{"id":41475,"date":"2024-09-01T11:14:00","date_gmt":"2024-09-01T14:14:00","guid":{"rendered":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/oito-doutorandos-indigenas-farao-intercambio-na-franca\/"},"modified":"2024-09-01T11:14:00","modified_gmt":"2024-09-01T14:14:00","slug":"oito-doutorandos-indigenas-farao-intercambio-na-franca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/?p=41475","title":{"rendered":"Oito doutorandos ind\u00edgenas far\u00e3o interc\u00e2mbio na Fran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p> <\/p>\n<div>\n<p><em>Guat\u00e1<\/em> ou <em>gwata<\/em>, na l\u00edngua guarani, tem, entre outros sentidos, o de viajar, de se movimentar. Tradicionalmente, entre os ind\u00edgenas brasileiros, a viagem era feita a p\u00e9, por isso o termo\u00a0<em>guat\u00e1<\/em> tamb\u00e9m pode ser traduzido como andar, caminhar. Nas d\u00e9cadas mais recentes, com novos meios de transporte, o sentido foi ampliado para incluir viagens de avi\u00e3o.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1609664&amp;o=node\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1609664&amp;o=node\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p>E isso permitiu que cada ind\u00edgena possa <em>guat\u00e1<\/em> para mais longe, cruzando, inclusive, um oceano. Em setembro, oito doutorandos ind\u00edgenas brasileiros viajar\u00e3o para a Fran\u00e7a, para um interc\u00e2mbio que durar\u00e1 de seis a dez meses, em universidades daquele pa\u00eds: dois guarani\u00a0(nh\u00e3ndeva e kaiow\u00e1), dois terenas, al\u00e9m de integrantes dos povos pipip\u00e3, xokleng, tupinamb\u00e1 de Oliven\u00e7a e trumai.<\/p>\n<p>A estudante guarani nh\u00e3ndeva Maristela Aquino (foto de destaque), de 44 anos, vive na regi\u00e3o de Dourados (MS), \u00e9 falante de guarani e portugu\u00eas, mas j\u00e1 se arrisca na l\u00edngua com a qual ter\u00e1 que conviver pelos pr\u00f3ximos meses, quando participar\u00e1 do interc\u00e2mbio na Universidade Paris 8. \u201c<em>Je m\u2019appelle Maristela&#8230; \u00c7a va?<\/em> [Me chamo Maristela. Como vai?]\u201d, faz quest\u00e3o de dizer, ao se encontrar com uma comitiva francesa.<\/p>\n<p>\u201cEu falo portugu\u00eas, guarani e <em>hablo<\/em> [falo] um pouco de espanhol. A gente est\u00e1 fazendo um cursinho de franc\u00eas h\u00e1 uns tr\u00eas meses, desde que fui aprovada, mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Mas a gente vai conseguir aprender. A gente j\u00e1 est\u00e1 pegando coisas, como se apresentar, pedir alimentos. A gente vai conseguir, tem que se dedicar, tentar escrever, tentar falar\u201d, conta a estudante.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=397584:grande_6colunas {\"additionalClasses\":\"\"} --><\/p>\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\">\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/1697287984_875_loading_v2.gif\" data-echo=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/_rbr7107_0.jpg\" alt=\"Dourados (MS), 29\/08\/2024 - Projeto Guata: Oito doutorandos ind\u00edgenas far\u00e3o interc\u00e2mbio na Fran\u00e7a. &#13;&#10;A estudante guarani kaiow\u00e1 Maristela Aquino, de 44 anos, contemplada pelo Projeto Guat\u00e1, em visita \u00e0 aldeia Guapoi Miri, nas cercanias da reserva ind\u00edgena de Dourados. Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" class=\"flex-fill img-cover\"\/><br \/>\n        <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/_rbr7107_0.jpg\" alt=\"Dourados (MS), 29\/08\/2024 - Projeto Guata: Oito doutorandos ind\u00edgenas far\u00e3o interc\u00e2mbio na Fran\u00e7a. &#13;&#10;A estudante guarani kaiow\u00e1 Maristela Aquino, de 44 anos, contemplada pelo Projeto Guat\u00e1, em visita \u00e0 aldeia Guapoi Miri, nas cercanias da reserva ind\u00edgena de Dourados. Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" class=\"flex-fill img-cover\"\/>\n    <\/div>\n<p><!-- END scald=397584 --><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<p>Estudante guarani kaiow\u00e1 Maristela Aquino, de 44 anos, participante do projeto Guat\u00e1 &#8211; <strong>T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=397584--><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Maristela nasceu e cresceu nas aldeias guarani da parte meridional de\u00a0Mato Grosso do Sul. Estudou, deu aulas nas escolas ind\u00edgenas quando ainda nem tinha entrado na faculdade e finalmente se formou em pedagogia, com muito esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>\u201cO que me amparava era ser conhecedora da cultura, do povo, da luta, e eu estava amparada por um documento ind\u00edgena que \u00e9 o referencial curricular nacional para as escolas ind\u00edgenas. A partir da\u00ed, comecei a estudar mais e dar a devida import\u00e2ncia aos estudos. Mas sempre com muito desafios, porque eu n\u00e3o nasci no ber\u00e7o da intelectualidade, dos estudos\u201d, diz\u00a0Maristela, que teve que trabalhar cozinhando e limpando a casa de um fazendeiro, enquanto estudava.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o da gradua\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi o suficiente para ela, que decidiu emendar um mestrado na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), na \u00e1rea de antropologia, explorando os conhecimentos guarani a fim de propor <a rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/repositorio.ufgd.edu.br\/jspui\/bitstream\/prefix\/4945\/1\/MaristelaAquinoInsfram.pdf\">alternativas de agroecologia<\/a>\u00a0para\u00a0combater a inseguran\u00e7a alimentar nas aldeias onde vivem esses povos.<\/p>\n<p>\u201cEu nunca aceitei a precariedade do territ\u00f3rio, sem \u00e1gua, sem ro\u00e7a, sem plantas nativas. As crian\u00e7as, com fome o tempo todo, iam para a escola para ter um prato de comida\u201d, afirma Maristela, destacando as dificuldades na vida dos ind\u00edgenas que vivem em \u00e1reas que, muitas vezes, passaram por uma degrada\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, fruto de uma ocupa\u00e7\u00e3o colonial destrutiva.<\/p>\n<p>Ao concluir o mestrado, Maristela passou a trabalhar em um projeto para garantir a seguran\u00e7a alimentar e nutricional das comunidades guarani\u00a0de\u00a0Mato Grosso do Sul, por meio do uso de sementes crioulas (desenvolvidas por comunidades tradicionais e pequenos agricultores). E esse trabalho levou a estudante a seguir adiante no caminho acad\u00eamico, com um doutorado na mesma universidade.<\/p>\n<p>\u201cEm dois territ\u00f3rios onde vivi, Passo Piraju e Guyraroka, fiz um trabalho com as mulheres, com produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, sem venenos. Essa luta contra os agrot\u00f3xicos \u00e9 muito forte. Literalmente a gente est\u00e1 consumindo veneno e as fam\u00edlias guarani s\u00e3o mais afetadas. Isso fere seus direitos de soberania alimentar e nutricional.\u201d<\/p>\n<p>Maristela \u00e9 uma das selecionadas para participar, neste ano, do programa de bolsas Guat\u00e1, realizado pela Embaixada da Fran\u00e7a no Brasil. A experi\u00eancia permitir\u00e1 que ela aprofunde seus estudos na Europa, troque experi\u00eancias com estudantes e pesquisadores daquele continente e fa\u00e7a uma imers\u00e3o em uma cultura bem diferente da sua.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cQuero estudar um pouco mais e tamb\u00e9m dar um pouco de visibilidade do que acontece aqui no territ\u00f3rio de\u00a0Mato Grosso do Sul. E quero voltar fortalecida para continuar a luta, porque a luta \u00e9 grande e ela que me faz viver minha vida\u201d, destaca a estudante\u00a0guarani.<\/p>\n<\/blockquote>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-right\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=397582:grande_6colunas {\"additionalClasses\":\"\"} --><\/p>\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\">\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/1697287984_875_loading_v2.gif\" data-echo=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/_rbr5566_0.jpg\" alt=\"Dourados (MS), 29\/08\/2024 - Projeto Guata: Oito doutorandos ind\u00edgenas far\u00e3o interc\u00e2mbio na Fran\u00e7a. &#13;&#10;O doutorando Idjahure Kadiwel, de 34 anos, contemplado com o projeto Guat\u00e1, de interc\u00e2mbio do governo franc\u00eas, na casa da sua av\u00f3, Margarida Terena, em Campo Grande. Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" class=\"flex-fill img-cover\"\/><br \/>\n        <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/_rbr5566_0.jpg\" alt=\"Dourados (MS), 29\/08\/2024 - Projeto Guata: Oito doutorandos ind\u00edgenas far\u00e3o interc\u00e2mbio na Fran\u00e7a. &#13;&#10;O doutorando Idjahure Kadiwel, de 34 anos, contemplado com o projeto Guat\u00e1, de interc\u00e2mbio do governo franc\u00eas, na casa da sua av\u00f3, Margarida Terena, em Campo Grande. 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Um canto improvisado, movido pela emo\u00e7\u00e3o de conhecer seu neto\u201d, lembra Idjahure, que, em sua tese de doutorado, pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), pensa em escrever sobre esse canto terena, associando-o a\u00a0uma tradi\u00e7\u00e3o semelhante de outro povo aruak, os baniwa, do norte da Amaz\u00f4nia, a que pertence sua companheira. \u201cOs povos terena e baniwa s\u00e3o da mesma fam\u00edlia lingu\u00edstica, ent\u00e3o t\u00eam uma ancestralidade, uma hist\u00f3ria comum.\u201d<\/p>\n<p><em>Guat\u00e1<\/em> para lugares distantes n\u00e3o \u00e9 novo para Idjahure. No meio de seu curso de gradua\u00e7\u00e3o, decidiu fazer um interc\u00e2mbio de cinco meses na Fran\u00e7a. Foi uma adapta\u00e7\u00e3o dif\u00edcil para um jovem de 22 anos, que teve que enfrentar diferen\u00e7as lingu\u00edsticas e clim\u00e1ticas. \u201cEra frio, estranho. Eu n\u00e3o conhecia nada.\u201d<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o impediu que ele viajasse outras vezes. Recentemente, esteve\u00a0com a namorada e o pai dela na\u00a0Europa, participando de confer\u00eancias e eventos culturais na Inglaterra, Alemanha e em Portugal. \u201cFiquei com vontade de ser, pelo menos por algum per\u00edodo, professor no exterior\u201d, conta Idjahure.<\/p>\n<p>O acad\u00eamico espera aproveitar a viagem para avan\u00e7ar em sua tese, escrever artigos em franc\u00eas e tamb\u00e9m contribuir para que os pesquisadores europeus tenham uma compreens\u00e3o melhor da realidade dos povos ind\u00edgenas no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um florescimento da produ\u00e7\u00e3o intelectual, cultural e acad\u00eamica ind\u00edgena no Brasil. Tem muita coisa nova acontecendo por aqui, inclusive com antrop\u00f3logos ind\u00edgenas. Acho que a tradi\u00e7\u00e3o francesa [na antropologia] n\u00e3o se conecta muito com o que est\u00e1 acontecendo aqui hoje. Quem sabe eu possa compartilhar um pouco disso?\u201d, diz o estudante, que tamb\u00e9m est\u00e1 enveredando pelo meio musical e recentemente gravou um disco.<\/p>\n<p>O programa Guat\u00e1 come\u00e7ou no ano passado, enviando quatro alunos ind\u00edgenas para o interc\u00e2mbio na Fran\u00e7a. Cinco universidades participaram em 2023. Neste ano, 11 universidades brasileiras participaram do processo seletivo, e oito alunos foram selecionados.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=397581:grande_6colunas {\"additionalClasses\":\"\"} --><\/p>\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\">\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/1697287984_875_loading_v2.gif\" data-echo=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/_rbr5508_0.jpg\" alt=\"Dourados (MS), 29\/08\/2024 - Projeto Guata: Oito doutorandos ind\u00edgenas far\u00e3o interc\u00e2mbio na Fran\u00e7a. &#13;&#10;A adida para Ci\u00eancia e Tecnologia do Consulado da Fran\u00e7a em S\u00e3o Paulo, Nad\u00e8ge M\u00e9zi\u00e9, explica como o programa Guat\u00e1 funciona. Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" class=\"flex-fill img-cover\"\/><br \/>\n        <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/_rbr5508_0.jpg\" alt=\"Dourados (MS), 29\/08\/2024 - Projeto Guata: Oito doutorandos ind\u00edgenas far\u00e3o interc\u00e2mbio na Fran\u00e7a. &#13;&#10;A adida para Ci\u00eancia e Tecnologia do Consulado da Fran\u00e7a em S\u00e3o Paulo, Nad\u00e8ge M\u00e9zi\u00e9, explica como o programa Guat\u00e1 funciona. Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" class=\"flex-fill img-cover\"\/>\n    <\/div>\n<p><!-- END scald=397581 --><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<p>A adida para Ci\u00eancia e Tecnologia do Consulado da Fran\u00e7a em S\u00e3o Paulo, Nad\u00e8ge M\u00e9zi\u00e9, fala sobre o projeto Guat\u00e1 &#8211; <strong>T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=397581--><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A adida para Ci\u00eancia e Tecnologia do Consulado da Fran\u00e7a em S\u00e3o Paulo, Nad\u00e8ge M\u00e9zi\u00e9, explica que o programa funciona como um doutorado sandu\u00edche, sem a obrigatoriedade de cursar disciplinas nas universidades francesas.<\/p>\n<p>\u201cTem a inscri\u00e7\u00e3o em uma universidade ou em um laborat\u00f3rio, mas n\u00e3o d\u00e1 cr\u00e9ditos nem tem um trabalho de finaliza\u00e7\u00e3o. Ou seja, eles chegam l\u00e1 e t\u00eam uma certa liberdade para escolher semin\u00e1rios e aulas. Mas tamb\u00e9m poder\u00e3o conhecer museus, outros espa\u00e7os acad\u00eamicos, participar de col\u00f3quios na Alemanha, na Europa toda. \u00c9 muito mais amplo do que ficar sentado numa sala de aula. Ent\u00e3o eles voltam e terminam o doutorado aqui, no Brasil.\u201d<\/p>\n<p>Os ind\u00edgenas contar\u00e3o com a ajuda de um professor supervisor, falante de portugu\u00eas ou espanhol, que far\u00e1 o acompanhamento dos estudantes durante a estada na Fran\u00e7a. Al\u00e9m de contar com a passagem a\u00e9rea, eles recebem uma bolsa de 1.700 euros por m\u00eas enquanto estiverem no programa.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 l\u00edngua francesa, o programa sugere que as universidades brasileiras providenciem um curso de franc\u00eas b\u00e1sico enquanto eles ainda est\u00e3o no Brasil. Quando chegarem \u00e0 Fran\u00e7a, poder\u00e3o frequentar as aulas do idioma oferecidas pelas universidades daquele pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cVimos no ano passado\u00a0que eles adquirem a l\u00edngua na rua, com amigos e participando das aulas, aos poucos. No ano passado, por exemplo, dois estudantes n\u00e3o quiseram entrar [no curso de franc\u00eas] e aprenderam na rua. Mas teve uma outra que seguiu at\u00e9 o fim [no curso de franc\u00eas] e fez a prova para saber o n\u00edvel de profici\u00eancia\u201d, explica Nad\u00e8ge.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-right\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=397578:grande_6colunas {\"additionalClasses\":\"\"} --><\/p>\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\">\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/1697287984_875_loading_v2.gif\" data-echo=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/_rbr8730_0.jpg\" alt=\"Dourados (MS), 29\/08\/2024 - Projeto Guata: Oito doutorandos ind\u00edgenas far\u00e3o interc\u00e2mbio na Fran\u00e7a. &#13;&#10;Professores da Universidade Paris 8 visitam a Reserva ind\u00edgena de Douradas. Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" class=\"flex-fill img-cover\"\/><br \/>\n        <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/_rbr8730_0.jpg\" alt=\"Dourados (MS), 29\/08\/2024 - Projeto Guata: Oito doutorandos ind\u00edgenas far\u00e3o interc\u00e2mbio na Fran\u00e7a. &#13;&#10;Professores da Universidade Paris 8 visitam a Reserva ind\u00edgena de Douradas. 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N\u00e3o apenas o saber acad\u00eamico europeu consolidado, mas de outros tipos de saber que s\u00e3o ignorados\u201d, afirma Delphine. \u201cProgramas de mobilidade [interc\u00e2mbio] servem como uma efervesc\u00eancia de ideias\u201d, completa a professora.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O grande ganho para a Paris 8, por exemplo, \u00e9 levar esse conhecimento, de outros povos para os alunos da universidade, que, por seu perfil socioecon\u00f4mico, n\u00e3o costumam viajar para outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u201cTrazer estudantes de fora \u00e9 uma forma de dar uma sacudida nesses estudantes [franceses], de mostrar para eles que \u00e9 importante viajar. A gente quer incomodar nossos estudantes, sacudi-los. Eles est\u00e3o um pouco parados\u201d, acrescenta Christiane Gilon, outra professora da Paris 8.<\/p>\n<p><em>*A equipe da<strong> Ag\u00eancia Brasil <\/strong>viajou a convite\u00a0Embaixada da Fran\u00e7a no Brasil.<\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p>, Vitor Abdala* &#8211; Enviado especial<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/educacao\/noticia\/2024-08\/oito-doutorandos-indigenas-farao-intercambio-na-franca\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Fonte: Agencia Brasil <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guat\u00e1 ou gwata, na l\u00edngua guarani, tem, entre outros sentidos, o de viajar, de se movimentar. Tradicionalmente, entre os ind\u00edgenas brasileiros, a viagem era feita a p\u00e9, por isso o termo\u00a0guat\u00e1 tamb\u00e9m pode ser traduzido como andar, caminhar. Nas d\u00e9cadas mais recentes, com novos meios de transporte, o sentido foi ampliado para incluir viagens de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":41476,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mbp_gutenberg_autopost":false,"footnotes":""},"categories":[55],"tags":[],"class_list":["post-41475","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/41475","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=41475"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/41475\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/41476"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=41475"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=41475"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=41475"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}