{"id":25425,"date":"2023-07-28T14:30:00","date_gmt":"2023-07-28T17:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/escolas-se-enfeitam-de-novas-tecnologias-sem-intensificar-comunicacao\/"},"modified":"2023-07-28T14:30:00","modified_gmt":"2023-07-28T17:30:00","slug":"escolas-se-enfeitam-de-novas-tecnologias-sem-intensificar-comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/?p=25425","title":{"rendered":"Escolas se enfeitam de novas tecnologias sem intensificar comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p> <\/p>\n<div>\n<p>Passar da instru\u00e7\u00e3o para a aprendizagem \u00e9 o resumo da proposta que tornou a Escola da Ponte, em Portugal, uma experi\u00eancia inovadora de educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Fundada em 1976, a institui\u00e7\u00e3o de ensino busca dar protagonismo ao aluno e ao processo de aprendizado, que se torna, ao mesmo tempo, mais aut\u00f4nomo e mais coletivo.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/1690568270_510_ebc.png\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/1690568270_308_ebc.gif\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p>A experi\u00eancia da Escola da Ponte inspirou outras institui\u00e7\u00f5es de ensino ao redor do mundo, inclusive no Brasil, onde Jos\u00e9 Pacheco chegou a participar da cria\u00e7\u00e3o do Projeto \u00c2ncora, fundado no interior de S\u00e3o Paulo, em 1995.<\/p>\n<p>Palestrante da primeira edi\u00e7\u00e3o da Eduko, Bienal de novos saberes, que acontece nesta sexta-feira (28) e s\u00e1bado (29), em Belo Horizonte, o pedagogo portugu\u00eas Jos\u00e9 Pacheco reflete sobre tecnologia, diversidade e a educa\u00e7\u00e3o do futuro. O evento \u00e9 realizado por Sesc, Sistema Com\u00e9rcio MG e Senac.<\/p>\n<p>&#8220;Os professores do futuro ir\u00e3o manter-se ancorados em aulas obsoletas servidas em lousas digitais? Ir\u00e3o replicar o planejamento de aulas congeladas no YouTube ou em tablets? Ou usar o digital a servi\u00e7o da humaniza\u00e7\u00e3o da escola? Essa \u00e9 a pergunta central. N\u00e3o sou catastrofista, vejo tudo com o copo meio cheio. Mas as escolas t\u00eam se enfeitado de novas tecnologias sem intensificar a comunica\u00e7\u00e3o e a pesquisa. Pelo contr\u00e1rio, o modo como utilizam a internet fomenta a imbecilidade, a ignor\u00e2ncia e a solid\u00e3o&#8221;, define.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, o idealizador da escola, o educador, antrop\u00f3logo e cientista da Educa\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Pacheco v\u00ea a educa\u00e7\u00e3o pautada pela competi\u00e7\u00e3o e individualidade como uma das causas de conflitos sociais, extremismo e viol\u00eancia nas escolas. E na sala de aula tradicional, defende, \u00e9 imposs\u00edvel se pensar em um trabalho pautado na coletividade.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>: A sua concep\u00e7\u00e3o do que deveria ser a Escola da Ponte mudou ao longo do tempo? Como a pr\u00e1tica cotidiana impactou suas ideias?<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Pacheco<\/strong>:\u00a0A Escola da Ponte foi a primeira escola, no contexto da rede p\u00fablica de educa\u00e7\u00e3o, que operou a transi\u00e7\u00e3o entre o paradigma da instru\u00e7\u00e3o, o trabalho centrado no professor, para o paradigma da aprendizagem, o trabalho centrado no aluno enquanto sujeito de aprendizagem. Foi a primeira no ensino fundamental, e, em 1976, foi inovadora, porque cumpriu os cinco crit\u00e9rios que definem inova\u00e7\u00e3o: ser efetivamente in\u00e9dita, ser sustent\u00e1vel na lei e na ci\u00eancia, ser replic\u00e1vel, ser \u00fatil e estar sempre em fase instituinte. A inova\u00e7\u00e3o \u00e9 algo instituinte, n\u00e3o pode parar de inovar. E o que aconteceu na Escola Ponte \u00e9 que parou de inovar. \u00c9 a melhor escola do meu pa\u00eds, \u00e9 uma das melhores escolas do mundo, no mundo da educa\u00e7\u00e3o, claro, mas ela cristalizou. \u00c9 um objeto de turismo educacional.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>: Voc\u00ea idealizou um projeto de educa\u00e7\u00e3o pautado pela coletividade em um tempo em que o individualismo parece cada vez mais exacerbado. Que resposta a educa\u00e7\u00e3o deve oferecer a esse movimento, na sua vis\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Pacheco<\/strong>: Edgar Morin [antrop\u00f3logo, soci\u00f3logo e fil\u00f3sofo franc\u00eas] diz-nos que a modernidade nos confinou numa \u00e9tica individualista que nos impede de pensar a responsabilidade por atos coletivos. E \u00e9 isso que a escola da modernidade concretiza quando o professor est\u00e1 solit\u00e1rio na sala de aula e n\u00e3o \u00e9 aut\u00f4nomo, e n\u00e3o ensina o que diz, transmite aquilo que \u00e9. Transmite heteron\u00edmia a uma audi\u00eancia formal e o mesmo est\u00e1 sujeito a uma hierarquia expl\u00edcita na sala de aula. \u00c9 imposs\u00edvel pensar-se num trabalho pautado na coletividade. A sala de aula, como dispositivo central do paradigma da instru\u00e7\u00e3o, dever\u00e1 ser extinta, pura e simplesmente, porque o que importa a saber \u00e9 que alguns autores do s\u00e9culo 20, e vou citar apenas dois ou tr\u00eas, Agostinho da Silva, Lauro de Oliveira Lima, Paulo Freire, que \u00e9 incontorn\u00e1vel. Mas um Freire que seja efetivamente cumprido, porque o que acontece hoje nas propostas, teoriza\u00e7\u00f5es e teorias \u00e9 algo que eu chamo de freirianos n\u00e3o praticantes. S\u00e3o teoricistas que falam de uma nova educa\u00e7\u00e3o, falam em nome de Paulo Freire, mas fazem educa\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria, o que \u00e9 contradit\u00f3rio, e at\u00e9 anti\u00e9tico, mas ficamos por a\u00ed. O que fazemos, a pr\u00e1xis, \u00e9 criar os c\u00edrculos de aprendizagem, o que \u00e9 efetivamente uma inova\u00e7\u00e3o. E os c\u00edrculos de aprendizagem d\u00e3o origem a uma nova constru\u00e7\u00e3o social, porque h\u00e1 v\u00e1rias. E essa nova constru\u00e7\u00e3o s\u00e3o prot\u00f3tipos de uma comunidade de aprendizagem. Em v\u00e1rios pa\u00edses acompanho a evolu\u00e7\u00e3o desse projeto de cria\u00e7\u00e3o de uma nova constru\u00e7\u00e3o social. N\u00e3o \u00e9 mais um paliativo, n\u00e3o \u00e9 mais um ensino h\u00edbrido, nada disso. \u00c9 uma nova constru\u00e7\u00e3o social que ir\u00e1 ao longo dos anos substituir aquela que vem da Pr\u00fassia militar do S\u00e9culo 18 e da Inglaterra da Primeira Revolu\u00e7\u00e3o Industrial.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>: Acompanha experi\u00eancias similares \u00e0 sua no Brasil? Como v\u00ea a aplicabilidade desse m\u00e9todo em realidades socioecon\u00f4micas diferentes de da cidade do Porto?<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Pacheco<\/strong>: Quando me foi pedido que fizesse o projeto \u00e2ncora, tive o cuidado de entrar nas favelas que rodeavam esse projeto e vivenciar aquilo que l\u00e1 acontecia. Partindo do princ\u00edpio que escolas n\u00e3o s\u00e3o pr\u00e9dios, s\u00e3o pessoas, e as pessoas s\u00e3o os seus valores, eu encontrei nas favelas, se nos abstrairmos do tr\u00e1fico e das mil\u00edcias, a matriz axiol\u00f3gica da Escola da Ponte, os valores. O valor da solidariedade, da responsabilidade e da autonomia. \u00c9 muito claro nos favelados essa tripla dimens\u00e3o axiol\u00f3gica. E tive o cuidado tamb\u00e9m de, enquanto europeu, correndo risco de etnocentrismo, ir \u00e0s comunidades dos povos ind\u00edgenas. Estive um tempo entre os patax\u00f3s, outro tempo entre os tupinamb\u00e1s e outro tempo entre os xavantes. Depois, fui aos quilombos. Fui a um quilombo do Campinho. Fui a um quilombo em Goi\u00e1s, estive em v\u00e1rios, e encontrei a tradu\u00e7\u00e3o clara daquilo que \u00e9 o prov\u00e9rbio africano de que \u00e9 preciso uma tribo inteira para educar uma crian\u00e7a. Depois dessas experi\u00eancias, costumo dizer que quanto mais eu conhe\u00e7o o Brasil menos entendo, mas isso se deve ao caldo cultural em que o Brasil est\u00e1 imerso. A origem portuguesa, japonesa, alem\u00e3, italiana e tantas outras de imigrantes que trouxeram toda a sua criatividade e \u00e9 muito dif\u00edcil pensar uma Escola da Ponte, mas \u00e9 poss\u00edvel partir do exemplo da Escola da Ponte, para, aplicando com toda a reserva e cuidado \u00e0 Am\u00e9rica do Sul, fazermos aquilo que h\u00e1 muito tempo este lugar reclama, que \u00e9 uma escola, uma educa\u00e7\u00e3o, na medida dos povos pr\u00e9-colombianos, juntando cultura e miscigena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>: Sua experi\u00eancia na Escola da Ponte j\u00e1 atravessa diferentes gera\u00e7\u00f5es de crian\u00e7as. Como tem acompanhado o impacto da tecnologia nas gera\u00e7\u00f5es atuais? Quais consequ\u00eancias v\u00ea e como lidar com elas?<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Pacheco<\/strong>: Quando, h\u00e1 50 anos, perguntava aos alunos o que queriam ser, diziam que queriam ser jogadores de futebol, aeromo\u00e7as etc. Quando hoje eu pergunto, primeiro eles respondem perguntando: eu posso dizer? Porque j\u00e1 destru\u00edram a curiosidade e os proibiram de fazer perguntas. Eu digo que sim. E eles dizem que querem ser influencers, youtubers etc. E o que eu quero dizer com isso? As tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o incontorn\u00e1veis, mas a escola precisa ser reinventada. N\u00e3o adotar rob\u00f4s e uma intelig\u00eancia artificial que, dos Estados Unidos, transmite conte\u00fado para o c\u00e9rebro. Do modo como as novas tecnologias est\u00e3o sendo introduzidas em algumas escolas, temo que se converta em mais alguma panaceia. Que sejam acriticamente consumidas, sem resqu\u00edcios de uma coopera\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria e dependentes de v\u00ednculos afetivos prec\u00e1rios que s\u00e3o estabelecidos com identidades virtuais. Internet n\u00e3o \u00e9 uma ferramenta, \u00e9 uma sociedade, e \u00e9 generosa na oferta de informa\u00e7\u00e3o, mas os professores do futuro ir\u00e3o manter-se ancorados em aulas obsoletas servidas em lousas digitais? Ir\u00e3o replicar o planejamento de aulas congeladas no YouTube ou em tablets? Ou usar o digital a servi\u00e7o da humaniza\u00e7\u00e3o da escola? Essa \u00e9 a pergunta central. N\u00e3o sou catastrofista, vejo tudo com o copo meio cheio. Mas as escolas t\u00eam se enfeitado de novas tecnologias sem intensificar a comunica\u00e7\u00e3o e a pesquisa. Pelo contr\u00e1rio, o modo como utilizam a internet fomenta a imbecilidade, a ignor\u00e2ncia e a solid\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>: Os ataques violentos a escolas t\u00eam crescido no Brasil, muitas vezes associados a grupos de \u00f3dio nas redes. Como sua proposta pedag\u00f3gica pode contribuir para o enfrentamento desse problema?<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Pacheco<\/strong>: Na escola de Bambini, em 1907, Maria Montessori dizia que a escola que estimula a competitividade negativa \u00e9 a origem remota de todos os conflitos de todas as guerras. N\u00e3o espanta, infelizmente, os ataques que as escolas t\u00eam sofrido e as mortes que t\u00eam acontecido. Quando vou at\u00e9 uma escola que carece de um ambiente de sociocracia, de um ambiente democr\u00e1tico, a primeira coisa que fazemos \u00e9 criar alguns dispositivos de rela\u00e7\u00e3o, entre os quais os acordos de conviv\u00eancia, o quadro de direitos e deveres, a assembleia, a comiss\u00e3o de ajuda, a caixa de segredos. E essa organiza\u00e7\u00e3o, muito at\u00e9 neobehaviorista, que condiciona todo o trabalho feito a jusante. Um dia, me levaram \u00e0 Papuda [pres\u00eddio no Distrito Federal], \u00e0 aula de jovens infratores, e nem consigo descrever a trag\u00e9dia que l\u00e1 observei. E o secret\u00e1rio de educa\u00e7\u00e3o do Distrito Federal pediu para eu fazer um projeto para aqueles jovens, e eu disse que poderia tentar desde que conhecesse a origem desses jovens e estabelecesse contatos com as fam\u00edlias, quase todas monoparentais, mas que estava mais interessado em preparar um projeto que evitasse a nossa sociedade de ver uma Papuda, de ver viol\u00eancia, ou seja, trabalhar a montante para n\u00e3o arranjar improvisos de solu\u00e7\u00e3o a jusante.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>: A educa\u00e7\u00e3o antirracista, pr\u00f3-equidade de g\u00eanero e inclusiva a respeito das diversidades sexuais \u00e9 uma pauta progressista com cada vez mais relev\u00e2ncia. Quais contribui\u00e7\u00f5es a Escola da Ponte pode dar nesse sentido?<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Pacheco<\/strong>: Quando me perguntam se a minha escola \u00e9 inclusiva, respondo que \u00e9 uma escola a caminho da inclus\u00e3o. Porque n\u00e3o h\u00e1 escolas inclusivas nem h\u00e1 escolas inovadoras. H\u00e1 um tempo ouvi um discurso de uma muito conhecida palestrante que falava sobre escolas inclusivas e inovadoras, e, no final, com todo respeito, perguntei pelo endere\u00e7o de uma dessas escolas e ela n\u00e3o soube dar. Estamos a falar de que? Enquanto a escola continuar a ser o que \u00e9, enquanto n\u00e3o se juntar aquilo que \u00e9 \u00fatil no paradigma da instru\u00e7\u00e3o, no paradigma da aprendizagem e no paradigma da comunica\u00e7\u00e3o, enquanto n\u00e3o se tomar um compromisso \u00e9tico com a escola e com a vida. Porque se o professor d\u00e1 aula e n\u00e3o ensina a todos os alunos, e se continuar dando a aula, ele n\u00e3o \u00e9 um professor, \u00e9 um cr\u00e1pula, porque sabe que est\u00e1 a semear ignor\u00e2ncia. Ent\u00e3o, \u00e9 preciso criar condi\u00e7\u00f5es para que se cuide dos professores para que eles possam tomar uma decis\u00e3o \u00e9tica, um compromisso \u00e9tico com a educa\u00e7\u00e3o. A partir da\u00ed essas quest\u00f5es de g\u00eanero, de inclus\u00e3o e de diversidade, tudo isso \u00e9 sublimado.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>: Vemos uma certa desvaloriza\u00e7\u00e3o do ensino formal e das carreiras tradicionais nas redes sociais, que apontam para um modelo de sucesso capitalista agora mais pautado pelos influenciadores, coachs, investidores de cripto e outros grupos. Como isso impacta a educa\u00e7\u00e3o de hoje e do futuro, na sua vis\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Pacheco<\/strong>: Influenciadores, coachs, investidores etc. Tudo isso ir\u00e1 parar no saco de lixo da hist\u00f3ria da educa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o fen\u00f4menos de passagem. Falar da educa\u00e7\u00e3o do futuro \u00e9 falar de que?, se considerarmos que mais de 80% dos empregos atuais n\u00e3o existir\u00e3o dentro de 10 anos. Penso que vai ser antes. Um dos quais \u00e9 o professor de sala de aula. Quando fui dar aula, sabia muito da minha \u00e1rea, de eletrot\u00e9cnica, n\u00e3o sabia ser professor, sabia dar aula. E n\u00e3o sabia que estava a desvalorizar a minha pr\u00f3pria profissionaliza\u00e7\u00e3o. Todos esses coachs ir\u00e3o desaparecer assim como ir\u00e1 desaparecer a mercantiliza\u00e7\u00e3o da escola p\u00fablica, que est\u00e1 em curso. As modas pedag\u00f3gicas duram enquanto duram, ent\u00e3o, n\u00e3o me preocupa muito a desvaloriza\u00e7\u00e3o do ensino formal, at\u00e9 porque n\u00e3o falo de ensino formal. Por que h\u00e1 ensino formal e informal, educa\u00e7\u00e3o ambiental, educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o infantil, educa\u00e7\u00e3o fundamental? Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma s\u00f3.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>: Brasil, Portugal e muitos outros pa\u00edses viveram uma ascens\u00e3o de uma extrema direita muito pautada pela desinforma\u00e7\u00e3o e pela rejei\u00e7\u00e3o do outro. H\u00e1 quem diga que a solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 na educa\u00e7\u00e3o. O que acha?<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Pacheco<\/strong>: H\u00e1 uma extrema direita em Portugal que j\u00e1 ocupa o terceiro lugar em vota\u00e7\u00e3o e realmente est\u00e1 em crescimento. J\u00e1 h\u00e1 xenofobia, j\u00e1 existe persegui\u00e7\u00e3o, e isso \u00e9 uma consequ\u00eancia do modelo educacional em que vivemos. A desinforma\u00e7\u00e3o e a rejei\u00e7\u00e3o do outro surgem como um dos efeitos nefastos do modelo educacional do s\u00e9culo 18. Costumo brincar que continuamos a ter alunos do s\u00e9culo 21, com professores do s\u00e9culo 20 a trabalhar como no s\u00e9culo 19. Ser\u00e1 necess\u00e1rio fazer uma grande transforma\u00e7\u00e3o, operar mudan\u00e7as e, sobretudo, inovar. \u00c9 preciso ligar a escola com o poder p\u00fablico e a universidade. \u00c9 preciso ligar a escola com as fam\u00edlias e a sociedade. \u00c9 preciso ligar a escola com a sa\u00fade p\u00fablica e o ambiente, e arte e cultura. \u00c9 preciso considerar que a escola n\u00e3o \u00e9 o pr\u00e9dio, e que se aprende em qualquer lugar desde que aconte\u00e7a v\u00ednculo entre o objeto significativo que se busca alcan\u00e7ar, atrav\u00e9s da busca da informa\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o do conhecimento, e a triangula\u00e7\u00e3o com um mediador que pode ser esse tal de coach, tutor e sei l\u00e1 como chamar. E quando perguntas o que acha, pe\u00e7o desculpas, mas n\u00e3o posso achar. Sou formado em Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o, e algu\u00e9m formado em Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 raro, n\u00e3o tem o direito de achar. Tem a obriga\u00e7\u00e3o de afirmar e fundamentar na ci\u00eancia prudente aquilo que diz. Infelizmente, como diria Jean Piaget, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u00fanica \u00e1rea das ci\u00eancias humanas em que todo mundo se considera especialista e no direito de dar opini\u00e3o.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p>, Vin\u00edcius Lisboa &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/educacao\/noticia\/2023-07\/escolas-se-enfeitam-de-novas-tecnologias-sem-intensificar-comunicacao\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Fonte: Agencia Brasil <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passar da instru\u00e7\u00e3o para a aprendizagem \u00e9 o resumo da proposta que tornou a Escola da Ponte, em Portugal, uma experi\u00eancia inovadora de educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. 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