{"id":55496,"date":"2025-08-06T19:18:00","date_gmt":"2025-08-06T22:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/com-tarifaco-desafio-de-exportadores-e-encontrar-novos-mercados\/"},"modified":"2025-08-06T19:18:00","modified_gmt":"2025-08-06T22:18:00","slug":"com-tarifaco-desafio-de-exportadores-e-encontrar-novos-mercados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/?p=55496","title":{"rendered":"Com tarifa\u00e7o, desafio de exportadores \u00e9 encontrar novos mercados"},"content":{"rendered":"<p>[<\/p>\n<div>\n<p><strong>O impacto do <a rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/economia\/noticia\/2025-08\/tarifaco-sobre-parte-das-exportacoes-brasileiras-entra-em-vigor-hoje\">aumento das tarifas<\/a> de importa\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos a partir de desta quarta-feira\u00a0(6) ainda come\u00e7a a se desenhar e causa incerteza para trabalhadores e empres\u00e1rios que atuam com os mais de tr\u00eas mil itens que ser\u00e3o sobretaxados.<\/strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1754531834_727_ebc.png\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1754531834_114_ebc.gif\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p>Enquanto estrat\u00e9gias imediatas como gest\u00e3o de estoques, embarques em tempo acelerado ou diminui\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o desenham as primeiras rea\u00e7\u00f5es, um caminho em vista \u00e9\u00a0pensar novos destinos para a produ\u00e7\u00e3o.<strong> A busca por mercados exportadores, por\u00e9m, n\u00e3o tem resultados imediatos e exige prepara\u00e7\u00f5es espec\u00edficas.<\/strong><\/p>\n<p>Este p\u00e9riplo das empresas para novos destinos tem todo um ecossistema p\u00fablico-privado de apoio, com minist\u00e9rios como o do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os (MDIC), o da Agricultura e Pecu\u00e1ria (MAPA), a Ag\u00eancia Brasileira de Promo\u00e7\u00e3o de Exporta\u00e7\u00f5es e Investimentos (ApexBrasil), o SEBRAE, as associa\u00e7\u00f5es comerciais e entidades de promo\u00e7\u00e3o de com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Em coletiva na manh\u00e3 de hoje, Jorge Viana, presidente da APEX, falou deste papel conjunto. A ag\u00eancia j\u00e1 apoia 2,6 mil\u00a0das 9 mil\u00a0empresas nacionais que exportam para os Estados Unidos. Para ele, vai\u00a0haver mudan\u00e7as, &#8220;isso n\u00e3o tem volta&#8221;, com as novas\u00a0estrat\u00e9gias das empresas.<\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;Setores como o de produtores de mel precisar\u00e3o receber apoio urgente pois o \u00fanico destino de exporta\u00e7\u00e3o destes pequenos agricultores hoje s\u00e3o os Estados Unidos. Vamos inclu\u00ed-los em todas as pol\u00edticas de apoio&#8221;, explicou Viana durante a coletiva.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>De acordo com Viana, este apoio deve ser anunciado em breve, diretamente pela presid\u00eancia da Rep\u00fablica. A expectativa \u00e9 de que tenha elementos semelhantes \u00e0queles do apoio emergencial \u00e0s empresas atingidas pelas enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024.<\/p>\n<p><strong>A Apex tamb\u00e9m abrir\u00e1 um escrit\u00f3rio\u00a0em Washington\u00a0para negociar diretamente com o governo americano. Essa negocia\u00e7\u00e3o se soma ao di\u00e1logo dos servi\u00e7os consulares, que j\u00e1 atuam em nome do Brasil, e \u00e0 press\u00e3o direta das empresas locais.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Essa tarifa de 50% n\u00e3o tem nenhuma motiva\u00e7\u00e3o comercial, ela vem da atua\u00e7\u00e3o de grupos pol\u00edticos. O que espero que aconte\u00e7a \u00e9 que, com a entrada das tarifas, essa taxa\u00e7\u00e3o se materializa e afete\u00a0o consumidor l\u00e1. Ai \u00e9 que entra a Apex no trabalho de criar novas alternativas de mercados, para as empresas e produtos brasileiros que tenham os Estados Unidos como mercado&#8221;, disse Viana, para quem a forte integra\u00e7\u00e3o entre cadeias produtivas deve contar a favor nas negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A Apex deve ampliar sua atua\u00e7\u00e3o na diversifica\u00e7\u00e3o de fornecedores. &#8220;Os setores ir\u00e3o nos ajudar com o conhecimento que t\u00eam. O mundo inteiro est\u00e1 fazendo isso, percebendo a instabilidade com essas medidas&#8221;, completou.<\/p>\n<p><strong>Dados da ApexBrasil mostram que, entre janeiro e mar\u00e7o deste ano, o Brasil exportou US$ 77,3 bilh\u00f5es em bens, valor menor que os US$ 77,7 bilh\u00f5es do mesmo per\u00edodo de 2024.<\/strong> <strong>O saldo comercial fechou positivamente em US$ 10 bilh\u00f5es.<\/strong> Os principais produtos exportados foram petr\u00f3leo bruto, soja, min\u00e9rio de ferro e caf\u00e9 verde, com destaque para as exporta\u00e7\u00f5es de bens industrializados, que tiveram alta no per\u00edodo, inclusive em itens como m\u00e1quinas e aparelhos el\u00e9tricos.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos principais pa\u00edses de destino das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras, destacam-se China (US$ 19,8 bilh\u00f5es), Uni\u00e3o Europeia (US$ 11,1 bilh\u00f5es), Estados Unidos (US$ 9,7 bilh\u00f5es) e Mercosul (US$ 5,8 bilh\u00f5es), com destaque para a Argentina, com um aumento de 51%.<\/p>\n<h2>Diplomacia<\/h2>\n<p>O caminho diplom\u00e1tico para reduzir as taxas aplicadas pelos Estados Unidos\u00a0ainda se mostra como uma op\u00e7\u00e3o, conforme divulga o governo brasileiro. O recuo do governo Trump <a rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/internacional\/noticia\/2025-07\/confira-lista-de-quase-700-produtos-que-nao-serao-taxados-pelos-eua\">ao isentar uma lista de 700 produtos<\/a>, na semana passada, mostra que tamb\u00e9m h\u00e1 alguma abertura da parte do pa\u00eds norte-americano.<\/p>\n<p>&#8220;A flexibiliza\u00e7\u00e3o das tarifas \u00e9 um passo positivo, e o Brasil deve aproveitar essa oportunidade para diversificar suas exporta\u00e7\u00f5es e reduzir sua depend\u00eancia do mercado americano. Com uma abordagem estrat\u00e9gica e diplom\u00e1tica, o Brasil pode minimizar os impactos negativos das tarifas e fortalecer sua posi\u00e7\u00e3o no com\u00e9rcio internacional. Nesse contexto, \u00e9 importante destacar que o di\u00e1logo e as negocia\u00e7\u00f5es tornam-se as melhores op\u00e7\u00f5es para evitar uma escalada de tens\u00f5es comerciais entre os dois pa\u00edses&#8221;, explicou o advogado Raphael Jad\u00e3o, s\u00f3cio do RMM Advogados, que atua com arbitragem e resolu\u00e7\u00e3o de disputas comerciais.<\/p>\n<p><strong>Outro elemento importante nesta crise est\u00e1 na concentra\u00e7\u00e3o das parcerias brasileiras. Alguns analistas consideram que as exporta\u00e7\u00f5es do Brasil t\u00eam alto \u00edndice de concentra\u00e7\u00e3o. 50%\u00a0s\u00e3o concentradas em cinco pa\u00edses (China, EUA, Argentina, Holanda e Espanha), entre 237 parceiros comerciais. 12% somente para os Estados Unidos.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Isso nos traz um sinal de alerta e de preocupa\u00e7\u00e3o. Pois como tivemos um desafio com os EUA neste momento, podemos ter daqui a pouco com a China, que representa quase um quarto de tudo que o pa\u00eds envia para o exterior. E n\u00e3o se acha um comprador para substituir outro t\u00e3o rapidamente. Ent\u00e3o, aquelas empresas, por exemplo, que exportam carne bovina para os Estados Unidos, que \u00e9 um dos produtos que o Trump n\u00e3o colocou na lista de exce\u00e7\u00f5es e que vai passar a ter a taxa\u00e7\u00e3o de 40% a mais. J\u00e1 tinha a de 10% de abril, mais 40%, ou seja, 50% a mais do que o ano passado. A partir da pr\u00f3xima semana, essa empresa que exporta carne para l\u00e1 n\u00e3o vai encontrar t\u00e3o cedo um mercado para comprar a carne que ele n\u00e3o vai mais vender para o americano da noite para o dia. A gente tem uma depend\u00eancia que traz risco, sim, para a nossa pauta de exporta\u00e7\u00e3o&#8221;, ponderou Bruno Meurer, co-fundador e diretor de opera\u00e7\u00e3o da Next Shipping, empresa do ramo de log\u00edstica.<\/p>\n<h2>Mercados alternativos<\/h2>\n<p><strong>A busca por novos mercados envolve elementos culturais, parcerias comerciais e atendimento a medidas de burocracia fitossanit\u00e1ria e de comprova\u00e7\u00e3o de origem.<\/strong><\/p>\n<p>Este processo envolve um passo a passo com algumas varia\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a cada pa\u00eds e mercadoria. Segundo Meurer, de uma forma resumida, ap\u00f3s finalizar a negocia\u00e7\u00e3o o exportador ir\u00e1 produzir a mercadoria. Com ela pronta ir\u00e1 emitir uma documenta\u00e7\u00e3o internacional, que \u00e9 a fatura comercial e o packing list, que s\u00e3o os documentos comerciais da carga,\u00a0apresentados para o importador. Este ir\u00e1 contratar o frete internacional e ent\u00e3o a mercadoria passa \u00e0 alf\u00e2ndega, onde passar\u00e1 pelo processo de fiscaliza\u00e7\u00e3o aduaneira, passar pelo registro no Sistema Integrado de Com\u00e9rcio Exterior e pode passar pela fiscaliza\u00e7\u00e3o presencial, que \u00e9 feita em parte das cargas. Recolhidas taxas e feitas as fiscaliza\u00e7\u00f5es na aduana, a mercadoria segue para o exterior.<\/p>\n<p>&#8220;O tempo que se leva depende do tipo de produto que est\u00e1 sendo exportado, os que precisam de anu\u00eancia de \u00f3rg\u00e3os espec\u00edficos, como por exemplo medicamentos, demoram mais, j\u00e1 roupas, como n\u00e3o existe um \u00f3rg\u00e3o espec\u00edfico de fiscaliza\u00e7\u00e3o o tempo \u00e9 mais c\u00e9lere&#8221;, resume Meurer.<\/p>\n<p><strong>Condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas dos mercados, como preocupa\u00e7\u00e3o com certifica\u00e7\u00f5es ambientais ou culturais, tamb\u00e9m podem significar oportunidades. O Brasil \u00e9 um dos grandes exportadores de aves para pa\u00edses mu\u00e7ulmanos, por exemplo, por conta de uma adapta\u00e7\u00e3o de mais de uma d\u00e9cada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o segundo a certifica\u00e7\u00e3o Halal, que envolve abate com caracter\u00edsticas diferentes e respeitando preceitos daquela religi\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Por exemplo, o Brasil mant\u00e9m boas rela\u00e7\u00f5es comerciais com pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio, como Ar\u00e1bia Saudita e Dubai. No entanto, as exporta\u00e7\u00f5es para essas regi\u00f5es frequentemente demandam certifica\u00e7\u00e3o Halal, rotulagem no idioma local, embalagens espec\u00edficas e, em alguns casos, adapta\u00e7\u00f5es no produto, como cortes de carne diferenciados. Essa customiza\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para o sucesso nesses mercados. Outros produtos, com maior capacidade de adapta\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m requerem aten\u00e7\u00e3o similar na negocia\u00e7\u00e3o de contratos. Ao analisar o mercado de pescados, por exemplo, \u00e9 crucial considerar a demanda global, os tipos de pescado dispon\u00edveis no Brasil e seus respectivos n\u00edveis de consumo mundial. Atualmente, os Estados Unidos s\u00e3o um importante mercado para as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de pescado. Nesse contexto, o setor de pescados pode explorar oportunidades na Am\u00e9rica do Sul e, potencialmente, em novos mercados na Europa. Contudo, a penetra\u00e7\u00e3o no mercado asi\u00e1tico pode apresentar desafios&#8221;, explicou Stef\u00e2nia Ladeira, especialista em com\u00e9rcio exterior e gerente de produtos da Saygo Comex, empresa especializada em log\u00edstica de exporta\u00e7\u00e3o para o mercado exterior.<\/p>\n<p>A especialista\u00a0aponta que a adapta\u00e7\u00e3o tem prazos e pormenores bastante vari\u00e1veis, considerando elementos como a produ\u00e7\u00e3o mundial e a capacidade de atender \u00e0 demanda internacional e percebendo lacunas de produ\u00e7\u00e3o, seja para produtos finais ou para insumos. &#8220;A identifica\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o das din\u00e2micas de oferta e demanda s\u00e3o cruciais para o estabelecimento de novos contratos&#8221;, disse \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n<p>Os acordos internacionais de com\u00e9rcio tamb\u00e9m s\u00e3o cruciais para entender estas oportunidades. Os anos recentes foram de aumento dos acordos de complementa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, inclusive com parceiros antigos como a China e o Jap\u00e3o, al\u00e9m de pa\u00edses da \u00c1frica, Oceania, Am\u00e9rica Central e Caribe. &#8220;Nestes pa\u00edses h\u00e1 redu\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria m\u00fatua, por\u00e9m cada pa\u00eds tem sua caracter\u00edstica operacional e defini\u00e7\u00e3o legal de como os produtos precisam ser registrados para importa\u00e7\u00e3o, salvo a Uni\u00e3o Europeia que \u00e9 uma uni\u00e3o aduaneira e todos os pa\u00edses seguem o mesmo procedimento para importa\u00e7\u00e3o\u00a0e\u00a0exporta\u00e7\u00e3o&#8221;, explica o advogado Diego Joaquim, especialista em direito aduaneiro.<\/p>\n<p>      <!-- Relacionada --><\/p>\n<p>            <!-- Relacionada -->\n    <\/div>\n<p>, author]<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/economia\/noticia\/2025-08\/com-tarifaco-desafio-de-exportadores-e-encontrar-novos-mercados\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Fonte: Agencia Brasil <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[ O impacto do aumento das tarifas de importa\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos a partir de desta quarta-feira\u00a0(6) ainda come\u00e7a a se desenhar e causa incerteza para trabalhadores e empres\u00e1rios que atuam com os mais de tr\u00eas mil itens que ser\u00e3o sobretaxados. 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