{"id":25035,"date":"2023-07-20T17:28:00","date_gmt":"2023-07-20T20:28:00","guid":{"rendered":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/programa-academico-homenageia-intelectual-negra\/"},"modified":"2023-07-20T17:28:00","modified_gmt":"2023-07-20T20:28:00","slug":"programa-academico-homenageia-intelectual-negra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/?p=25035","title":{"rendered":"Programa acad\u00eamico homenageia intelectual negra"},"content":{"rendered":"<p> <\/p>\n<div>\n<p>Negra, migrante, nordestina e mulher, a historiadora Beatriz Nascimento (1942-1995) foi uma das principais intelectuais do pa\u00eds, com contribui\u00e7\u00f5es fundamentais para entender a\u00a0identidade negra como instrumento de autoafirma\u00e7\u00e3o racial, intelectual e existencial. Ela\u00a0desenvolveu pesquisas sobre o que denominou de \u201csistemas sociais alternativos organizados por pessoas negras\u201d, investigando dos quilombos \u00e0s favelas. A partir desta quinta-feira (20), Beatriz d\u00e1 nome ao &#8220;Atl\u00e2nticas &#8211; <a rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/educacao\/noticia\/2023-07\/programa-oferece-doutorado-para-mulheres-negras-indigenas-e-ciganas\">Programa Beatriz Nascimento de Mulheres na Ci\u00eancia<\/a>&#8220;, primeiro programa do governo federal direcionado exclusivamente a mulheres cientistas negras, ind\u00edgenas, quilombolas e ciganas.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/1689892144_42_ebc.png\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/1689892144_722_ebc.gif\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p>Segundo a <a rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/ea.fflch.usp.br\/autor\/maria-beatriz-nascimento\"><em>Enciclop\u00e9dia de Antropologia da Universidade de S\u00e3o Paulo<\/em><\/a>, Maria Beatriz Nascimento nasceu em Aracaju. \u00c9 a oitava filha de Rubina Pereira do Nascimento e Francisco Xavier do Nascimento, que migraram para a cidade do Rio de Janeiro no final de 1949.<\/p>\n<p>Beatriz ingressou no curso de Hist\u00f3ria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) no ano de 1968, concluindo a gradua\u00e7\u00e3o em 1971, aos 29 anos de idade. Sob orienta\u00e7\u00e3o do historiador Jos\u00e9 Hon\u00f3rio Rodrigues, ela realizou est\u00e1gio de pesquisa no Arquivo Nacional e trabalhou como professora de hist\u00f3ria da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A historiadora se especializou em Hist\u00f3ria do Brasil pela Universidade Federal Fluminense (UFF) quando, em 1974, participou da cria\u00e7\u00e3o do Grupo de Trabalho Andr\u00e9 Rebou\u00e7as e, em 1975, do Instituto de Pesquisa das Culturas Negras (IPCN). Com o soci\u00f3logo Eduardo de Oliveira e Oliveira (1923-1980), a fil\u00f3sofa e antrop\u00f3loga L\u00e9lia Gonzalez (1935-1994) e o jornalista Hamilton Cardoso (1953-1999), ela partilhou pesquisas e milit\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Durante a Quinzena do Negro, evento ocorrido na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) em 1977, Beatriz apresentou a confer\u00eancia Historiografia do quilombo, delineando os contornos do que ela desenvolveria, posteriormente, como espa\u00e7os de resist\u00eancia cultural negra: dos bailes <em>blacks<\/em> aos territ\u00f3rios de favelas, esses espa\u00e7os constituiriam uma identidade negra como instrumento de autoafirma\u00e7\u00e3o racial, intelectual e existencial, al\u00e9m de territ\u00f3rio simb\u00f3lico ancorado no pr\u00f3prio corpo negro.<\/p>\n<p>Em 1979, em viagem ao continente africano, a autora conheceu territ\u00f3rios de antigos quilombos angolanos e reafirmou a vincula\u00e7\u00e3o entre as culturas negras brasileira e africana. No document\u00e1rio <em>\u00d4r\u00ed<\/em>, lan\u00e7ado em 1989, dirigido pela cineasta e soci\u00f3loga Raquel Gerber, Beatriz narra parte da trajet\u00f3ria dos movimentos negros no Brasil entre 1977 e 1988, ancorando-se no conceito do quilombo como ideia fundamental, que atravessa sua pr\u00f3pria narrativa biogr\u00e1fica, para retra\u00e7ar continuidades hist\u00f3ricas entre o quilombo e suas redefini\u00e7\u00f5es nos dias atuais.<\/p>\n<p>Beatriz escreveu uma s\u00e9rie de textos, poemas, roteiros, ensaios e estudos te\u00f3ricos, entre os quais se destacam <em>Por uma hist\u00f3ria do homem negro<\/em> (1974); <em>Kilombo e mem\u00f3ria comunit\u00e1ria: um estudo de caso<\/em> (1982) e <em>O conceito de quilombo e a resist\u00eancia cultural negra<\/em> (1985).<\/p>\n<p>Em 1995, a historiadora \u00e9 v\u00edtima de feminic\u00eddio, aos 52 anos de idade. Pelas suas importantes contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 pesquisa acad\u00eamica, em outubro de 2021 \u00e9 outorgado a ela o t\u00edtulo p\u00f3stumo de Doutora Honoris Causa in Memoriam pela UFRJ. Ao lado de L\u00e9lia Gonzalez (1935-1994), Sueli Carneiro (1950-) e Luiza Bairros (1953-2016), Beatriz figura como umas das mais importantes intelectuais negras brasileiras.<\/p>\n<p>\u201cBeatriz Nascimento \u00e9 uma das intelectuais mais brilhantes que esse pa\u00eds j\u00e1 teve e que, infelizmente, teve a vida interrompida de maneira muito precoce em raz\u00e3o do feminic\u00eddio\u201d, ressalta a professora de Hist\u00f3ria e mestra em Educa\u00e7\u00e3o pela Universidade Federal de Ouro Preto Luana Tolentino.<\/p>\n<p>Segundo Luana Tolentino, a historiadora \u00e9 uma grande inspira\u00e7\u00e3o para as pesquisadoras negras. \u201cBeatriz Nascimento abriu portas para que a minha gera\u00e7\u00e3o pudesse entrar. Sou da d\u00e9cada de 1980, ent\u00e3o sou dessa gera\u00e7\u00e3o que tem tido a oportunidade de exercer o direito de estar na universidade tamb\u00e9m em fun\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de cotas. A luta contra o racismo da Beatriz Nascimento foi fundamental para constru\u00e7\u00e3o dessas pol\u00edticas p\u00fablicas de promo\u00e7\u00e3o da igualdade racial e tamb\u00e9m como um incentivo, como farol para n\u00f3s pesquisadoras negras, mulheres negras\u201d.<\/p>\n<p>As pesquisadoras negras precisam enfrentar diversos desafios, afirma Luana. \u201cO primeiro desafio \u00e9 justamente o racismo que orienta a sociedade brasileira, que dificulta de todas as maneiras o acesso das mulheres negras \u00e0 universidade. Temos a pol\u00edtica de cotas, que \u00e9 um marco na hist\u00f3ria do pa\u00eds e que sem sombra de d\u00favidas tem sido fundamental para dar novos contornos, novas cores \u00e0 universidade, mas ao mesmo tempo, h\u00e1 uma s\u00e9rie de barreiras que dificultam o acesso das mulheres negras ao ensino b\u00e1sico. Entre os grupos sociais que n\u00e3o tiveram oportunidade de frequentar a escola, as mulheres negras s\u00e3o maioria\u201d, explica Luana Tolentino.<\/p>\n<p>O outro ponto destacado pela professora, \u00e9 que ao chegar na universidade as pesquisadoras precisam enfrentar o olhar de desconfian\u00e7a com o qual as s\u00e3o vistas, tamb\u00e9m motivado pelo racismo.<\/p>\n<p>\u201cVivemos em um pa\u00eds em que ainda h\u00e1 uma expectativa de que, n\u00f3s mulheres negras, estamos nesse mundo apenas para servir e limpar a sujeira dos outros. Estamos em um pa\u00eds que ainda tem dificuldade de pensar nas mulheres negras como pesquisadoras, como intelectuais, como produtoras de conhecimento. Mas, a despeito de tudo isso, n\u00f3s estamos em um n\u00famero muito significativo na universidade, acho que como Beatriz Nascimento sonhou. N\u00f3s que j\u00e1 estamos [na universidade] precisamos assumir o compromisso de abrir tantas outras portas para que outras mulheres negras possam entrar e garantir o direito humano \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e ao ensino superior\u201d.<\/p>\n<p>Luana Tolentino \u00e9 autora dos livros <em>Outra educa\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel: feminismo, antirracismo e inclus\u00e3o em sala de aula<\/em> (Mazza Edi\u00e7\u00f5es) e <em>Sobrevivendo ao racismo: mem\u00f3rias, cartas e o cotidiano da discrimina\u00e7\u00e3o no Brasil<\/em> (Papirus 7 Mares).<\/p>\n<h2>Programa<\/h2>\n<p>O Atl\u00e2nticas &#8211; Programa Beatriz Nascimento de Mulheres na Ci\u00eancia quer fortalecer as trajet\u00f3rias acad\u00eamicas dessas mulheres oferecendo bolsas de doutorado e p\u00f3s-doutorado sandu\u00edche no exterior. O governo federal vai investir aproximadamente R$ 7 milh\u00f5es, resultado da parceria entre o Minist\u00e9rio da Igualdade Racial com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), o Minist\u00e9rio dos Povos Ind\u00edgenas (MPI) e o Minist\u00e9rio das Mulheres (Mmulheres).<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p>, Ludmilla Souza &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/educacao\/noticia\/2023-07\/conheca-beatriz-nascimento-intelectual-que-inspira-cientistas\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Fonte: Agencia Brasil <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Negra, migrante, nordestina e mulher, a historiadora Beatriz Nascimento (1942-1995) foi uma das principais intelectuais do pa\u00eds, com contribui\u00e7\u00f5es fundamentais para entender a\u00a0identidade negra como instrumento de autoafirma\u00e7\u00e3o racial, intelectual e existencial. 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