{"id":23210,"date":"2023-06-12T16:40:00","date_gmt":"2023-06-12T19:40:00","guid":{"rendered":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/vacina-contra-esquistossomose-estara-disponivel-no-sus-em-2025\/"},"modified":"2023-06-12T16:40:00","modified_gmt":"2023-06-12T19:40:00","slug":"vacina-contra-esquistossomose-estara-disponivel-no-sus-em-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/?p=23210","title":{"rendered":"Vacina contra esquistossomose estar\u00e1 dispon\u00edvel no SUS em 2025"},"content":{"rendered":"<p> <\/p>\n<div>\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluir\u00e1 nos pr\u00f3ximos meses o processo de produ\u00e7\u00e3o da vacina Schistovac contra esquistossomose, que dever\u00e1 estar dispon\u00edvel para o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) no final de 2025. Esta \u00e9 a primeira vacina do mundo contra essa doen\u00e7a parasit\u00e1ria que \u00e9 considerada negligenciada. O nome \u00e9 derivado do <em>Schistosoma mansoni<\/em>, verme causador da esquistossomose na Am\u00e9rica Latina e na \u00c1frica. A vacina \u00e9 um projeto antigo da Fiocruz que est\u00e1 chegando \u00e0\u00a0fase final este ano, destacou, nesta segunda-feira (12) em entrevista \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, a pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) da Fiocruz\u00a0Miriam Tendler. A vacina in\u00e9dita est\u00e1 sendo desenvolvida e ser\u00e1 patenteada pelo IOC\/Fiocruz.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/1686635760_401_ebc.png\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/1686635760_499_ebc.gif\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p>O projeto entrou em fase cl\u00ednica entre 2010 e 2011. At\u00e9 agora, foram feitos cinco testes cl\u00ednicos importantes. As fases 1 e 2 foram realizadas no Brasil em \u00e1rea n\u00e3o end\u00eamica, ap\u00f3s processo regulat\u00f3rio na Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa). Depois, os testes cl\u00ednicos da fase 2 passaram a ser feitos em uma estrutura do Senegal, ligada ao Instituto Pasteur de Lille, na Fran\u00e7a, e localizada em uma \u00e1rea end\u00eamica daquele pa\u00eds africano. Os testes foram realizados primeiro em adultos e, depois, em crian\u00e7as. Agora, encerrada a parte de campo, est\u00e1 sendo realizado o processamento de dados.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=331341:cheio_8colunas --><\/p>\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\">\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/loading_v2.gif\" data-echo=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/dsc_5484_editada_1.jpg\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ) - Vacina contra a esquistossomose. Foto: Gutemberg Brito\/IOC\/Fiocruz\" title=\"Gutemberg Brito\/IOC\/Fiocruz\" class=\"flex-fill img-cover\"\/><br \/>\n        <noscript><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/dsc_5484_editada_1.jpg\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ) - Vacina contra a esquistossomose. Foto: Gutemberg Brito\/IOC\/Fiocruz\" title=\"Gutemberg Brito\/IOC\/Fiocruz\" class=\"flex-fill img-cover\"\/><\/noscript>\n    <\/div>\n<p><!-- END scald=331341 --><\/div>\n<p><h6 class=\"meta\"><!--copyright=331341-->Pesquisadora Miriam Tendler diz que a vacina contra a esquistossomose \u00e9 um projeto antigo da Fiocruz, que agora est\u00e1 chegando \u00e0 fase final\u00a0&#8211; <strong>Gutemberg Brito\/IOC\/Fiocruz<\/strong><!--END copyright=331341--><\/h6>\n<\/p>\n<\/div>\n<p>\u201cFoi introduzida uma modifica\u00e7\u00e3o no esquema de vacina\u00e7\u00e3o que vai substituir o esquema original\u201d, informou Miriam Tendler. Tal como ocorreu na covid-19, que come\u00e7ou com duas doses da vacina e, depois, chegou a cinco doses, poder\u00e1 ser necess\u00e1rio\u00a0fazer posteriormente o ajuste do n\u00famero de doses e do intervalo entre elas. \u201cA gente prop\u00f4s, e o Minist\u00e9rio de Sa\u00fade do Senegal concordou. Adotamos um protocolo alternativo que \u00e9 igual ao\u00a0da covid\u00a0e outras doen\u00e7as, que s\u00e3o duas doses, com intervalo de um m\u00eas entre si e, depois, quatro meses para a terceira dose\u201d. Segundo a pesquisadora, esse protocolo induz a uma resposta melhor.<\/p>\n<h2>Avan\u00e7o<\/h2>\n<p>Foi utilizado um novo lote (Sm14), produzido a partir\u00a0de um banco de c\u00e9lulas <em>master<\/em>, nos Estados Unidos. \u201cHouve um avan\u00e7o grande no processo de produ\u00e7\u00e3o. A partir das c\u00e9lulas desse banco, a gente produziu um novo lote na universidade norte-americana de Nebraska e fizemos ent\u00e3o esse \u00faltimo teste fase 2, no Senegal, que foi muito bem, igual aos outros\u201d, contou Miriam. O processo sofreu atraso de alguns meses em raz\u00e3o do per\u00edodo mais agudo da pandemia do novo coronav\u00edrus. \u201cO grande ganho nesse per\u00edodo, nos \u00faltimos dois anos, foi o escalonamento do processo de produ\u00e7\u00e3o em larga escala\u201d, destacou ela.<\/p>\n<p>A partir desse processo, foi produzido um novo lote, que foi validado. De acordo com Miriam, isso tudo vai agregando valor \u00e0 tecnologia, que \u00e9 toda do Brasil. \u201cAgora, estamos preparando a fase 3 em um n\u00famero que alcance, no total, 2 mil pessoas, por uma quest\u00e3o de seguran\u00e7a, de modo a poder passar pelo crivo de pr\u00e9-qualifica\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade [OMS]. Isso ser\u00e1 feito at\u00e9 o final deste ano. Em oito meses, a gente finaliza\u201d, assegurou.<\/p>\n<p>A fase 2 foi conclu\u00edda na vacina\u00e7\u00e3o e na avalia\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a, em fevereiro de 2023, mas o relat\u00f3rio ainda n\u00e3o foi liberado. \u201cA avalia\u00e7\u00e3o da imunogenicidade est\u00e1 sendo aguardada. \u00c9 um processo complexo.\u201d\u00a0As c\u00e9lulas dos linf\u00f3citos dos indiv\u00edduos t\u00eam que vir para o Brasil e essa an\u00e1lise da resposta imunol\u00f3gica que reflete a imunogenicidade da vacina j\u00e1 est\u00e1 sendo feita \u2013 uma parte no Senegal, a relacionada a anticorpos, e a outra parte, a das c\u00e9lulas,\u00a0na Fiocruz, com tecnologia transferida para a funda\u00e7\u00e3o recentemente. As c\u00e9lulas est\u00e3o sendo transportadas no momento para o Brasil.<\/p>\n<h2>Vacina humanit\u00e1ria<\/h2>\n<p>A esquistossomose \u00e9 uma doen\u00e7a end\u00eamica em 74 pa\u00edses da \u00c1frica. Miriam Tendler afirmou que, com a\u00a0produ\u00e7\u00e3o da vacina contra a doen\u00e7a pela Fiocruz,\u00a0pela primeira vez, o Brasil entra como fornecedor da tecnologia de ponta. Normalmente, o pa\u00eds produz o imunizante, mas compra tecnologia. \u201cE desta vez ser\u00e1 fornecedor de tecnologia. Isso inverte o paradigma de a gente estar comprando do Hemisf\u00e9rio Norte ou da \u00c1sia, como foi o caso da\u00a0covid. A gente vai se capacitar atrav\u00e9s de Bio-Manguinhos.\u201d\u00a0A transfer\u00eancia da tecnologia para o Instituto Nacional de Imunobiol\u00f3gicos (Bio-Manguinhos), outra unidade da Fiocruz, j\u00e1 vem sendo trabalhada.<\/p>\n<p>Ela destacou que a Fiocruz assumiu o completo comando da fase final, inclusive da etapa de produ\u00e7\u00e3o da vacina. Isso dever\u00e1 ocorrer no contexto de uma vacina humanit\u00e1ria, que re\u00fane o formato e tecnologia de produtos estipulada pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). Os produtos direcionados para popula\u00e7\u00f5es de baixa renda s\u00e3o, preferencialmente, comercializados dentro de um crit\u00e9rio muito restrito. N\u00e3o v\u00e3o ser doados. Segundo a pesquisadora, para os pa\u00edses da \u00c1frica, a vacina\u00a0vai ser distribu\u00edda\u00a0pela Fiocruz, &#8220;no contexto de uma vacina humanit\u00e1ria&#8221; e &#8220;isso tem grande import\u00e2ncia\u201d. Um dos ganhos nesse per\u00edodo mais recente foi o escalonamento do processo de produ\u00e7\u00e3o da Sm14, que resultou em um processo de baix\u00edssimo custo e alto rendimento. Com isso, a Fiocruz vai poder trabalhar no horizonte de uma vacina humanit\u00e1ria e distribuir para os pa\u00edses africanos, ela destacou.<\/p>\n<p>Esses dados s\u00e3o muito importantes politicamente, porque, agora, o escrit\u00f3rio diplom\u00e1tico brasileiro em Genebra, chamado Miss\u00e3o Permanente do Brasil junto \u00e0 ONU, est\u00e1 apoiando a Fiocruz na elabora\u00e7\u00e3o de um trabalho junto aos pa\u00edses africanos, para cria\u00e7\u00e3o de um fundo de financiamento que permita viabilizar o fornecimento da Schistovac como uma vacina humanit\u00e1ria, com sua introdu\u00e7\u00e3o no calend\u00e1rio de imuniza\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses end\u00eamicos.<\/p>\n<h2>Risco<\/h2>\n<p>Atualmente, 800 milh\u00f5es de pessoas vivem em \u00e1reas de risco, sujeitas \u00e0 esquistossomose. Hoje, j\u00e1 s\u00e3o 300 milh\u00f5es de infectados no mundo inteiro. A doen\u00e7a n\u00e3o\u00a0\u00e9 de alta mortalidade, mas tem alt\u00edssimo impacto, sobretudo nas\u00a0popula\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses que precisam da sua popula\u00e7\u00e3o jovem para se desenvolver.\u00a0<\/p>\n<p>Embora os dados relativos ao Brasil sejam incompletos, Miriam Tendler\u00a0estima\u00a0que 2% da popula\u00e7\u00e3o sejam afetados pela esquistossomose, com ocorr\u00eancias maiores na Regi\u00e3o Nordeste e no sul de Minas Gerais. H\u00e1, contudo, focos se disseminando para o Sul e o Sudeste do pa\u00eds, em regi\u00f5es sem saneamento b\u00e1sico. \u201c\u00c9 uma doen\u00e7a que est\u00e1 em expans\u00e3o\u201d, afirmou a pesquisadora.\u00a0Tamb\u00e9m conhecida como barriga d\u2019\u00e1gua, a esquistossomose \u00e9 ligada a baixas condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias e \u00e0 falta de saneamento b\u00e1sico. \u201cO acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel e saneamento b\u00e1sico \u00e9 uma quest\u00e3o humana inquestion\u00e1vel\u201d, disse.<\/p>\n<p>Miriam Tendler avaliou que, a partir da tecnologia da Fiocruz, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para n\u00e3o se produzir vacinas para outras doen\u00e7as parasit\u00e1rias. \u201cA quest\u00e3o maior \u00e9 que, hoje, a gente tem tecnologia para fazer vacina. Ent\u00e3o, n\u00e3o tem porque n\u00e3o se fazer vacina para todas as doen\u00e7as parasit\u00e1rias. A gente est\u00e1 abrindo uma porta e espero que atr\u00e1s da gente venham as vacinas para as outras doen\u00e7as parasit\u00e1rias.\u201d\u00a0A Fiocruz est\u00e1 engajada em uma plataforma de vacinas antiparasit\u00e1rias. Embora as vacinas contra lepra [hansen\u00edase]\u00a0e leishmaniose estejam sendo desenvolvidas com tecnologia n\u00e3o brasileira, a pesquisadora ressaltou que o importante \u00e9 que a Fiocruz tamb\u00e9m est\u00e1 envolvida.\u00a0<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p>, Alana Gandra &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2023-06\/vacina-contra-esquistossomose-estara-disponivel-no-sus-em-2025\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Fonte: Agencia Brasil <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluir\u00e1 nos pr\u00f3ximos meses o processo de produ\u00e7\u00e3o da vacina Schistovac contra esquistossomose, que dever\u00e1 estar dispon\u00edvel para o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) no final de 2025. Esta \u00e9 a primeira vacina do mundo contra essa doen\u00e7a parasit\u00e1ria que \u00e9 considerada negligenciada. O nome \u00e9 derivado do Schistosoma mansoni, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":23211,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mbp_gutenberg_autopost":false,"footnotes":""},"categories":[58],"tags":[],"class_list":["post-23210","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23210","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23210"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23210\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/23211"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23210"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23210"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23210"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}