{"id":23084,"date":"2023-06-11T14:10:00","date_gmt":"2023-06-11T17:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/tratamento-precoce-de-cardiopatia-congenita-simples-nao-deixa-sequelas\/"},"modified":"2023-06-11T14:10:00","modified_gmt":"2023-06-11T17:10:00","slug":"tratamento-precoce-de-cardiopatia-congenita-simples-nao-deixa-sequelas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/?p=23084","title":{"rendered":"Tratamento precoce de cardiopatia cong\u00eanita simples n\u00e3o deixa sequelas"},"content":{"rendered":"<p> <\/p>\n<div>\n<p>O Dia Nacional de Conscientiza\u00e7\u00e3o da Cardiopatia Cong\u00eanita, uma anomalia na estrutura ou fun\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, \u00e9 lembrado nesta segunda-feira (12) no Brasil. Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 1% dos beb\u00eas que nascem no pa\u00eds tem alguma cardiopatia cong\u00eanita. Isso significa cerca de 29 mil a 30 mil novos casos por ano. Na ter\u00e7a-feira (13), o Instituto Nacional de Cardiologia (INC) promove uma sess\u00e3o de portas abertas para pacientes e familiares, com o objetivo de ajudar no entendimento de cada pessoa e esclarecer d\u00favidas sobre a doen\u00e7a.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/1686510290_445_ebc.png\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/1686510290_409_ebc.gif\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p>A anomalia surge na gesta\u00e7\u00e3o. \u201cA crian\u00e7a nasce com o problema; vem da barriga da m\u00e3e e, ao longo da vida, vai lidar com a doen\u00e7a, no formato da complexidade do que \u00e9 a doen\u00e7a na origem\u201d, disse \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong> a coordenadora do Servi\u00e7o de Cardiopatia Cong\u00eanita no Adulto e Doen\u00e7as da Aorta do INC, Maria Carolina Terra Cola,. A unidade \u00e9 refer\u00eancia do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade no Rio de Janeiro no tratamento de crian\u00e7as e adultos com cardiopatias cong\u00eanitas.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a pode ser mais ou menos complexa, explicou a m\u00e9dica. Quanto mais simples, maior \u00e9 a chance de a crian\u00e7a ter a doen\u00e7a tratada logo, ou seja, na primeira ou segunda inf\u00e2ncia, e ficar sem nenhuma sequela, tendo s\u00f3 o acompanhamento cardiol\u00f3gico normal, disse Maria Carolina.<\/p>\n<p>Quando a cardiopatia cong\u00eanita \u00e9 mais complexa, ou muito complexa, a crian\u00e7a, adolescente ou adulto v\u00e3o acabar tendo que lidar com o problema a vida toda e, muitas vezes, voltar ao hospital para interna\u00e7\u00f5es e interven\u00e7\u00f5es, que podem ser cirurgias ou cateterismo. \u201cE vivenciar isso a vida inteira, com maior ou menor grau de limita\u00e7\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s coisas simples da vida, como se exercitar, engravidar\u201d, acrescentou.<\/p>\n<h2>Riscos<\/h2>\n<p>De acordo com a m\u00e9dica, os riscos espec\u00edficos relacionados \u00e0 cardiopatia cong\u00eanita incluem infec\u00e7\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o (hemocardite) e necessidade de coloca\u00e7\u00e3o de marca-passo. \u201cA vida do paciente ser\u00e1 de acordo com a complexidade da cardiopatia. Vai ser de acordo com as sequelas, os res\u00edduos iniciais que a doen\u00e7a deixou na vida dele\u201d. Muitas vezes, o jovem tem de colocar uma v\u00e1lvula no cora\u00e7\u00e3o que, ao longo da vida, ter\u00e1 de ser trocada mais de uma vez, em per\u00edodos de dez anos.<\/p>\n<p>As doen\u00e7as mais simples podem at\u00e9 ser consideradas curadas na inf\u00e2ncia. O paciente vai ter acompanhamento m\u00e9dico, que pode ser feito pelo cardiologista. J\u00e1 nas cardiopatias de m\u00e9dia para alta complexidade, a gama de pacientes precisar\u00e1 ser assistida por um especialista. Isso sem contar quest\u00f5es da vida adulta, como trabalho, forma\u00e7\u00e3o, estudo, possibilidade de engravidar, necessidade de esteriliza\u00e7\u00e3o devido ao risco alto de engravidar, risco de endocardite e necessidade de novas interven\u00e7\u00f5es para pacientes mais complexos.<\/p>\n<p>Maria Carolina informou que pessoas com cardiopatia cong\u00eanita devem praticar atividade f\u00edsica, mas de acordo com suas possibilidades. \u201dTem aqueles para os quais ser\u00e1 liberada s\u00f3 a caminhada e outros que podem at\u00e9 ser liberados para esporte competitivos.\u201d<\/p>\n<p>As sequelas podem ocorrer na fun\u00e7\u00e3o card\u00edaca, na fun\u00e7\u00e3o de v\u00e1lvulas card\u00edacas, e tamb\u00e9m sob a forma de arritmia, hipertens\u00e3o arterial pulmonar. As altera\u00e7\u00f5es residuais que ficam no paciente \u00e9 que v\u00e3o determinar o que ele pode fazer, qual \u00e9 a mulher que poder\u00e1 engravidar sem nenhum problema. A vida do jovem ou adulto jovem cardiopata cong\u00eanito ser\u00e1 norteada pela complexidade da doen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a esses fatores.<\/p>\n<p>Segundo a m\u00e9dica, essas quest\u00f5es v\u00e3o poder ser customizadas de acordo com a gravidade e com o que o paciente apresenta em termos de les\u00f5es residuais, de problemas cardiol\u00f3gicos decorrentes da cardiopatia cong\u00eanita. Ela ressaltou que mesmo mulheres que j\u00e1 trocaram a v\u00e1lvula do cora\u00e7\u00e3o, mas que tenham cardiopatia cong\u00eanita de m\u00e9dia complexidade, poder\u00e3o engravidar. J\u00e1 as pacientes que acabam evoluindo para insufici\u00eancia card\u00edaca, hipertens\u00e3o arterial pulmonar, arritmias, ter\u00e3o a contraindica\u00e7\u00e3o, porque a gravidez se torna risco para sua vida.<\/p>\n<p>Algumas situa\u00e7\u00f5es de risco para engravidar podem ser resolvidas operando, destacou a m\u00e9dica do INC. Outras altera\u00e7\u00f5es, contudo, n\u00e3o podem ser resolvidas com cirurgia. \u201cPara essas pacientes, a gente desaconselha a gravidez\u201d. As crian\u00e7as do sexo feminino com cardiopatia muito complexa devem ser conscientizadas ao longo da adolesc\u00eancia, antes at\u00e9 da entrada na vida adulta, sobre o risco que v\u00e3o correr se engravidarem.<\/p>\n<h2>Estat\u00edsticas<\/h2>\n<p>A cardiopatia cong\u00eanita pode ser transmitida da m\u00e3e ou do pai para o filho. Por isso, \u00e9 importante em fam\u00edlias em que a cardiopatia se repete, que o paciente saiba que podem transmiti-la aos filhos. N\u00e3o \u00e9 incomum encontrar fam\u00edlias com v\u00e1rias altera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O n\u00famero de adultos cardiopatas cong\u00eanitos tem crescido continuamente. Um estudo de 2018 estimou que existam 50 milh\u00f5es de adultos portadores de cardiopatia cong\u00eanita no mundo. O Brasil acompanha a tend\u00eancia mundial. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), a incid\u00eancia de cardiopatias cong\u00eanitas varia entre 0,8% nos pa\u00edses com alta renda e 1,2% nos pa\u00edses com baixa renda \u2013 o valor m\u00e9dio de 1% de incid\u00eancia \u00e9 aceito para o Brasil e demais pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas, a mortalidade por cardiopatia cong\u00eanita em crian\u00e7as caiu quase tr\u00eas vezes, gra\u00e7as a avan\u00e7os nas t\u00e9cnicas cir\u00fargicas e hemodin\u00e2micas e nos diagn\u00f3sticos cada vez mais precoces e precisos feitos, muitas vezes, em fetos no \u00fatero das m\u00e3es. \u201cIsso deu uma sobrevida maior aos pacientes. Eu tenho pacientes operados na d\u00e9cada de 1970.\u201d No in\u00edcio, eles eram atendidos, n\u00e3o por especialistas, mas pelo pediatra, e viviam menos.<\/p>\n<p>Maria Carolina destacou que muitos cardiopatas cong\u00eanitos enfrentam dificuldades de engajamento na vida profissional e at\u00e9 de acesso ao ensino b\u00e1sico, ao terceiro grau. Muitos tamb\u00e9m n\u00e3o se consideram capazes. \u201cEssa \u00e9 uma de nossas preocupa\u00e7\u00f5es. Muitos pacientes com baixa complexidade nos abordam querendo laudo para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e n\u00f3s explicamos que eles est\u00e3o bem. A cardiopatia est\u00e1 curada, porque foi operado na inf\u00e2ncia, e as sequelas n\u00e3o s\u00e3o graves. O paciente pode estudar e trabalhar.\u201d<\/p>\n<p>A m\u00e9dica defendeu a necessidade de promover o desenvolvimento pessoal e profissional desses doentes, porque \u00e9 melhor ser um indiv\u00edduo produtivo, que colabora com a sociedade e consigo mesmo, na medida em que amplia sua autoestima e a realiza\u00e7\u00e3o pessoal. Nos casos de mais alta complexidade, quando o paciente n\u00e3o tem condi\u00e7\u00e3o de trabalhar, s\u00e3o necess\u00e1rios laudos para benef\u00edcio do INSS, porque ele tem limita\u00e7\u00e3o natural.<\/p>\n<h2>Fora da curva<\/h2>\n<p>A m\u00e9dica Maria Carolina aponta o caso de Cintia Maia como \u201cum ponto fora da curva\u201d. Diagnosticada com a doen\u00e7a com um m\u00eas e 15 dias, Cintia Maria teve o primeiro atendimento ocorreu no Hospital Universit\u00e1rio Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, fez a primeira cirurgia Hospital Quarto Centen\u00e1rio e continuou o tratamento no hospital da UFRJ.<\/p>\n<p>Quando engravidou e teve problemas, Cintia foi encaminhada para o Instituto Nacional de Cardiologia. O filho dela, que est\u00e1 com 11 anos, tratou a cardiopatia cong\u00eanita logo no in\u00edcio e hoje n\u00e3o tem problemas. Depois da gravidez, Cintia ficou debilitada, com muitas limita\u00e7\u00f5es, mas operou a v\u00e1lvula card\u00edaca e voltou a ter vida normal. \u201cEstudo, trabalho, fa\u00e7o tudo.\u201d<\/p>\n<p>Ela admite que sente alguma fadiga ou cansa\u00e7o, mas nada que a impe\u00e7a de realizar suas atividades. Cintia faz acompanhamento anual no Instituto Nacional de Cardiologia, para avaliar a necessidade de troca da v\u00e1lvula. Ela \u00e9 professora e neuropsicopedagoga.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p>, Alana Gandra<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2023-06\/tratamento-precoce-de-cardiopatia-congenita-simples-nao-deixa-sequelas\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Fonte: Agencia Brasil <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Dia Nacional de Conscientiza\u00e7\u00e3o da Cardiopatia Cong\u00eanita, uma anomalia na estrutura ou fun\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, \u00e9 lembrado nesta segunda-feira (12) no Brasil. Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 1% dos beb\u00eas que nascem no pa\u00eds tem alguma cardiopatia cong\u00eanita. Isso significa cerca de 29 mil a 30 mil novos casos por ano. 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