{"id":13135,"date":"2022-10-22T14:24:00","date_gmt":"2022-10-22T17:24:00","guid":{"rendered":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/projeto-de-ciencia-para-mulheres-ganha-premio-internacional\/"},"modified":"2022-10-22T14:24:00","modified_gmt":"2022-10-22T17:24:00","slug":"projeto-de-ciencia-para-mulheres-ganha-premio-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/?p=13135","title":{"rendered":"Projeto de ci\u00eancia para mulheres ganha pr\u00eamio internacional"},"content":{"rendered":"<p> <\/p>\n<div>\n<p>A baixa presen\u00e7a de mulheres no curso de f\u00edsica foi o que motivou as professoras da Universidade Federal do Rio<span id=\"OBJ_PREFIX_DWT303_com_zimbra_date\" role=\"link\">\u00a0de Janeiro<\/span>\u00a0(UFRJ) Elis Sinnecker, Tatiana Rappaport e Thereza Paiva a criarem o projeto Tem Menina no Circuito, em 2013. Com quase dez anos de exist\u00eancia, a iniciativa foi vencedora da edi\u00e7\u00e3o de 2022 do Pr\u00eamio Nature Mulheres Inspiradoras na Ci\u00eancia, na categoria Divulga\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/1666461741_651_ebc.png\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/1666461741_562_ebc.gif\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p>A revista Nature, publicada desde 1869 \u00e9, atualmente, uma das principais publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas no mundo. O <a rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/immersive\/inspiringwomeninscience\/index.html\">pr\u00eamio<\/a>\u00a0foi entregue \u00e0s pesquisadoras do Instituto de F\u00edsica em cerim\u00f4nia realizada em Londres no \u00faltimo dia 11. \u201cEsse pr\u00eamio \u00e9 muito importante para a gente, \u00e9 um reconhecimento internacional, \u00e9 um pr\u00eamio de muito prest\u00edgio\u201d, diz Thereza.<\/p>\n<p>O Tem Menina no Circuito foi fundado\u00a0como uma iniciativa para incentivar meninas a gostarem e a se engajarem em ci\u00eancias exatas. O projeto ocorre em cinco escolas de regi\u00f5es de baixa renda do Rio<span id=\"OBJ_PREFIX_DWT305_com_zimbra_date\" role=\"link\">\u00a0de Janeiro<\/span>\u00a0e, desde 2019, tamb\u00e9m em Uberl\u00e2ndia, em Minas Gerais.<\/p>\n<p>O projeto promove uma s\u00e9rie de atividades voltadas para as meninas. \u201cA gente n\u00e3o chama nossas atividades de aula, fazemos quest\u00e3o de n\u00e3o ir para o quadro. As atividades s\u00e3o m\u00e3o na massa\u201d, explica Thereza. Elas re\u00fanem materiais usualmente usados em circuitos el\u00e9tricos, como baterias, fitas condutoras e leds com objetos l\u00fadicos de artesanato e trabalho manual, como papel, tecido e massa de modelar e colocam em pr\u00e1tica o que aprendem.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Al\u00e9m das atividades nas escolas regulares, o projeto promove atividades extras levando as meninas para espa\u00e7os de ci\u00eancia, como os laborat\u00f3rios da pr\u00f3pria UFRJ e da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz). O projeto tamb\u00e9m realiza a\u00e7\u00f5es nas escolas voltadas para os estudantes em geral, como palestras, oficinas de rob\u00f3tica e feiras de ci\u00eancias, que incluem os meninos.<\/p>\n<h2>Mulheres na ci\u00eancia<\/h2>\n<p>Neste ano, relat\u00f3rio do British Council, em parceria com a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco), mostrou que a Am\u00e9rica Latina e o Caribe atingiram a paridade de g\u00eanero na ci\u00eancia, com as <a rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/educacao\/noticia\/2022-03\/mulheres-sao-46-do-total-de-pesquisadores-da-america-latina-e-caribe\">mulheres representando 46% do total de pesquisadores da regi\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p>No entanto, quando se tratam das \u00e1reas de exatas, a porcentagem de pesquisadoras cai. Considerados apenas os estudos em STEM, sigla em ingl\u00eas para ci\u00eancia, tecnologia, engenharia e matem\u00e1tica, o estudo mostra que a porcentagem de mulheres investigadoras que trabalham em engenharia e tecnologia na regi\u00e3o \u00e9 muito mais baixa do que a dos homens. Em alguns pa\u00edses, como Bol\u00edvia e Peru, esta porcentagem \u00e9 inferior a 20%.<\/p>\n<p>O projeto surge para incentivar e dar oportunidade para as meninas seguirem carreira em exatas. \u201cA ci\u00eancia precisa de diversidade. Para a ci\u00eancia, \u00e9 melhor que haja pessoas diversas trabalhando, isso aumenta a chance de resolver problemas\u201d, diz Thereza.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Outro impacto observado no projeto \u00e9 uma maior busca pelo ensino superior. A partir do momento que as estudantes se aproximam das universidades, elas percebem esse espa\u00e7o como um lugar que pode ser ocupado por elas. \u201cA gente est\u00e1 fazendo inclus\u00e3o pela ci\u00eancia. Motiva as meninas e o entorno delas, fomenta feira de ci\u00eancia, motiva a busca pelo ensino superior\u201d afirma a pesquisadora.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>No in\u00edcio deste ano, em conjunto com outros pesquisadores, Thereza publicou um artigo com um levantamento das professoras nas \u00e1reas de matem\u00e1tica, f\u00edsica e qu\u00edmica das principais universidades e centros de pesquisas sediados no estado do Rio<span id=\"OBJ_PREFIX_DWT307_com_zimbra_date\" role=\"link\">\u00a0de Janeiro<\/span>.\u00a0\u00a0Os dados mostram que <a rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/cienciahoje.org.br\/artigo\/equidade-de-genero-longe-das-ciencias-exatas-no-rio-de-janeiro\/\">h\u00e1 mais professores homens nessas \u00e1reas do que mulheres<\/a>.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea de matem\u00e1tica, s\u00e3o 104 mulheres e 275 homens e na de qu\u00edmica, 167 mulheres e 219 homens. No caso da f\u00edsica, o estudo identifica um abismo ainda maior: 66 mulheres e 258 homens. Considerada a ra\u00e7a, a diferen\u00e7a aumenta. Segundo a publica\u00e7\u00e3o, entre os 324 docentes e pesquisadores em f\u00edsica nas institui\u00e7\u00f5es consideradas, foi encontrada apenas uma mulher n\u00e3o branca.<\/p>\n<h2>De estudante a professora<\/h2>\n<p>A ent\u00e3o estudante Gabriella Galdino foi uma das primeiras participantes do projeto, em 2014, quando estava no 2\u00ba ano do ensino m\u00e9dio, no col\u00e9gio estadual Alfredo Neves, em Nova Igua\u00e7u. Ela conta que sempre se interessou pela \u00e1rea de exatas, mas foi com o projeto que pode conhecer melhor os campos de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO diferencial para mim, al\u00e9m das atividades de f\u00edsica, foram as visitas \u00e0s universidades. Com o projeto, consegui\u00a0<span id=\"OBJ_PREFIX_DWT309_com_zimbra_date\" role=\"link\">ter<\/span>\u00a0acesso, visualizar como era a rotina de aluno na universidade e perceber que \u00e9 acess\u00edvel\u201d, diz.<\/p>\n<p>Gabriella, por influ\u00eancia do projeto, escolheu a carreira de f\u00edsica e\u00a0<span id=\"OBJ_PREFIX_DWT310_com_zimbra_date\" role=\"link\">hoje<\/span>\u00a0\u00e9 professora em tr\u00eas escolas. Na turma, na UFRJ, ela era uma das poucas meninas e tamb\u00e9m uma das \u00fanicas a se formar em f\u00edsica. Outras acabaram mudando de curso ao longo da forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAcho que as meninas acabam n\u00e3o indo para a \u00e1rea de exatas pela falta de modelos, pela falta de exemplos do que seria trabalhar em uma \u00e1rea dessas e por uma quest\u00e3o cultural. Desde pequena a gente \u00e9 criada para cuidar das pessoas, por isso v\u00e3o para as \u00e1reas de cuidado, educa\u00e7\u00e3o infantil, sa\u00fade\u201d, diz.<\/p>\n<p>O projeto tem apoio da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Rio<span id=\"OBJ_PREFIX_DWT311_com_zimbra_date\" role=\"link\">\u00a0de Janeiro<\/span>\u00a0(Faperj) e do Instituto Reditus e ampliou suas atividades em 2019, passando a atuar tamb\u00e9m na Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia, em Minas Gerais.<\/p>\n<p>Com o pr\u00eamio, a iniciativa ir\u00e1 receber US50 mil para investir em atividades relacionadas \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e ensino de tecnologia.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p>, Mariana Tokarnia \u2013 Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/educacao\/noticia\/2022-10\/projeto-de-ciencia-para-mulheres-ganha-premio-internacional\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Fonte: Agencia Brasil <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A baixa presen\u00e7a de mulheres no curso de f\u00edsica foi o que motivou as professoras da Universidade Federal do Rio\u00a0de Janeiro\u00a0(UFRJ) Elis Sinnecker, Tatiana Rappaport e Thereza Paiva a criarem o projeto Tem Menina no Circuito, em 2013. 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