{"id":5363,"date":"2022-05-28T07:34:00","date_gmt":"2022-05-28T10:34:00","guid":{"rendered":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/2022\/05\/28\/brasil-teve-em-2021-107-mortes-de-maes-a-cada-100-mil-nascimentos\/"},"modified":"2022-05-28T07:34:00","modified_gmt":"2022-05-28T10:34:00","slug":"brasil-teve-em-2021-107-mortes-de-maes-a-cada-100-mil-nascimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/?p=5363","title":{"rendered":"Brasil teve, em 2021, 107 mortes de m\u00e3es a cada 100 mil nascimentos"},"content":{"rendered":"<p>Alana Gandra &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil, <\/p>\n<div>\n<p>No Dia Internacional de Luta pela Sa\u00fade da Mulher e Dia Nacional de Redu\u00e7\u00e3o da Mortalidade Materna, comemorados neste s\u00e1bado (28), o vice-presidente da Comiss\u00e3o Nacional Especializada em Mortalidade Materna da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira das Associa\u00e7\u00f5es de Ginecologia e Obstetr\u00edcia (Febrasgo), Rodolfo de Carvalho Pacagnella, assegura que as mortes maternas podem ser evitadas.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1653871538_94_ebc.png\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1653871538_101_ebc.gif\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p>De acordo com o Painel de Monitoramento da Mortalidade Materna, o Brasil teve, em 2021, m\u00e9dia de 107 mortes a cada 100 mil nascimentos. A taxa de mortalidade materna se refere ao n\u00famero de mulheres que morrem durante a gravidez ou nos 42 dias seguintes ao parto devido a causas relacionadas \u00e0 gravidez ou por ela agravada a cada 100 mil nascidos vivos em um determinado ano, em um pa\u00eds. A morte \u00e9 causada por qualquer fator relacionado ou agravado pela gravidez ou por medidas tomadas em rela\u00e7\u00e3o a esse per\u00edodo.<\/p>\n<p>O Brasil apresenta n\u00fameros bem distantes dos fixados pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). At\u00e9 2015, a meta era atingir menos de 35 mortes por 100 mil nascimentos e o Brasil estava na faixa de 70 a 75 \u00f3bitos maternos por 100 mil nascidos vivos. Com os Objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), a ONU indicou, at\u00e9 2030, reduzir a taxa de mortalidade materna global para menos de 70 mortes por 100 mil nascidos vivos.\u00a0<\/p>\n<p>\u00c0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, Rodolfo Pacagnella explicou que, desde 2014, os n\u00fameros n\u00e3o apresentam queda significativa no Brasil. J\u00e1 os pa\u00edses de alta renda, de maneira geral, t\u00eam uma raz\u00e3o de mortalidade materna que varia entre 10 e 20 mortes por 100 mil nascimentos. A maior parte dessas ocorr\u00eancias \u00e9 de causas indiretas, que n\u00e3o s\u00e3o evit\u00e1veis ao longo da gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Causas<\/h2>\n<p>Segundo Pacagnella, a grande parte das mortes maternas poderia ser evitada. A grande quest\u00e3o, disse, n\u00e3o \u00e9 o n\u00famero de mortes maternas, mas o por que elas acontecem e a consequ\u00eancia que elas trazem. \u201cA grande quest\u00e3o \u00e9 que ela [morte] acontece, em geral, por causas evit\u00e1veis. S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es que poderiam ter sido identificadas ao longo do cuidado dessa gestante, durante o pr\u00e9-natal e, especialmente, nos momentos pr\u00f3ximos ao nascimento. E essas condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram identificadas e n\u00e3o foram tratadas de forma oportuna\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>E essa demora em reconhecer a situa\u00e7\u00e3o de gravidade e em tratar essa condi\u00e7\u00e3o levam, em consequ\u00eancia, ao \u00f3bito materno, disse.<\/p>\n<p>De acordo com o vice-presidente da Comiss\u00e3o da Febrasgo, a consequ\u00eancia da mortalidade materna \u00e9 nefasta, porque a mulher sempre foi, mas hoje tem um papel reconhecido, como indiv\u00edduo central na organiza\u00e7\u00e3o social, emocional e financeira da fam\u00edlia. A morte de uma mulher no momento do parto ou puerp\u00e9rio leva a uma desestrutura\u00e7\u00e3o de tudo que a envolve, apontou o m\u00e9dico.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cFrequentemente h\u00e1 uma desorganiza\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, desorganiza\u00e7\u00e3o do cuidado dos filhos, perpetua\u00e7\u00e3o de pobreza, uma s\u00e9rie de quest\u00f5es que v\u00eam em fun\u00e7\u00e3o de que ela \u00e9 figura fundamental na organiza\u00e7\u00e3o daquela comunidade, n\u00e3o s\u00f3 da fam\u00edlia, mas da comunidade como um todo\u201d.<\/p>\n<p>No Brasil, a principal causa de morte materna \u00e9 a hipertens\u00e3o. Em segundo lugar, aparece a hemorragia, seguida de aborto inseguro e infec\u00e7\u00e3o puerperal. Depois, v\u00eam as causas indiretas, associadas a condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas j\u00e1 existentes, ou agravadas na gesta\u00e7\u00e3o, como doen\u00e7as card\u00edacas, renais, c\u00e2nceres, entre outras.<\/p>\n<h2>Covid<\/h2>\n<p>As principais causas s\u00e3o evit\u00e1veis, reiterou Rodoldo Pacagnella. Hoje, sabe-se como fazer o diagn\u00f3stico e como identificar uma mulher que tem risco de desenvolver uma hipertens\u00e3o na gravidez, chamada pr\u00e9-ecl\u00e2mpsia, e tratar essa condi\u00e7\u00e3o, evitando que a mulher morra. O mesmo ocorre em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 hemorragia e, ainda, \u00e0s condi\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 sepse, que \u00e9 uma infec\u00e7\u00e3o generalizada. Essa quest\u00e3o ganhou relev\u00e2ncia durante a pandemia do novo coronav\u00edrus, segundo o especialista, porque houve um aumento de mortes maternas por doen\u00e7as respirat\u00f3rias, como consequ\u00eancia de um olhar pouco atento para a gestante, que \u00e9 uma popula\u00e7\u00e3o de risco para a gravidade dessas doen\u00e7as, principalmente as virais, associadas ao coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>Dados preliminares indicam que o n\u00famero de mortes maternas por SARS Cov 2 aumentou de 1.500, que vinha sendo registrado nos \u00faltimos 6 anos, para 2,2 mil, em 2021. \u201cE esse excesso de mortalidade foi decorrente, especialmente, das condi\u00e7\u00f5es associadas \u00e0 s\u00edndrome respirat\u00f3ria aguda grave\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>O excesso de lota\u00e7\u00e3o em hospitais levou tamb\u00e9m a um aumento de mortalidade materna por outras causas, porque esgotou a capacidade de assist\u00eancia. \u201cE a mortalidade materna est\u00e1 muito centrada no per\u00edodo pr\u00f3ximo ao parto, em que as mulheres precisam de assist\u00eancia hospitalar para reconhecer essas condi\u00e7\u00f5es\u201d, disse o especialista.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico apontou que a morte materna acontece porque n\u00e3o se tem uma vis\u00e3o objetiva para as necessidades de sa\u00fade da mulher. O fato de a mulher ter uma condi\u00e7\u00e3o de maior risco de morrer pela gravidez \u00e9 um fator biol\u00f3gico. Mas a morte dessas mulheres por causa desses outros fatores \u00e9 uma quest\u00e3o social, alertou. \u201cDiz respeito a como a gente olha essas necessidades e d\u00e1 aten\u00e7\u00e3o a elas. N\u00e3o \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica intr\u00ednseca, mas a falta de acesso adequado aos servi\u00e7os de sa\u00fade em um momento que a mulher precisa mais\u201d.<\/p>\n<h2>Rede de assist\u00eancia<\/h2>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o da mortalidade materna passa, em primeiro lugar, pela necessidade que haja um entendimento social da import\u00e2ncia da mulher no contexto da forma\u00e7\u00e3o social do pa\u00eds, disse Pacagnella. \u201cComo figura central da constitui\u00e7\u00e3o da sociedade, a mulher deveria ter respeito maior. Isso quer dizer ter pol\u00edticas p\u00fablicas que assegurem acesso e assist\u00eancia com qualidade aos servi\u00e7os de sa\u00fade materno-infantil. Isso envolve facilidade de acesso a pol\u00edticas de sa\u00fade de qualidade, aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, at\u00e9 os servi\u00e7os de emerg\u00eancia\u201d, defendeu.<\/p>\n<p>De acordo com Pacagnella, esses pontos j\u00e1 come\u00e7aram a ser abordados em algumas pol\u00edticas, embora de maneira perif\u00e9rica. Para reduzir, de fato, a mortalidade materna, o Brasil tem que construir uma rede de assist\u00eancia que seja capaz de reconhecer as situa\u00e7\u00f5es de gravidade, com profissionais treinados e especialistas em ginecologia e obstetr\u00edcia, disse o especialista.\u00a0<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso uma rede de sa\u00fade estruturada e muito organizada\u201d, recomendou. \u201cO treinamento dos profissionais \u00e9 uma parte importante desse processo, mas a constitui\u00e7\u00e3o de um sistema de atendimento \u00e9 fundamental, com defini\u00e7\u00e3o de prioridade pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS)\u201d.<\/p>\n<p>A Febrasgo est\u00e1 envolvida em uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es de treinamento de profissionais sobre a import\u00e2ncia da mulher na constitui\u00e7\u00e3o da sociedade e, tamb\u00e9m, em a\u00e7\u00f5es de implementa\u00e7\u00e3o de processos de melhoria cl\u00ednica e de gest\u00e3o, de tratamento de quest\u00f5es associadas \u00e0 gravidade, em parceria com outras institui\u00e7\u00f5es, at\u00e9 que haja a cria\u00e7\u00e3o de uma percep\u00e7\u00e3o nacional sobre a import\u00e2ncia desse tema.<\/p>\n<p>A Febrasgo considera o dia 28 como um ponto de refer\u00eancia para falar da import\u00e2ncia de se olhar para a condi\u00e7\u00e3o da mulher na sociedade. \u201cEm especial nesse momento em que a gente percebe que h\u00e1 um excesso de mortalidade, em fun\u00e7\u00e3o de uma doen\u00e7a que poderia ter sido manejada de outra maneira e cujo \u00f3bito poderia ter sido evitado se tivesse uma a\u00e7\u00e3o mais atenta, com um bom direcionamento de a\u00e7\u00f5es para as necessidades da mulher no momento do parto\u201d, disse Pacagnella.\u00a0<\/p>\n<p>Rodolfo Pacagnella alerta que a sociedade precisa olhar para a condi\u00e7\u00e3o da mulher. \u201cEstamos fazendo pouco. As mortes que ocorreram nos \u00faltimos anos foram em fun\u00e7\u00e3o da falta de uma organiza\u00e7\u00e3o adequada para a gest\u00e3o do risco que a mulher tem nessas condi\u00e7\u00f5es. \u00c9 importante a gente mostrar isso e lutar para que n\u00e3o volte a acontecer\u201d, concluiu.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2022-05\/brasil-teve-em-2021-media-de-107-mortes-cada-100-mil-nascimentos\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Fonte: Agencia Brasil <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alana Gandra &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil, No Dia Internacional de Luta pela Sa\u00fade da Mulher e Dia Nacional de Redu\u00e7\u00e3o da Mortalidade Materna, comemorados neste s\u00e1bado (28), o vice-presidente da Comiss\u00e3o Nacional Especializada em Mortalidade Materna da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira das Associa\u00e7\u00f5es de Ginecologia e Obstetr\u00edcia (Febrasgo), Rodolfo de Carvalho Pacagnella, assegura que as mortes [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5364,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mbp_gutenberg_autopost":false,"footnotes":""},"categories":[58],"tags":[],"class_list":["post-5363","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5363","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5363"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5363\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5364"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5363"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5363"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5363"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}