{"id":16728,"date":"2023-01-13T16:23:00","date_gmt":"2023-01-13T19:23:00","guid":{"rendered":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/primeira-engenheira-negra-do-brasil-completaria-hoje-110-anos\/"},"modified":"2023-01-13T16:23:00","modified_gmt":"2023-01-13T19:23:00","slug":"primeira-engenheira-negra-do-brasil-completaria-hoje-110-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/?p=16728","title":{"rendered":"Primeira engenheira negra do Brasil completaria hoje 110 anos"},"content":{"rendered":"<p> <\/p>\n<div>\n<p>Enedina Alves Marques, a primeira mulher a se formar em engenharia no Paran\u00e1 e a primeira engenheira negra do Brasil, completaria hoje (13) 110 anos. Enedina nasceu em Curitiba, no dia 13 de janeiro de 1913. Formou-se em Engenharia Civil em 1945, pela Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR). Ela morreu em 1981 e recebeu uma s\u00e9rie de homenagens. Nesta sexta-feira \u00e9 ela quem aparece na p\u00e1gina principal de buscas do Google.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/1673642228_212_ebc.png\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/1673642229_648_ebc.gif\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p>\u201cO pioneirismo de Enedina inspira at\u00e9 hoje a presen\u00e7a de mulheres negras em profiss\u00f5es ligadas \u00e0 tecnologia\u201d, disse a UFPR. De acordo com a universidade, a dedica\u00e7\u00e3o aos estudos e \u201ca coragem para romper barreiras s\u00e3o caracter\u00edsticas presentes na hist\u00f3ria da engenheira\u201d.<\/p>\n<p>A biografia de Enedina, que em 1940 buscou inserir-se em uma \u00e1rea profissional ocupada majoritariamente por homens, foi tema do trabalho de conclus\u00e3o do curso de hist\u00f3ria na UFPR do estudante Jorge Luiz Santana.<\/p>\n<p><a rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/revistas.ufpr.br\/vernaculo\/article\/view\/33232\/21293\">O estudante diz, em artigo<\/a>, que escolheu escrever sobre ela porque havia poucos registros at\u00e9 ent\u00e3o. \u201cO silenciamento do seu nome incentivou a pesquisa a problematizar o porqu\u00ea do desinteresse em dar visibilidade a uma pessoa que desafiou os padr\u00f5es acad\u00eamicos e sociais escolhendo uma profiss\u00e3o pouco usual para as mulheres, naquele momento. O fato de ser negra e origin\u00e1ria de uma fam\u00edlia pobre teria sido relevante para que ela permanecesse no anonimato?\u201d, questiona. Enedina \u00e9 filha de um lavrador e uma empregada dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>Na pesquisa, Santana conversou com v\u00e1rias pessoas ligadas de alguma forma \u00e0 Enedina. Um dos primeiros relatos \u00e9 o da formatura de Enedina. \u201cSua formatura foi marcada, essencialmente, como um feito de grande curiosidade para a sociedade curitibana, pelo fato de ter conseguido transpor um espa\u00e7o hegemonicamente masculino e branco\u201d.<\/p>\n<p>Ela graduou-se aos 32 anos de idade, ap\u00f3s persistir nos estudos, geralmente em classes noturnas, para concili\u00e1-los com o trabalho.<\/p>\n<p>Santana lembra que ela sofreu preconceito e persegui\u00e7\u00f5es na universidade. Havia professores que insistiam em reprov\u00e1-la. Em um dos epis\u00f3dios em que recebeu nota baixa em avalia\u00e7\u00e3o, ela precisou mostrar ao professor o trecho que usou na resposta, tirada do livro do pr\u00f3prio professor. \u201cEu disse [para o professor], que o que o senhor escreveu no seu livro, \u00e9 o mesmo que eu vejo aqui. E a\u00ed ele n\u00e3o gostou. Ela mostrou no livro o que eu deduzi l\u00e1 no quadro, e a conclus\u00e3o que eu cheguei est\u00e3o escritos aqui no seu livro\u201d, revelou em depoimento o que Enedina disse ao professor o colega de faculdade Adelino Alves da Silva, que foi a quarta pessoa negra a se diplomar no curso de engenharia da Escola de Engenharia do Paran\u00e1, em 1947.<\/p>\n<p>Em artigo, Conradine Taggesell, a sexta mulher diplomada em engenheira civil, em 1956, descreve o cen\u00e1rio para as mulheres na \u00e9poca. \u201c\u00c9ramos uns 80 alunos e apenas tr\u00eas mulheres. Apenas eu de mulher me formei naquela turma, as outras duas colegas infelizmente desistiram. Eu me dava bem com os professores. Naquele tempo, a faculdade de engenharia era reduto masculino\u201d.<\/p>\n<h2>Obras e homenagens<\/h2>\n<p>A Universidade Federal de Itajub\u00e1 (Unifei) possui um <a rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/unifei.edu.br\/personalidades-do-muro\/\">espa\u00e7o online para a descri\u00e7\u00e3o da vida de personalidades<\/a>, do qual Enedina faz parte. De acordo com a publica\u00e7\u00e3o, depois de formada, em 1946, ela tornou-se auxiliar de engenharia na Secretaria de Estado de Via\u00e7\u00e3o e Obras P\u00fablicas. No ano seguinte, o governador Mois\u00e9s Lupion a transferiu para o Departamento Estadual de \u00c1guas e Energia El\u00e9trica, onde trabalhou no Plano Hidrel\u00e9trico do Paran\u00e1 e atuou no aproveitamento das \u00e1guas dos rios Capivari, Cachoeira e Igua\u00e7u.<\/p>\n<p>Entre suas obras como engenheira est\u00e3o a Usina Capivari-Cachoeira, o Col\u00e9gio Estadual do Paran\u00e1 e a Casa do Estudante Universit\u00e1rio de Curitiba (CEU). A Usina Capivari-Cachoeira, que \u00e9 a maior central hidrel\u00e9trica subterr\u00e2nea do sul do pa\u00eds, \u00e9 considerada uma das principais obras da engenheira.<\/p>\n<p>Sobre a obra, a Unifei revela uma curiosidade que reflete a desigualdade de g\u00eanero no pa\u00eds. \u201cApesar de vaidosa em sua vida pessoal, durante a obra na usina ficou conhecida por usar macac\u00e3o e portar uma arma na cintura para se fazer respeitada. En\u00e9rgica e rigorosa, impunha-se sempre, pois, al\u00e9m de ser mulher trabalhando num ambiente majoritariamente ocupado por homens, era negra\u201d.<\/p>\n<p>Em 1962, Enedina aposentou-se e recebeu o reconhecimento do ent\u00e3o governador Ney Braga, que, por decreto, admitiu os feitos da engenheira e lhe garantiu proventos equivalentes ao sal\u00e1rio de um juiz. Enedina morreu em 1981.<\/p>\n<p>Alguns anos depois, em 1988, deu nome a uma importante rua no bairro Cajuru, em Curitiba. No ano de 2000, foi imortalizada no Memorial \u00e0 Mulher Pioneira do Paran\u00e1, em Curitiba, ao lado de outras mulheres pioneiras do Brasil. Em 2006, foi fundado o Instituto de Mulheres Negras Enedina Alves Marques, em Maring\u00e1.<\/p>\n<h2>Mulheres nas ci\u00eancias<\/h2>\n<p>Ainda hoje, as mulheres, e sobretudo mulheres negras, enfrentam uma s\u00e9rie de desafios e desigualdades nas carreias cient\u00edficas.<\/p>\n<p>Relat\u00f3rio divulgado no ano passado pelo British Council, em parceria com a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco), mostra que as mulheres representam quase a metade, 46%, do total de pesquisadores nos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e do Caribe. Com isso, a regi\u00e3o conquistou, na \u00faltima d\u00e9cada, a paridade de g\u00eanero na ci\u00eancia. Mesmo nesse cen\u00e1rio, meninas e mulheres ainda enfrentam uma s\u00e9rie de desigualdades no que diz respeito ao acesso a temas cient\u00edficos, al\u00e9m de sofrerem preconceito e viol\u00eancia de g\u00eanero nesses pa\u00edses.<\/p>\n<p>Quando considerados apenas os estudos em STEM, sigla em ingl\u00eas para ci\u00eancia, tecnologia, engenharia e matem\u00e1tica, a desigualdade aumenta. <a rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/educacao\/noticia\/2022-03\/mulheres-sao-46-do-total-de-pesquisadores-da-america-latina-e-caribe\">O estudo mostra que a porcentagem de mulheres investigadoras que trabalham em engenharia e tecnologia<\/a> na regi\u00e3o \u00e9 muito mais baixa do que a dos homens. Em alguns pa\u00edses, como Bol\u00edvia e Peru, essa porcentagem \u00e9 inferior a 20%.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 desigualdade racial no ensino superior, <a rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/gemaa.iesp.uerj.br\/ensaios\/a-diversificacao-racial-e-economica-do-ensino-superior-publico-brasileiro-depois-das-cotas\/\">texto publicado pelo Grupo de Estudos Multidisciplinares da A\u00e7\u00e3o Afirmativa (Gemaa)<\/a>, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) mostra que jovens brancos e amarelos passaram de ter 2,8 vezes mais chances de estarem matriculados no ensino superior p\u00fablico que jovens pretos, pardos e ind\u00edgenas em 2001, para 1,6 vezes mais chances em 2021.<\/p>\n<p>\u201cEntretanto, \u00e9 preciso dizer que brancos e amarelos ainda t\u00eam um peso maior no ensino superior p\u00fablico do que pretos, pardos e ind\u00edgenas, o que nos coloca ainda longe de um est\u00e1gio de equidade que permita cogitar o fim das cotas raciais\u201d, diz o texto.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p>, Mariana Tokarnia &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/educacao\/noticia\/2023-01\/primeira-engenheira-negra-do-brasil-completaria-hoje-110-anos\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Fonte: Agencia Brasil <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enedina Alves Marques, a primeira mulher a se formar em engenharia no Paran\u00e1 e a primeira engenheira negra do Brasil, completaria hoje (13) 110 anos. 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