SBIm refor\u00e7a a import\u00e2ncia de vacinar antes do surto aparecer. \u201cA falta de percep\u00e7\u00e3o do risco \u00e9 o problema muito grave da nossa cultura. [A pessoa] est\u00e1 escutando sobre a doen\u00e7a, est\u00e1 com medo e vai vacinar, n\u00e3o est\u00e1 com medo, n\u00e3o vai. Com a gripe \u00e9 assim, esse ano temos 44% de cobertura vacinal, por exemplo, porque nos \u00faltimos dois anos, com a covid-19, a gente teve pouca gripe, n\u00f3s n\u00e3o tivemos nenhum H1N1 com muitos casos ou sofrimento em outros pa\u00edses e tivesse refletido aqui no Brasil. J\u00e1 vimos filas gigantescas contra a gripe e agora campanhas que s\u00e3o estendidas [por baixa cobertura vacinal]\u00a0 como \u00e9 o caso desse ano\u201d.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o de todas as vacinas pode ocasionar o surto de doen\u00e7as para as quais existem vacinas dispon\u00edveis gratuitamente pelo SUS. \u201cN\u00e3o \u00e9 hipot\u00e9tico, o surto de sarampo \u00e9 um exemplo real. Desde 2018 tivemos entrada de novo do v\u00edrus do sarampo que chegou pela Regi\u00e3o Norte e rapidamente cruzou os estados e at\u00e9 o momento a gente continua tendo circula\u00e7\u00e3o. As campanhas n\u00e3o est\u00e3o sendo efetivas, n\u00e3o estamos conseguindo controlar um surto que come\u00e7ou em 2018. E de outras doen\u00e7as que j\u00e1 estavam eliminadas, como rub\u00e9ola, s\u00edndrome da rub\u00e9ola cong\u00eanita, difteria, todas essas doen\u00e7as est\u00e3o correndo o risco de voltarem a fazer parte dos nossos fantasmas\u201d, lamenta M\u00f4nica.<\/p>\n<p>A diretora da SBIm finaliza com um alerta: \u201ca febre amarela n\u00e3o tem aquela quest\u00e3o da imunidade coletiva, depende da picada de um mosquito, ent\u00e3o \u00e9 realmente uma vacina que existe para toda a popula\u00e7\u00e3o brasileira e vai proteger o indiv\u00edduo que \u00e9 vacinado. \u00c9 a \u00fanica forma de prote\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p>, Ludmilla Souza &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2022-06\/vacinacao-contra-febre-amarela-caiu-durante-pandemia\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Fonte: Agencia Brasil <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cobertura vacinal contra a febre amarela, doen\u00e7a hemorr\u00e1gica com alta letalidade, caiu no pa\u00eds, revelou estudo realizado por pesquisadores da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). 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