Aos 87 anos, idosa do Centro-Dia da Prefeitura de Volta Redonda embarca em viagem e celebra novos recomeços em Mangaratiba

Aos 87 anos, idosa do Centro-Dia da Prefeitura de Volta Redonda embarca em viagem e celebra novos recomeços em Mangaratiba


Passeio reúne 26 usuários do serviço da Assistência Social em momentos de lazer, convivência e novas experiências

Aos 87 anos, Dimar do Espírito Santo Andrade sabe que a vida pode mudar de repente. Moradora do bairro Retiro, em Volta Redonda, ela perdeu um filho de forma inesperada e precisou encontrar forças para seguir em frente. Foi no Centro-Dia de Atendimento ao Idoso José Conrado, da Prefeitura de Volta Redonda, que encontrou acolhimento, convivência e novos motivos para sorrir. Nesta quarta-feira (2), com chapéu e maiô na mala, ela embarcou para Mangaratiba, na Costa Verde do estado, pronta para viver mais uma experiência ao lado dos amigos.

“Eu passei por um trauma muito grande quando perdi um filho de repente. Ele foi internado à noite e, no dia seguinte, faleceu. Foi muito difícil. O Centro-Dia foi um lugar que me acolheu naquele momento. As pessoas conversaram comigo, estiveram perto de mim, tiveram cuidado. Eu só tenho a agradecer à Rose e a todas as cuidadoras. Eu me sinto muito querida lá”, conta Dimar.

Há cerca de um ano e meio no Centro-Dia, onde participa das atividades duas vezes por semana, ela encontrou no espaço muito mais do que atendimento. Encontrou companhia, amizade e um ambiente onde pode continuar sendo quem é: comunicativa, brincalhona e cheia de disposição para aproveitar a vida.

“Eu sou muito falante, gosto de brincar e procuro não deixar que as dificuldades da vida me abatam. Vou superando. Aprendi a viver um dia de cada vez. Se eu não tivesse encontrado o Centro-Dia, acho que minha vida seria muito triste. Talvez eu até entrasse em depressão, porque o baque que sofri foi muito forte. Graças a Deus, encontrei um lugar e pessoas que me acolheram”, afirma.

E Dimar não esconde o entusiasmo quando fala das atividades oferecidas pelo equipamento. Para ela, a convivência é uma das partes mais importantes da rotina. “O que mudou para mim foi a convivência. A gente conversa, participa das atividades, faz exercício, passeia. As cuidadoras têm muito carinho e cuidado com todos. Quem usa bengala ou cadeira de rodas também recebe toda a atenção. O almoço é uma delícia, o café é muito bom, e a gente ainda tem esses passeios. É uma alegria”, conta.

Agora, o destino é Mangaratiba. E a expectativa para os dois dias de viagem é grande. “Eu quero tudo de bom que já encontrei em outras viagens: uma boa refeição, uma cama confortável, um banho quentinho e, principalmente, aproveitar a praia. Já estou levando meu chapéu e meu maiô. Não vou levar para voltar com eles intactos, não. Quero usar!”, brinca durante o embarque, arrancando risadas de quem acompanhou a saída.

A viagem reúne 26 dos usuários do Centro-Dia e integra uma programação da Prefeitura de Volta Redonda que leva cerca de 300 idosos para dois dias de lazer e convivência em Mangaratiba. Ao todo, sete ônibus participam da programação, com acompanhamento de funcionários da Secretaria Municipal de Assistência Social (Smas), cuidadores e familiares de alguns participantes.

Para a coordenadora do Centro-Dia de Atendimento ao Idoso, Rosilene Pisaneschi, a viagem é um momento aguardado pelos usuários e representa uma oportunidade importante de convivência. “Eles estavam esperando por essa viagem desde junho. Para muitos, é uma oportunidade muito especial, porque nem todos têm condições de viajar. Hoje temos 26 idosos participando, acompanhados pelos nossos funcionários, cuidadores e, em alguns casos, familiares. Ver a alegria deles, a expectativa e a vontade de aproveitar cada momento é muito gratificante”, destaca.

O Centro-Dia tem capacidade para atender até 60 idosos e recebe, no máximo, 25 usuários por dia. O serviço é destinado a pessoas com 60 anos ou mais que estejam com vínculos sociais e/ou comunitários fragilizados ou sob risco de rompimento, oferecendo acompanhamento e atividades que contribuem para a autonomia, inclusão social, pertencimento comunitário e qualidade de vida.

Segundo a diretora do Departamento de Proteção Social Especial (DPES), Mariana Pimenta, proporcionar experiências fora do ambiente habitual também faz parte do trabalho de fortalecimento dos vínculos. “Uma viagem como essa tem um significado muito grande para os nossos idosos. É lazer, mas também é convivência, autonomia, socialização e fortalecimento de vínculos. Eles têm a oportunidade de conhecer novos lugares, compartilhar experiências e, principalmente, perceber que continuam tendo muitos momentos bons para viver”, afirma Mariana.

Para Dimar, que já participou de outras viagens ao longo dos anos, envelhecer não significa abrir mão da diversão. Pelo contrário. “Eu já estou nessas viagens há muitos anos. Já conheci hotéis, cidades e muita gente. Tem gente que fala que isso é coisa de velho. Eu não estou nem aí! Eu quero é aproveitar. Se tem viagem, eu vou. Se tem música, eu danço. Se tem gente para conversar, eu converso. A vida é para ser vivida”, declara, com a espontaneidade que conquistou os colegas.

A secretária municipal de Assistência Social, Rosane Marques, ressalta que iniciativas como a viagem fazem parte de uma política de cuidado que olha para o idoso para além das necessidades básicas. “Promover qualidade de vida também é proporcionar alegria, convivência, lazer e novas experiências. Essa viagem permite que nossos idosos saiam da rotina, estejam com os amigos, conheçam novos lugares e criem novas memórias. Cuidar também é garantir que eles tenham oportunidades de celebrar a vida e viver momentos de felicidade”, afirma Rosane.

Um novo capítulo

Entre uma brincadeira e outra, Dimar resume o significado da viagem de uma maneira simples. Depois de enfrentar uma das maiores dores de sua vida, ela escolheu continuar caminhando – e, sempre que pode, viajando.

“Eu não sei o que a vida ainda vai me trazer, mas enquanto eu tiver saúde, eu quero aproveitar. Não quero ficar parada. Quero conversar, rir, conhecer lugares, fazer amigos. Eu vivo um dia de cada vez, mas faço questão de viver bem cada dia”, conclui.

Em Mangaratiba, entre a praia, a música, as refeições e as conversas, Dimar e os demais usuários do Centro-Dia escrevem mais um capítulo de suas histórias. Um capítulo feito de encontros, amizade e, sobretudo, da certeza de que sempre é tempo de viver algo novo.

Fotos Jean Alves/Smas.
Secom/PMVR

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