{"id":41465,"date":"2024-09-01T11:34:00","date_gmt":"2024-09-01T14:34:00","guid":{"rendered":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/kaiowa-que-aprendeu-a-ler-com-quase-40-anos-fara-intercambio-na-franca\/"},"modified":"2024-09-01T11:34:00","modified_gmt":"2024-09-01T14:34:00","slug":"kaiowa-que-aprendeu-a-ler-com-quase-40-anos-fara-intercambio-na-franca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/?p=41465","title":{"rendered":"Kaiow\u00e1 que aprendeu a ler com quase 40 anos far\u00e1 interc\u00e2mbio na Fran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p> <\/p>\n<div>\n<p>\u201cJ\u00e1 sei falar meu nome: Anastaci\u00f4\u201d, responde o senhor de 64 anos, bem-humorado, transformando seu nome em uma palavra ox\u00edtona, caracter\u00edstica do idioma franc\u00eas, ao ser questionado sobre como vai se comunicar na Fran\u00e7a, pa\u00eds onde far\u00e1 um interc\u00e2mbio acad\u00eamico durante seis meses.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1609666&amp;o=node\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1609666&amp;o=node\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p>Anast\u00e1cio Peralta \u00e9 um kaiow\u00e1, uma das etnias que comp\u00f5em o povo guarani. Uma lideran\u00e7a ind\u00edgena que cresceu falando a l\u00edngua de seu povo e que, apesar de tamb\u00e9m saber portugu\u00eas, s\u00f3 aprendeu a ler e escrever depois de iniciar um projeto de educa\u00e7\u00e3o de jovens e adultos, aos 37 anos de idade.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=397613:grande_6colunas {\"additionalClasses\":\"\"} --><\/p>\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\">\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/1697287984_875_loading_v2.gif\" data-echo=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/_rbr5945.jpg\" alt=\"Dourados (MS), 29\/08\/2024 - Projeto Guata: Oito doutorandos ind\u00edgenas far\u00e3o interc\u00e2mbio na Fran\u00e7a. &#13;&#10;Anast\u00e1cio Peralta, 64 anos, ind\u00edgena Kaiow\u00e1, doutorando na Universidade  Federal da Grande Dourados (UFGD) e selecionado pelo projeto Guat\u00e1.    Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" class=\"flex-fill img-cover\"\/><br \/>\n        <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/_rbr5945.jpg\" alt=\"Dourados (MS), 29\/08\/2024 - Projeto Guata: Oito doutorandos ind\u00edgenas far\u00e3o interc\u00e2mbio na Fran\u00e7a. &#13;&#10;Anast\u00e1cio Peralta, 64 anos, ind\u00edgena Kaiow\u00e1, doutorando na Universidade  Federal da Grande Dourados (UFGD) e selecionado pelo projeto Guat\u00e1.    Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" class=\"flex-fill img-cover\"\/>\n    <\/div>\n<p><!-- END scald=397613 --><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<p>O ind\u00edgena kaiow\u00e1 Anast\u00e1cio Peralta, 64 anos, \u00e9\u00a0doutorando na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)\u00a0&#8211; <strong>T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=397613--><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Nas tr\u00eas \u00faltimas d\u00e9cadas, passou de iletrado a estudante de doutorado na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). \u201cNasci em uma aldeia em Caarap\u00f3 [MS], em 2 de maio de 1960, e fui criado em fazenda. Trabalhei uns 20 anos em fazenda, na ro\u00e7a, fazendo derrubada de mato\u201d, conta.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1990, Anast\u00e1cio se mudou para Dourados e passou a trabalhar carregando produtos pesados, at\u00e9 machucar a coluna. \u201cA\u00ed eu fui estudar. J\u00e1 tinha 37 anos, mas n\u00e3o sabia ler nem escrever. Eu tamb\u00e9m conheci alguns colegas estudiosos, antrop\u00f3logos, que me incentivaram a estudar.\u201d<\/p>\n<p>Os estudos iniciais levaram Anast\u00e1cio a trabalhar, junto com outras lideran\u00e7as, na cria\u00e7\u00e3o de um curso de forma\u00e7\u00e3o de normal, em n\u00edvel m\u00e9dio, para professores ind\u00edgenas, chamado Ara Vera. Posteriormente, o projeto evoluiu para um curso de licenciatura ind\u00edgena, na UFGD, o Teko Arandu.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-right\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=397611:grande_6colunas {\"additionalClasses\":\"\"} --><\/p>\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\">\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/1697287984_875_loading_v2.gif\" data-echo=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/_rbr7269.jpg\" alt=\"Dourados (MS), 25\/08\/2024 - \u00c1rea rural ocupada por ind\u00edgenas nos arredores da reserva ind\u00edgena de Dourados.  Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" class=\"flex-fill img-cover\"\/><br \/>\n        <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/_rbr7269.jpg\" alt=\"Dourados (MS), 25\/08\/2024 - \u00c1rea rural ocupada por ind\u00edgenas nos arredores da reserva ind\u00edgena de Dourados.  Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" class=\"flex-fill img-cover\"\/>\n    <\/div>\n<p><!-- END scald=397611 --><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<p>\u00c1rea rural ocupada por ind\u00edgenas nos arredores da reserva ind\u00edgena de Dourados (MS) &#8211; <strong>T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=397611--><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Os cursos abriram os caminhos para o kaiow\u00e1, que fez o seu mestrado na universidade federal e apresentou a disserta\u00e7\u00e3o <a rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/repositorio.ufgd.edu.br\/jspui\/bitstream\/prefix\/5018\/1\/AnastacioPeralta.pdf\"><em>Tecnologias Espirituais: Ro\u00e7a, Reza e Sustentabilidade entre os Kaiow\u00e1 e Guarani<\/em><\/a>. Depois, emendou o ingresso no programa de doutorado, para aprofundar seus estudos no tema.<\/p>\n<p>\u201cHoje a gente vive de cesta b\u00e1sica. E como a gente vivia no passado? Ent\u00e3o, no doutorado, continuo pesquisando sobre a ro\u00e7a. Por que a gente vivia de ro\u00e7a no passado e hoje a gente vive de cesta b\u00e1sica? Eu falo [na pesquisa] de tecnologias espirituais, de ferramentas tradicionais, como o <em>sarakw\u00e1 <\/em>[instrumento usado para abrir buracos na terra para o plantio de sementes], do jeito de colher, do jeito de plantar. N\u00f3s, kaiow\u00e1, temos toda uma ci\u00eancia\u201d, conta Anast\u00e1cio.<\/p>\n<p>Para os guarani, explica o acad\u00eamico, cuida-se da ro\u00e7a como se cuida de qualquer outro ser vivo. \u201cPara n\u00f3s, a terra \u00e9 m\u00e3e. E a m\u00e3e tem que ser cuidada. Agora est\u00e1 ficando mais dif\u00edcil porque a terra tamb\u00e9m est\u00e1 doente, est\u00e1 com febre. Ent\u00e3o minha pesquisa est\u00e1 em busca da cura da terra.\u201d<\/p>\n<p>Neste ano, Anast\u00e1cio foi selecionado para participar do programa Guat\u00e1, um projeto do governo franc\u00eas, em parceria com universidades brasileiras, que oferece uma bolsa de interc\u00e2mbio em institui\u00e7\u00f5es de ensino superior franc\u00eas para <a rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/educacao\/noticia\/2024-08\/oito-doutorandos-indigenas-farao-intercambio-na-franca\">doutorandos ind\u00edgenas brasileiros<\/a>.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=397614:grande_6colunas {\"additionalClasses\":\"\"} --><\/p>\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\">\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/1697287984_875_loading_v2.gif\" data-echo=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/_rbr6079.jpg\" alt=\"Dourados (MS), 29\/08\/2024 - Projeto Guata: Oito doutorandos ind\u00edgenas far\u00e3o interc\u00e2mbio na Fran\u00e7a. &#13;&#10;Anast\u00e1cio Peralta, 64 anos, ind\u00edgena Kaiow\u00e1, doutorando na Universidade  Federal da Grande Dourados (UFGD) e selecionado pelo projeto Guat\u00e1.    Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" class=\"flex-fill img-cover\"\/><br \/>\n        <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/_rbr6079.jpg\" alt=\"Dourados (MS), 29\/08\/2024 - Projeto Guata: Oito doutorandos ind\u00edgenas far\u00e3o interc\u00e2mbio na Fran\u00e7a. &#13;&#10;Anast\u00e1cio Peralta, 64 anos, ind\u00edgena Kaiow\u00e1, doutorando na Universidade  Federal da Grande Dourados (UFGD) e selecionado pelo projeto Guat\u00e1.    Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" class=\"flex-fill img-cover\"\/>\n    <\/div>\n<p><!-- END scald=397614 --><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<p>Anast\u00e1cio Peralta\u00a0(\u00e0 esquerda) \u00e9 um dos oito doutorandos ind\u00edgenas que far\u00e3o interc\u00e2mbio na Fran\u00e7a &#8211;\u00a0<strong>T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=397614--><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Ele parte em setembro deste ano para um interc\u00e2mbio de seis meses na Universidade Paris 8, em Saint Denis, na Fran\u00e7a. \u201c<em>Guat\u00e1<\/em> \u00e9 andar [na l\u00edngua guarani]. E eu gosto de andar. Quero aproveitar para ter outros conhecimentos. Essa troca de experi\u00eancia \u00e9 muito boa. Tamb\u00e9m \u00e9 bom conhecer outros lugares al\u00e9m do Brasil\u201d, afirma Anast\u00e1cio, que j\u00e1 visitou o Parlamento Europeu, como lideran\u00e7a ind\u00edgena, em 2010.<\/p>\n<p>\u201cEssa troca de experi\u00eancia talvez v\u00e1 me provocar a entender mais o meu povo. Como \u00e9 a ci\u00eancia de fora? E como a minha ci\u00eancia pode ajudar essa outra ci\u00eancia? Isso \u00e9 uma troca de conhecimento. No que eu posso ajudar o planeta? E o que eu posso trazer de l\u00e1 para ajudar o meu povo.\u201d<\/p>\n<p><em>*A equipe da <strong>Ag\u00eancia Brasil <\/strong>viajou a convite Embaixada da Fran\u00e7a no Brasil.<\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p>, Vitor Abdala* &#8211; Enviado especial<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/educacao\/noticia\/2024-08\/kaiowa-que-aprendeu-ler-com-quase-40-anos-fara-intercambio-na-franca\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Fonte: Agencia Brasil <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cJ\u00e1 sei falar meu nome: Anastaci\u00f4\u201d, responde o senhor de 64 anos, bem-humorado, transformando seu nome em uma palavra ox\u00edtona, caracter\u00edstica do idioma franc\u00eas, ao ser questionado sobre como vai se comunicar na Fran\u00e7a, pa\u00eds onde far\u00e1 um interc\u00e2mbio acad\u00eamico durante seis meses. 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