{"id":19219,"date":"2023-03-09T07:18:00","date_gmt":"2023-03-09T10:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/escola-inclusiva-deve-considerar-experiencia-de-vida-diz-professora\/"},"modified":"2023-03-09T07:18:00","modified_gmt":"2023-03-09T10:18:00","slug":"escola-inclusiva-deve-considerar-experiencia-de-vida-diz-professora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/?p=19219","title":{"rendered":"Escola inclusiva deve considerar experi\u00eancia de vida, diz professora"},"content":{"rendered":"<p> <\/p>\n<div>\n<p>A distin\u00e7\u00e3o entre escola regular e especial n\u00e3o existe para\u00a0Teresa Mantoan. Professora h\u00e1 mais de seis d\u00e9cadas, ela trabalha para sensibilizar a sociedade sobre a import\u00e2ncia da constru\u00e7\u00e3o de uma escola que inclua todos os alunos, com defici\u00eancias ou n\u00e3o. Em entrevista exclusiva \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil,<\/strong>\u00a0para marcar o Dia Internacional da Mulher, comemorado nessa quarta-feira (8), a docente mostra como \u00e9 poss\u00edvel pensar a educa\u00e7\u00e3o inclusiva no pa\u00eds.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/1678361084_870_ebc.png\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/1678361084_180_ebc.gif\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p>&#8220;Sou professora desde 1961 e ocorre que o meu jeito de ensinar \u00e9 muito pr\u00f3prio, n\u00e3o me alinho a nenhum m\u00e9todo educacional, nenhuma did\u00e1tica espec\u00edfica. Eu acredito que as pessoas tendem para o conhecimento porque todos n\u00f3s precisamos resolver problemas desde pequenos.\u00a0O\u00a0conhecimento \u00e9 uma forma de a gente poder se ver cada vez melhor e criar situa\u00e7\u00f5es que levem avan\u00e7os ao conhecimento de todos&#8221;, afirmou a professora.<\/p>\n<h2>Crian\u00e7a nota zero<\/h2>\n<p>Segundo Mantoan, sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria de vida como uma aluna desinteressada na inf\u00e2ncia a motivou a buscar caminhos diferentes da metodologia de ensino convencional.<\/p>\n<p>&#8220;Eu sempre tive essa ideia porque desde crian\u00e7a fui aluna nota zero. Eu nunca consegui, na escola,\u00a0<span id=\"OBJ_PREFIX_DWT255_com_zimbra_date\" role=\"link\">ter<\/span>\u00a0um bom aproveitamento. como eles diziam, porque n\u00e3o via utilidade naquilo que era ensinado. Quando eu perguntava [sobre] alguma coisa em que tinha interesse, que dizia\u00a0respeito \u00e0s disciplinas, eu era podada. Em matem\u00e1tica, l\u00edngua portuguesa, hist\u00f3ria, os professores diziam: \u2018olha, voc\u00ea precisa saber isso agora\u2019, e eu me sentia desprestigiada e sem vontade de continuar estudando uma coisa que j\u00e1 sabia. Como professora, fui a mesma coisa&#8221;, contou.<\/p>\n<p>Para Teresa Mantoan, a dist\u00e2ncia entre os conte\u00fados e o cotidiano dos alunos\u00a0torna mais dif\u00edcil o aprendizado das crian\u00e7as. Segundo a professora, o sistema atual \u00e9 baseado na simples reprodu\u00e7\u00e3o de um modelo e impede a capacidade reflexiva do estudante.<\/p>\n<p>&#8220;Quando me formei como normalista, em 1960, fui, no ano seguinte, trabalhar em uma escola seriada, e as crian\u00e7as j\u00e1 precisavam\u00a0<span id=\"OBJ_PREFIX_DWT256_com_zimbra_date\" role=\"link\">ter<\/span>\u00a0habilidades e compet\u00eancias para cursar\u00a0determinado ano ou disciplina. Mas isso n\u00e3o vale. O que vale \u00e9 aquilo que as crian\u00e7as j\u00e1 viveram de experi\u00eancias, e elas querem saber mais do que est\u00e1 previsto nas atividades curriculares. Todos somos curiosos, mas deixamos de ser porque a escola nos impinge conhecimento que \u2013 a meu ver \u2013 destr\u00f3i a capacidade de conhecer, de recriar o conhecimento&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<h2>Inclus\u00e3o<\/h2>\n<p>Por lei, pelo Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (PNE), o Brasil deve incluir todos os estudantes de 4 a 17 anos na escola. Os estudantes com necessidades especiais devem ser matriculados preferencialmente em classes comuns. Para isso, o Brasil deve garantir todo o sistema educacional inclusivo, salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou servi\u00e7os especializados, p\u00fablicos ou conveniados.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=72848:cheio_8colunas --><\/p>\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\">\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/loading_v2.gif\" data-echo=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/1020838-amazonia_1256.jpg\" alt=\"Colniza, MT, Brasil: Crian\u00e7as na escola da comunidade de ribeirinhos de S\u00e3o Louren\u00e7o.  (Foto: Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil)\" title=\"Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil\" class=\"flex-fill img-cover\"\/><br \/>\n        <noscript><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/1020838-amazonia_1256.jpg\" alt=\"Colniza, MT, Brasil: Crian\u00e7as na escola da comunidade de ribeirinhos de S\u00e3o Louren\u00e7o.  (Foto: Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil)\" title=\"Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil\" class=\"flex-fill img-cover\"\/><\/noscript>\n    <\/div>\n<p><!-- END scald=72848 --><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<p><!--copyright=72848-->Colniza, MT, Brasil: Crian\u00e7as na escola da comunidade de ribeirinhos de S\u00e3o Louren\u00e7o &#8211;\u00a0<strong>Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=72848--><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&#8220;O Brasil, pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o (LDB), \u00e9 um pa\u00eds genuinamente inclusivo e, no entanto, a educa\u00e7\u00e3o inclusiva n\u00e3o considerava tudo isso e mantinha certos alunos em escolas especiais e institui\u00e7\u00f5es especiais&#8221;, criticou.<\/p>\n<h2>&#8220;Estar com&#8221;<\/h2>\n<p>No in\u00edcio<span id=\"OBJ_PREFIX_DWT257_com_zimbra_date\" role=\"link\">\u00a0de janeiro<\/span>, o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva revogou decreto do ex-presidente Jair Bolsonaro que incentivou, em 2020, a cria\u00e7\u00e3o de classes especializadas em escolas regulares e escolas pr\u00f3prias para pessoas com defici\u00eancia. Na pr\u00e1tica, o dispositivo abria caminho para a cria\u00e7\u00e3o de escolas especiais para alunos com defici\u00eancia e aulas separadas, sem conviv\u00eancia com as outras crian\u00e7as. A medida j\u00e1 havia sido suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no mesmo ano, ap\u00f3s questionamento da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Temos uma clareza muito grande do que \u00e9 inclus\u00e3o. Inclus\u00e3o \u00e9 \u2018estar com\u2019, n\u00e3o \u00e9 estar junto. Junto a gente pode estar em toda parte, mas \u2018estar com\u2019 significa compartilhar, colaborar, cooperar, principalmente conviver. A inclus\u00e3o n\u00e3o \u00e9 estar do lado, \u00e0 frente do outro. \u00c9 estar com o outro e isso \u00e9 muito dif\u00edcil nas escolas do jeito como o governo tem agido, a partir de toda essa discuss\u00e3o feita de 2010 at\u00e9 2022. Os professores e as redes de ensino faziam interpreta\u00e7\u00f5es, e ainda fazem, muito diferentes do texto da pol\u00edtica&#8221;, disse.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=42452:cheio_8colunas --><\/p>\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\">\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/loading_v2.gif\" data-echo=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/972541-inclusao_abr2722.jpg\" alt=\"Escola melhora desenvolvimento de crian\u00e7as com defici\u00eancia\" title=\"Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil\" class=\"flex-fill img-cover\"\/><br \/>\n        <noscript><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/972541-inclusao_abr2722.jpg\" alt=\"Escola melhora desenvolvimento de crian\u00e7as com defici\u00eancia\" title=\"Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil\" class=\"flex-fill img-cover\"\/><\/noscript>\n    <\/div>\n<p><!-- END scald=42452 --><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<p><!--copyright=42452-->Escola melhora desenvolvimento de crian\u00e7as com defici\u00eancia &#8211; <strong>Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=42452--><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da professora, ainda h\u00e1 um entendimento distorcido sobre o que \u00e9 inclus\u00e3o dentro da pr\u00f3pria escola.<\/p>\n<p>&#8220;A inclus\u00e3o implica mudan\u00e7a do modo como conceber, realizar e avaliar o ensino. Na concep\u00e7\u00e3o atual, a inclus\u00e3o dos alunos da educa\u00e7\u00e3o especial \u00e9 muito complicada porque eles fogem do modelo [padr\u00e3o]. Por outro lado, os pais das pessoas com defici\u00eancia se veem numa situa\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil, de fazer com que os professores tenham uma vis\u00e3o do filho deles como pessoas que n\u00e3o se encaixam em um modelo&#8221;, observou. &#8220;Os pais querem que seus filhos sejam vistos como pessoas e n\u00e3o [apenas] como \u2018pessoas com defici\u00eancia\u2019&#8221;.\u00a0<\/p>\n<h2>Forma\u00e7\u00e3o deficiente<\/h2>\n<p>Atualmente, Teresa Mantoan lidera o Laborat\u00f3rio de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diferen\u00e7a (Leped) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), criado em 1996 para ampliar as pesquisas na \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o inclusiva.\u00a0 Para\u00a0a professora, a forma\u00e7\u00e3o atual ainda n\u00e3o capacita adequadamente docentes para uma educa\u00e7\u00e3o de fato inclusiva.<\/p>\n<p>&#8220;A pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o das universidades deixa muito a desejar, o pedagogo \u00e9 malformado. Ao pedagogo se ensina a did\u00e1tica da matem\u00e1tica, da l\u00edngua portuguesa, e isso n\u00e3o existe. Estamos em uma educa\u00e7\u00e3o p\u00f3s-moderna, o mundo \u00e9 outro&#8221;, disse. &#8220;Ensinar n\u00e3o \u00e9 simplesmente transmitir conte\u00fados, conhecimentos que n\u00e3o tenham gancho anterior na experi\u00eancia da crian\u00e7a, que n\u00e3o tenham sentido para ela. Os conte\u00fados n\u00e3o funcionam como fim da aprendizagem. O conte\u00fado tem que ser um meio para que o aluno possa entender melhor o que o conte\u00fado quer dizer&#8221;, completou.<\/p>\n<p>Autora do livro <em>A escola que queremos para todos<\/em>, a professora defende que a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja apenas reprodu\u00e7\u00e3o de conte\u00fados program\u00e1ticos, dividindo alunos por conhecimentos decorados.\u00a0<\/p>\n<p>\u201c[A escola que defendo] \u00e9 aquela em que alunos e professores v\u00e3o experimentar o mundo a partir de conte\u00fados dos curr\u00edculos, mas sem uma preocupa\u00e7\u00e3o de que todos aprendam e tenham as mesmas capacidades de respostas e interesses. A escola dif\u00edcil \u00e9 essa [atual] que dribla para o que ela mesma quer, n\u00e3o o que \u00e9 de interesse do aluno. Na pr\u00e1tica, \u00e9 fazer com que os professores e, principalmente, quem coordena as pol\u00edticas educacionais entendam\u00a0que estudar n\u00e3o \u00e9 decorar conte\u00fado, muito menos\u00a0<span id=\"OBJ_PREFIX_DWT258_com_zimbra_date\" role=\"link\">ter<\/span>\u00a0as mesmas capacidades, pois elas variam entre as pessoas\u201d, argumentou.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p>, Heloisa Cristaldo &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/educacao\/noticia\/2023-03\/escola-inclusiva-deve-considerar-experiencia-de-vida-diz-professora\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Fonte: Agencia Brasil <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A distin\u00e7\u00e3o entre escola regular e especial n\u00e3o existe para\u00a0Teresa Mantoan. 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