{"id":11165,"date":"2022-09-09T19:49:00","date_gmt":"2022-09-09T22:49:00","guid":{"rendered":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/pais-deixam-de-vacinar-filhos-contra-doencas-controladas-diz-pesquisa\/"},"modified":"2022-09-09T19:49:00","modified_gmt":"2022-09-09T22:49:00","slug":"pais-deixam-de-vacinar-filhos-contra-doencas-controladas-diz-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/?p=11165","title":{"rendered":"Pais deixam de vacinar filhos contra doen\u00e7as controladas, diz pesquisa"},"content":{"rendered":"<p> <\/p>\n<div>\n<p>Pesquisa divulgada na 24\u00aa Jornada Nacional de Imuniza\u00e7\u00f5es revela que 16% dos brasileiros consideram desnecess\u00e1rio aplicar nos filhos vacinas contra doen\u00e7as que j\u00e1 n\u00e3o circulam mais no pa\u00eds. O dado consta do Inqu\u00e9rito de Cobertura Vacinal das crian\u00e7as nascidas em 2017 e 2018. Para o inqu\u00e9rito foram realizadas mais de 38 mil entrevistas.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/1662776845_884_ebc.png\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/voltaredonda.rio.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/1662776845_606_ebc.gif\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p>O evento termina neste s\u00e1bado (10) no Centro de Conven\u00e7\u00f5es Frei Caneca, na capital paulista.<\/p>\n<p>Embora seja aparentemente pequeno em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 amostra, o n\u00famero gera preocupa\u00e7\u00e3o entre especialistas, j\u00e1 que o Brasil vem deixando de cumprir as metas de coberturas vacinais e apresenta queda nos n\u00fameros de vacina\u00e7\u00e3o desde 2015. Sem o cumprimento das metas, aumentam as chances de o Brasil voltar a apresentar doen\u00e7as que, at\u00e9 ent\u00e3o, eram consideradas eliminadas ou controladas, como a poliomielite.<\/p>\n<p>Como o Brasil n\u00e3o registra casos da poliomielite desde 1989, muita gente pensa, equivocadamente, que n\u00e3o \u00e9 mais necess\u00e1rio vacinar-se contra a doen\u00e7a. O que ocorre, no entanto, \u00e9 que, quanto menos pessoas se vacinam, mais aumenta o risco de a doen\u00e7a voltar a se desenvolver no pa\u00eds. Foi o caso do sarampo, por exemplo. O Brasil recebeu o certificado de elimina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a em 2016, mas tr\u00eas anos depois, com baixa cobertura vacinal, o pa\u00eds perdeu o reconhecimento por n\u00e3o conseguir controlar um surto de sarampo, que se espalhou por diversos estados.<\/p>\n<h2>Dificuldades<\/h2>\n<p>A pesquisa demonstrou ainda que um pequeno n\u00famero de pessoas (cerca de 3% dos entrevistados) resolveu n\u00e3o levar os filhos para receber uma ou mais vacinas. Desse total, 24,5% informaram que n\u00e3o o fizeram por causa da pandemia de covid-19, ou por medo da rea\u00e7\u00e3o \u00e0s vacinas (24,4%).<\/p>\n<p>Outros disseram ter tentado levar os filhos para tomar vacinas, mas encontraram dificuldades para faz\u00ea-lo (7,6% dos entrevistados). A principal dificuldade relatada foi o fato de o posto de sa\u00fade ficar longe da resid\u00eancia ou do local de trabalho (o que foi apontado por 21% dos que disseram ter tido dificuldades), seguido por falta de tempo (16,6%), hor\u00e1rio inadequado de funcionamento do posto (14,1%) e at\u00e9 falta de meio de transporte para chegar ao local de vacina\u00e7\u00e3o (12%).<\/p>\n<p>\u201cNo estudo, observamos que existem tr\u00eas aspectos principais: o primeiro \u00e9 a n\u00e3o necessidade de vacinar contra doen\u00e7as que se acredita que n\u00e3o existam mais, mas existem. O segundo aspecto \u00e9 o medo de rea\u00e7\u00f5es graves e o terceiro, dificuldade de acesso e da infraestrutura das unidades. Esse conjunto faz com que tenhamos cobertura vacinal insuficiente para o controle das doen\u00e7as\u201d, disse Jos\u00e9 Cassio de Moraes, professor titular da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Santa Casa de S\u00e3o Paulo e coordenador do inqu\u00e9rito.<\/p>\n<p>\u201cA consequ\u00eancia da hesita\u00e7\u00e3o vacinal, que \u00e9 devida a m\u00faltiplos aspectos, \u00e9 fazer com que a cobertura seja baixa. Isso permite o retorno de doen\u00e7as j\u00e1 eliminadas como a poliomielite; [gera] dificuldades para elimina\u00e7\u00e3o do sarampo, que j\u00e1 tivemos; e aumento de casos de coqueluche, difteria e outras doen\u00e7as imunodeprim\u00edveis\u201d, disse Moraes, em entrevista \u00e0<strong> Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil teve um sucesso importante nesse programa [nacional de imuniza\u00e7\u00f5es]. Foi considerado um programa l\u00edder no mundo, tanto na cobertura quanto no n\u00famero de vacinas inclu\u00eddas, mas hoje corremos o risco de cair quase para o \u00faltimo lugar\u201d, lamentou o professor.<\/p>\n<p>Para Moraes, \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o preocupante. \u201cAt\u00e9 2015, consegu\u00edamos atingir n\u00edvel de cobertura muito bom. Temos boa infraestrutura: quase 38 mil salas de vacinas, conseguimos aplicar facilmente 2 milh\u00f5es de doses ao dia, como foi mostrado durante a pandemia de covid-19, mas precisamos fazer uma boa comunica\u00e7\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o temos uma comunica\u00e7\u00e3o adequada\u201d, afirmou. \u201cPodemos regressar na ocorr\u00eancia de doen\u00e7as e ter hospitais cheios com um quadro de doen\u00e7as imunopreven\u00edveis\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros tamb\u00e9m preocupam a representante da Organiza\u00e7\u00e3o Pan\u2013Americana da Sa\u00fade (Opas), Lely Guzman. \u201cH\u00e1 muita desinforma\u00e7\u00e3o. E agora, com as redes sociais, a desinforma\u00e7\u00e3o chega muito mais r\u00e1pida. Precisamos estar \u00e0 frente para identificar o que est\u00e1 gerando a desinforma\u00e7\u00e3o, onde se est\u00e3o gerando essas preocupa\u00e7\u00f5es, para podermos evidenciar a confian\u00e7a e seguran\u00e7a das vacinas\u201d, disse Lely Guzman \u00e0 reportagem.<\/p>\n<p>De acordo com Lely, nos dois \u00faltimos anos de pandemia, a cobertura dos programas de rotina vacinal caiu muito, n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas em toda a regi\u00e3o. \u201cE a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade [OMS]est\u00e1 fazendo um chamado porque, em todas as regi\u00f5es, a queda foi muito importante, o que coloca em risco a volta de doen\u00e7as que j\u00e1 estavam controladas, que estavam em processo de elimina\u00e7\u00e3o e doen\u00e7as que ainda est\u00e3o erradicadas.\u201d<\/p>\n<p>Ela defendeu a necessidade de sensibilizar as comunidades, as autoridades, os meios de comunica\u00e7\u00e3o, as universidades, a sociedade, para que se volte a acreditar na vacina. \u201cTemos que unir esfor\u00e7os\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>O pesquisador Jos\u00e9 Cassio de Moraes tamb\u00e9m aponta a uni\u00e3o de esfor\u00e7os como uma estrat\u00e9gia importante para a retomada de n\u00edveis elevados de vacina\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. \u201cTem que haver uni\u00e3o de esfor\u00e7os entre os tr\u00eas n\u00edveis de governo: federal, estadual e municipal. Uma comunica\u00e7\u00e3o boa entre esses tr\u00eas n\u00edveis e a popula\u00e7\u00e3o e um trabalho junto aos profissionais de sa\u00fade para capacit\u00e1-los para as vacinas\u201d, afirmou.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p>, Elaine Patricia Cruz \u2013 Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2022-09\/pais-deixam-de-vacinar-filhos-contra-doencas-controladas-diz-pesquisa\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Fonte: Agencia Brasil <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa divulgada na 24\u00aa Jornada Nacional de Imuniza\u00e7\u00f5es revela que 16% dos brasileiros consideram desnecess\u00e1rio aplicar nos filhos vacinas contra doen\u00e7as que j\u00e1 n\u00e3o circulam mais no pa\u00eds. O dado consta do Inqu\u00e9rito de Cobertura Vacinal das crian\u00e7as nascidas em 2017 e 2018. Para o inqu\u00e9rito foram realizadas mais de 38 mil entrevistas. 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